O Ensaio no Século XVIII: Jovellanos e o Iluminismo

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O século XVIII é o século do Iluminismo. A concepção tradicional de um mundo ordenado pela autoridade, tradição ou revelação é posta em causa. Na política, essas ideias refletiram-se no despotismo esclarecido, cujo lema "Tudo para o povo, mas sem o povo" significava que os governos detinham o conhecimento necessário para a sociedade, embora esta, apegada à tradição e à ignorância, o rejeitasse. Na arte, este movimento denominou-se Neoclassicismo, que defendia a imitação dos grandes clássicos sob regras fixas, com a finalidade de "ensinar deleitando".

A Enciclopédia foi a grande obra de coleta do conhecimento racional da época. Em Espanha, este espírito difundiu-se através de:

  • O trabalho pessoal de ilustrados como o Padre Feijóo;
  • Estágios de intelectuais na Europa;
  • Traduções de livros e o surgimento de jornais e revistas;
  • A criação de instituições culturais, como a RAE ou o Jardim Botânico.

O gênero mais típico do século XVIII foi o ensaio: uma visão pessoal e livre sobre diversos temas, com uma intenção clara, funcional e prática: ensinar. O ensaio, geralmente curto, difundiu-se através da imprensa, visando educar e influenciar a opinião pública.

Principais Figuras

Padre Feijóo: A figura mais representativa do início do século. O seu trabalho, contido nos oito volumes do Teatro Crítico Universal e nos cinco das Cartas Eruditas e Curiosas, visava a divulgação de novos conhecimentos e a crítica implacável à superstição e falsas crenças. Defendeu o uso do castelhano como língua de cultura e caracterizou-se por um estilo claro e simples.

Cadalso: Protótipo do homem iluminado. Escreveu Ocios de mi juventud e a tragédia Sancho García. Após a morte da sua amada, escreveu Noches lúgubres. No ensaio, destacam-se os Los eruditos a la violeta e as Cartas marruecas, onde utiliza a ironia para criticar a realidade histórica e o declínio de Espanha.

Jovellanos: O ensaísta mais importante do século XVIII espanhol. Jurista e reformador, destacou-se pelo seu Informe sobre la Ley Agrária. A sua vida foi marcada por períodos de exílio, como em Gijón e no Castelo de Bellver, onde escreveu a Descripción del Castillo de Bellver. Durante a invasão napoleónica, recusou colaborar com José Bonaparte, defendendo a independência e integrando a Junta Central. A sua obra, que inclui diários e cartas, reflete um estilo sóbrio, elegante e conciso, consolidando-o como o escritor mais representativo do século XVIII espanhol.

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