A Epistemologia e a Revolução Científica na Modernidade
Classificado em Filosofia e Ética
Escrito em em
português com um tamanho de 3,94 KB
O Período Epistemológico (Teoria do Conhecimento)
Implicações da Revolução Científica
A partir do século XV, a Europa vivenciou um processo de mudança histórica, social e cultural que conduziu à modernidade.
O pensamento moderno surgiu rompendo com a cultura religiosa medieval, alterando radicalmente a visão sobre a realidade e a forma de entender a relação do homem com ela.
A primeira reação crítica veio com o Renascimento, marcado pelo movimento cultural do Humanismo. Os pensadores humanistas, ao recuperarem autores clássicos, substituíram o teocentrismo por uma visão antropocêntrica e naturalista. Assim, iniciou-se o caminho para a independência da razão frente a autoridades externas, como a fé ou a tradição.
Contudo, o maior impacto na história da filosofia foi a Revolução Científica, que marcou o rompimento definitivo com a visão de mundo greco-medieval. A nova ciência baseou-se no heliocentrismo, no mecanicismo, na matematização da realidade e na experimentação.
Essa nova ciência renascentista visava formular leis através do raciocínio matemático, priorizando o que é real sobre a percepção sensorial. Isso devolveu à razão a autonomia perdida durante a Idade Média e iniciou a separação entre filosofia e ciência.
Modernidade
As ideias decorrentes do Renascimento desmontaram a crença na capacidade do conhecimento humano de responder a todas as questões sobre a realidade. Por isso, a partir do século XVII, a filosofia afastou-se da pesquisa sobre a realidade em si para focar na análise crítica do acesso ao conhecimento.
Esta fase caracteriza-se pela autonomia da razão e pela busca de um método rigoroso, inspirado no modelo matemático, devido à certeza e exatidão de suas declarações.
- O Racionalismo de Descartes: No início da modernidade, defende a confiança total na razão e o desprezo pelos sentidos. Através de ideias inatas e da dedução matemática, a razão pode descobrir a estrutura da realidade sem recorrer à experiência.
- O Empirismo Inglês (Hume): Em oposição ao racionalismo, afirma que o conhecimento depende dos dados da experiência. A razão é limitada pelos sentidos, tornando o conhecimento humano apenas provável, o que conduz ao ceticismo.
- O Idealismo Transcendental de Kant: Supera as posições anteriores. O conhecimento parte da experiência, mas é estruturado pela nossa mente. Não conhecemos as coisas como são em si, mas conforme são condicionadas pela nossa estrutura cognitiva.
Glossário Filosófico
- Cosmogonia: Explicação da origem e formação do mundo.
- Logos: Termo grego que se refere à ordem que rege a realidade, à razão humana que descobre essa ordem e à palavra que expressa o pensamento.
- Contingente: Refere-se a algo que pode ou não acontecer; um ser que pode ou não existir.
- Imanente: Princípio cuja ação está dentro da natureza. Opõe-se ao transcendente, que vai além dos limites da experiência.
- Essência: O que faz algo ser o que é. Opõe-se à existência.
- Preconceito: Pré-afirmação sem conhecimento suficiente de uma coisa.
- Dogmatismo: Atitude acrítica que afirma verdades sem admitir discussão.
- Metafísica: Estudo da realidade a partir de seus princípios ou causas, indo além do físico.
- Epistemologia: Disciplina filosófica que estuda o conhecimento humano.