Enterococcus faecalis na Endodontia: Patogenia e Controle

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Enterococcus faecalis: Onde está presente

O gênero Enterococcus abrange diversas espécies, incluindo o E. faecalis, que participa de várias doenças na cavidade bucal, tais como cárie, infecções endodônticas recorrentes e periodontites apicais. O Enterococcus inclui diversas espécies residentes do trato gastrointestinal, da vagina e da cavidade bucal como comensais. O E. faecalis e o E. faecium estão associados a diversas patologias, incluindo infecções urinárias e endocardite. O Enterococcus compõe um grupo de bactérias Gram-positivas associadas a infecções endodônticas em Odontologia.

Crescimento

O E. faecalis apresenta poucas exigências para seu crescimento, sendo capaz de proliferar em temperaturas de 10 a 45°C, pH 9,6 e em 6,5% de solução salina, além de sobreviver a 60°C por 30 minutos. São microrganismos facultativos, catalase-negativos, e a grande parte das espécies desse gênero hidrolisa esculina na presença de bile.

Fatores de virulência

Os fatores de virulência citados são a produção de substâncias de agregação, adesinas de superfície, ácido lipoteicoico, produção extra de superóxido, enzima lítica gelatinase e hialuronidase. Cada um desses fatores pode estar associado a vários estágios de infecções endodônticas, bem como à inflamação periapical.

Resistência

Esses microrganismos são resistentes a diversos antibióticos (tetraciclina e gentamicina). Enterococcus spp. são susceptíveis à ampicilina, benzilpenicilina, cloranfenicol, eritromicina, kanamicina, rifampicina, estreptomicina e vancomicina.

Substância de Agregação

A substância de agregação é uma adesina bacteriana, codificada por plasmídeo, que corresponde a feromônios e realiza eficiente contato entre hospedeiro e receptor bacteriano, facilitando a troca de plasmídeos. A substância agregadora é de natureza proteica e sua expressão na superfície da célula pode ser induzida por soro.

Superantígenos

São moléculas produzidas por bactérias, fungos ou parasitas que podem induzir inflamação atuando na estimulação de linfócitos T, seguida de grande liberação de citocinas inflamatórias, resultando em dano tecidual.

Gelatinase

Pode hidrolisar gelatina, colágeno, fibrinogênio, caseína, hemoglobina e insulina. É produzida por um grande número de células eucarióticas, pois, no hospedeiro, faz parte de processos fisiológicos normais, como regulação na formação e na remodelação tecidual.

Patogenia

Para a bactéria ser patogênica, ela deve essencialmente aderir-se aos tecidos, invadi-los, multiplicar-se e sobreviver aos mecanismos de defesa do hospedeiro e a outras bactérias, para então produzir dano tecidual.

Adesão e Infiltração

  • Adesão: No interior do canal, as bactérias encontram uma série de condições não favoráveis, como deficiência nutricional, toxinas de outras bactérias e medicação endodôntica.
  • Infiltração: Essas condições modulam a expressão de adesinas bacterianas. Além disso, a infiltração de soro para dentro do canal induz a expressão de substâncias de agregação, aumentando a aderência bacteriana.

Remoção Mecânica e Papel das Bactérias

A remoção mecânica do E. faecalis, bem como o uso de antissépticos na endodontia, é essencial, uma vez que resíduos do LTA podem sustentar a inflamação. A grande maioria das bactérias infectantes é removida durante os procedimentos endodônticos de instrumentação e irrigação do canal radicular; porém, a total eliminação de espécies bacterianas patogênicas nem sempre é atingida na prática clínica.

Hidróxido de Cálcio

É utilizado como medicação intracanal por apresentar capacidade de eliminação bacteriana quando utilizado durante um período de 7 dias.

Conclusão

A clorexidina apresentou boa eficiência contra E. faecalis; no entanto, essa eficácia é diretamente dependente da concentração. A associação de clorexidina a 0,5% e hidróxido de cálcio demonstra ser mais eficiente do que a utilização isolada de hidróxido de cálcio. Da mesma forma, a combinação de gel de clorexidina a 0,2% e hidróxido de cálcio mostrou-se eficaz na eliminação de E. faecalis. Contudo, a combinação de clorexidina e hidróxido de cálcio pode ser clinicamente difícil do ponto de vista de obturação de canal. Outra metodologia considerada é a utilização de ozônio, porém, o ozônio apresentou pouca atividade sobre Enterococcus spp. quando há formação de biofilme.

Enterococcus abrangem espécies patogênicas, sobretudo E. faecalis, presentes em infecções endodônticas e periapicais persistentes. Características microbiológicas, bem como seus fatores de virulência, determinam a patogenicidade de E. faecalis, o que se traduz em condições clínicas pouco favoráveis e persistência das infecções, mesmo quando o retratamento é instituído.

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