Epicurismo e Estoicismo: A Busca pela Serenidade

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O Epicurismo: A Busca pela Ataraxia

O epicurismo preconizava o repouso e a ataraxia (ausência de perturbação), gozando a plenitude do momento presente (carpe diem – aproveita o dia). Assim, evitavam-se as ciladas do destino, presentes nas paixões e nas sensações fortes que prendem o Homem ao mundo transitório. Para os epicuristas, o verdadeiro prazer é estável e moderado, tendendo para a ausência de dor.

Não se trata do prazer imediato, como é desejado pelo homem vulgar; trata-se do prazer reflectido, avaliado pela razão e escolhido prudentemente. É preciso dominar os prazeres, e não se deixar por eles dominar. O prazer espiritual diferencia-se do prazer sensível, porquanto o primeiro estende-se também ao passado e ao futuro, transcendendo o segundo, que é unicamente presente. O objetivo era libertar as pessoas do medo da morte, pois não podemos fugir do nosso destino, devendo tirar o melhor partido da vida, desfrutando dos prazeres com moderação.

O Estoicismo: A Aceitação do Destino

O estoicismo era uma filosofia que propunha a aceitação voluntária do destino, pois este estaria acima de tudo, até dos próprios deuses. Neste sentido, a liberdade seria o conformar-se com a ordem natural das coisas através da razão e da autodisciplina mental. Considera-se possível encontrar a felicidade desde que se viva em conformidade com as leis do destino que regem o mundo, permanecendo indiferente aos males e paixões, que são perturbações da razão.

O ideal ético é a apatia, definida como a ausência de paixão, permitindo a liberdade. Dado que a natureza é governada por princípios racionais, não podemos desejar mudar o que é; a nossa atitude perante a mortalidade deve ser de serena aceitação. A vida ideal consiste na renúncia aos desejos e prazeres, vigiando-se contra as surpresas irracionais da emoção. Não ser perturbado no espírito é a condição fundamental da felicidade.

Síntese Filosófica e Ricardo Reis

Para enfrentar o medo da morte, é preciso viver cada instante, numa perspectiva epicurista do "Carpe Diem". No entanto, essa vivência deve ser feita de forma disciplinada, encarando o destino com a resignação estoica.

  • Epicurismo: O único bem é o prazer e o único mal é a dor.
  • Morte: A serenidade do sábio não é perturbada, pois a morte é a ausência de sensibilidade.

Em relação a Ricardo Reis, a sua obra procura o prazer nos limites do ser humano face ao destino. Faz a apologia da indiferença solene diante do poder dos deuses, defendendo uma sabedoria de vida equilibrada: "Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos. / Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio. / Mais vale saber passar silenciosamente / E sem desassossegos grandes."

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