Epistemologia: Popper, Kuhn, Feyerabend e Lakatos

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O Falsificacionismo de Karl Popper

Segundo Popper, o contraste de uma teoria e suas conclusões deve passar pelas seguintes etapas:

  • Comparação lógica dos resultados.
  • Estudo da forma lógica de uma teoria, a fim de determinar o seu caráter.
  • Comparação com outras teorias, para verificar se a teoria representa um avanço científico caso sobreviva a diferentes contrastes.
  • Aplicação empírica das conclusões extraídas.

Popper rejeitou a distinção entre termos teóricos e observacionais e tentou superar o problema da indução substituindo o critério de verificabilidade pelo de falseabilidade ou refutação da teoria. Para o autor, as teorias científicas são conjecturas temporárias, sujeitas a um processo constante de tentativa e erro. A característica distintiva das teorias científicas é que elas estão sujeitas à revisão e são formuladas de modo a permitir a sua falsificação. A confirmação de uma teoria não deve ser buscada através de experimentos que a confirmem positivamente em todos os casos, mas pela refutação de hipóteses: uma refutação é suficiente para abandonar uma teoria, enquanto centenas de confirmações não podem induzir a uma lei universal válida para sempre. As abordagens desse autor foram criticadas por diversos pontos de vista, especialmente por não refletirem a história real da evolução das teorias científicas.

3.3. O conhecimento científico e a história da ciência

Thomas Kuhn analisa as características do conhecimento científico a partir de uma perspectiva distinta do positivismo e do falsificacionismo. Para Kuhn, a definição do conhecimento científico e sua evolução estão relacionadas à análise da história da ciência e à reconstrução racional do progresso científico. Ele descreve a história da ciência como um processo de saltos revolucionários, em que períodos de "ciência normal" se alternam com períodos de "ciência revolucionária".

A ciência é estruturada em paradigmas que envolvem uma visão de mundo e a ordem da natureza. A ciência normal é realizada por comunidades científicas que compartilham uma matriz disciplinar comum. Nesses períodos, a evolução do conhecimento caracteriza-se pela precisão, alargamento do âmbito de aplicação do paradigma e formulação de leis quantitativas. Contudo, a ocorrência de anomalias leva à invenção de paradigmas alternativos incomensuráveis entre si, iniciando um período de ciência revolucionária.

Feyerabend, por sua vez, propõe uma crítica radical ao empirismo, argumentando que o significado dos termos depende do contexto teórico. Já Lakatos buscou um meio-termo, introduzindo o conceito de "programa de pesquisa científica", onde o progresso é avaliado pela capacidade de um programa gerar novos conteúdos em vez de apenas falsificar ocorrências.

3.4. A natureza científica dos grupos de TS

Devemos destacar duas questões importantes para o status científico dos grupos de Trabalho Social (TS):

  • Dificuldades na verificação: A formulação de leis causais necessárias é complexa, levando à aplicação de verdades científicas em termos de probabilidade.
  • Fato social: A ciência é um processo social e produto histórico das comunidades científicas. A inexistência de uma linguagem observacional neutra aproxima as ciências sociais das ciências físicas.

Em resumo, o método científico baseia-se em premissas aplicáveis aos grupos de TS. A incomensurabilidade, conceito central, sugere que é impossível comparar duas teorias quando não existe uma linguagem teórica comum, dificultando o julgamento sobre qual teoria é superior.

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