Enterobíase e Teníase: Parasitoses Intestinais Humanas
Enterobíase ou Oxiuríase
Enterobius vermiculares: Parasita exclusivo do ser humano.
Morfologia
- Cor branco-leitosa e cilíndrica (filiforme), com cerca de 1 cm.
- Possui dimorfismo sexual: o macho é menor que a fêmea e tem a extremidade posterior enrolada.
- Ambos possuem uma estrutura na cabeça denominada Asas cervicais e três lábios na boca.
Habitat
Habitam o ceco humano e o apêndice. Pode infectar também a região genital de ambos os sexos.
Ciclo Biológico
É do tipo monoxênico. Após a cópula, os machos são eliminados com as fezes e morrem. As fêmeas, repletas de ovos, se desprendem do ceco e dirigem-se para o ânus (principalmente à noite). A fêmea é ovovivípara; os ovos seriam eliminados por rompimento da fêmea devido a algum traumatismo ou ressecamento, pois a maioria dos autores afirma que a fêmea não realiza a postura dos ovos.
Ciclo resumido: Ovo embrionado $\rightarrow$ Boca $\rightarrow$ Intestino Delgado $\rightarrow$ Rompe-se a membrana liberando a Larva $\rightarrow$ Migram para o Intestino Grosso $\rightarrow$ Ocorre a maturação dos vermes.
Transmissão
- Direta ou Autoinfecção Externa: Anus-Mãos-Boca.
- Indireta: Ovo-Água ou alimentos-Boca.
- Autoinfecção Interna: Liberação de ovos no Intestino Grosso.
- Retroinfecção: Ovos presentes na margem anal migram para o Intestino Grosso até o ceco.
Sintomas
Diretamente relacionados com a carga parasitária. O processo inflamatório agudo do intestino causa a alteração mais intensa e frequente: prurido anal e tenesmo.
Diagnóstico
- Clínico: Prurido anal.
- Laboratorial: Melhor método é o Método de Graham (caso a fêmea já tenha realizado a postura); se não, é recomendado o HTJ.
Epidemiologia
Esta helmintose tem alta prevalência em crianças em idade escolar e é de transmissão eminentemente doméstica ou em ambientes coletivos fechados.
Profilaxia
Lavar a roupa de cama diariamente com água fervente; higiene pessoal; tratamento de todas as pessoas parasitadas da família; destino adequado das fezes.
Tratamento
Albendazol; Ivermectina. Não é Geohelminto.
Teníase (Classe Cestoda)
Presença da forma adulta da T. solium ou da T. saginata no intestino delgado dos humanos.
Morfologia Geral
Corpo achatado dorsoventralmente em forma de fita, dividido em escólex (cabeça, órgão de fixação), colo (pescoço) e estróbilo (corpo). As proglotes são divididas em jovens/imatúras e gravídicas/maduras, de acordo com a posição em relação à cabeça. Aparelho digestivo incompleto ou ausente; ausência de sistema circulatório e simetria bilateral. Os ovos são esféricos, morfologicamente indistinguíveis, com dupla membrana radiada e resistentes ao ambiente.
Diferenças Morfológicas
- T. solium (ou Armada): Escólex globuloso com um rostelo (ou rostro) situado em posição central, entre as ventosas, armado com dupla fileira de acúleos. Suas proglotes saem passivamente com as fezes em grupos. Pode levar à cisticercose humana.
- T. saginata: Escólex quadrangular, sem rostelo e acúleos. Suas proglotes saem ativamente no intervalo das defecações, individualmente. Possui ramificações dicotômicas (laterais).
Habitat e Hospedeiros
- Habitat: Intestino Delgado.
- Hospedeiro Intermediário: Porco (T. solium, que causa cisticercose) e Boi (T. saginata).
- Hospedeiro Definitivo: Homem (que possui teníase).
Formas de Contaminação
Ingestão de carne de porco ou boi contaminada crua ou mal cozida.
Ciclo Biológico
Homem Infectado $\rightarrow$ Elimina proglote nas fezes $\rightarrow$ Libera ovos que contaminam $\rightarrow$ Água e Alimentos $\rightarrow$ Ingeridos por Porco ou Boi $\rightarrow$ Para no ID onde desenvolve-se a Larva (cisticerco) $\rightarrow$ Penetra na Mucosa e cai na Corrente Sanguínea $\rightarrow$ Vai para a musculatura (cisticercose) $\rightarrow$ Ingerida pelo homem contaminando-o.
Sintomas
Tonturas, astenia, apetite excessivo, náuseas, vômitos, alargamento do abdômen, dores de vários graus de intensidade em diferentes regiões do abdômen e perda de peso são alguns dos sintomas observados em decorrência da infecção.
Patogenia
Devido ao longo período em que a T. solium ou T. saginata parasita o homem, elas podem causar:
- Fenômenos tóxicos alérgicos, através de substâncias excretadas.
- Hemorragias através da fixação na mucosa.
- Destruição do epitélio.
- Produção de inflamação com infiltrado celular.
- Ação Espoliativa, Ação Irritativa e Ação Tóxica.
Diagnóstico
Relatos relevantes incluem procedência do paciente, criação inadequada de suínos, hábitos higiênicos, serviço de saneamento básico, qualidade da água utilizada para beber e irrigar hortaliças, ingestão de carne de porco malcozida, relato de teníase do paciente ou familiar. Para o diagnóstico específico, há necessidade de fazer a "tamização" (lavagem em peneira fina) de todo o bolo fecal, recolher as proglotes existentes e identificá-las pela morfologia. Utiliza-se também o Método HPJ (para os ovos nas fezes) e o exame macroscópico das fezes.
Profilaxia
Destino adequado das fezes, inspeção em abatedouros, correto preparo dos alimentos, evitando consumir carnes mal passadas.
Tratamento
Praziquantel.
Cisticercose
Teníase e cisticercose são duas entidades mórbidas distintas, causadas pela mesma espécie, porém em fases de vida diferentes.
- Teníase: Alteração provocada pela presença da forma adulta da Taenia solium ou da T. saginata no intestino delgado do hospedeiro definitivo (humanos).
- Cisticercose: Alteração provocada pela presença da larva (vulgarmente denominada canjiquinha) nos tecidos de hospedeiros intermediários normais (suínos e bovinos, respectivamente).
Na teníase, observam-se manifestações generalizadas do aparelho digestório, nervoso, deficiências nutricionais e, às vezes, mudanças comportamentais. A infecção humana por cisticerco ocorre pela ingestão de carne crua ou malcozida de porco ou boi infectado. O cisticerco ingerido sofre a ação do suco gástrico, evagina-se e fixa-se, através do escólex, na mucosa do intestino delgado, transformando-se em uma tênia adulta, que pode atingir até oito metros em alguns meses. Três meses após a ingestão do cisticerco, inicia-se a eliminação de proglotes grávidas.
Forma de Contaminação (Cisticercose Humana)
A cisticercose humana é adquirida pela ingestão acidental de ovos viáveis da T. solium que foram eliminados nas fezes de portadores de teníase.
Modos de Infecção
- Autoinfecção Externa: Ocorre em portadores de T. solium quando eliminam proglotes e ovos de sua própria tênia, levando-os à boca.
- Autoinfecção Interna: Poderá ocorrer durante vômitos ou movimentos retroperistálticos do intestino, possibilitando a presença de proglotes grávidas ou ovos de T. solium no estômago. Estes, após a ação do suco gástrico e posterior ativação das oncosferas, voltariam ao intestino delgado, desenvolvendo o ciclo auto-infectante.
- Heteroinfecção: Ocorre quando os humanos ingerem alimentos ou água contaminados com os ovos da T. solium disseminados no ambiente através das dejeções de outro paciente.
O cisticerco da T. solium é encontrado no tecido subcutâneo, muscular, cardíaco, cerebral e no olho de suínos e acidentalmente em humanos.
Patologia
A cisticercose muscular ou subcutânea provoca pouca alteração e, em geral, é uma forma assintomática. Os cisticercos aí instalados desenvolvem reação local, formando uma membrana adventícia fibrosa. Com a morte do parasito, há tendência à calcificação. Quando numerosos cisticercos se instalam em músculos esqueléticos, podem provocar dor, fadiga e cãibras (quer estejam calcificados ou não), especialmente quando localizados nas pernas, região lombar e nuca. No tecido subcutâneo, o cisticerco é palpável, em geral indolor e, às vezes, confundido com cisto sebáceo.
Diagnóstico
Relatos relevantes incluem procedência do paciente, criação inadequada de suínos, hábitos higiênicos, serviço de saneamento básico, qualidade da água utilizada para beber e irrigar hortaliças, ingestão de carne de porco malcozida, relato de teníase do paciente ou familiar.