Error in Judicando e Error in Procedendo: Distinções e Efeitos

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Resumo

Este texto explica a diferença entre error in iudicando, um erro de julgamento de direito ou de fato, e error in procedendo, um vício no procedimento. Mostra os efeitos de cada um no recurso: o erro de julgamento leva à reforma da decisão, e o vício de procedimento leva à anulação do julgado. Inclui a citação de um acórdão do STJ de 2011 sobre o efeito substitutivo dos recursos.

Pontos-chave

  • O error in iudicando é a má apreciação da questão de direito ou de fato, e o pedido é a reforma da decisão.
  • O error in procedendo é um vício na atividade do juiz e um desrespeito às regras processuais.
  • Num recurso por error in iudicando, o tribunal superior profere nova decisão que substitui a sentença.
  • Segundo o acórdão do STJ citado, o julgado com error in procedendo é anulado para que outro seja proferido na instância de origem.
  • O efeito substitutivo dos recursos não se aplica quando o recurso se funda em error in procedendo.
  • Distinguir os dois erros é importante, porque cada um tem efeitos distintos no processo.

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Nesse caso, a parte requererá a reforma da sentença por entender que o magistrado incorreu em erro in judicando. Para ela, o juiz não aplicou a lei como deveria.
No mesmo sentido, elucida Moreira:
“O error in iudicando é resultante da má apreciação da questão de direito (v.g., entendeu-se aplicável norma jurídica impertinente ao caso) ou de fato (v.g., passou despercebido um documento, interpretou-se mal o depoimento de uma testemunha), ou de ambas, pedindo-se em consequência a REFORMA da decisão, acoimada de injusta, de forma que o objeto do juízo de mérito no recurso identifica-se com o objeto da atividade cognitiva no grau inferior da jurisdição” (destacado).
Frisa-se que o conhecimento das espécies de erros é importante na medida em que sua alegação e constatação podem acarretar efeitos distintos no processo. Pugnando o postulante, p.ex., pela cassação de uma sentença por constatar erro in procedendo, o magistrado de segunda instância irá tão somente anular a decisão e, posteriormente, remeter os autos para o juízo a quo apreciar a lide outra vez (exceto no caso do §3º do art. 515 do CPC).
Entretanto, requerendo a parte à reforma da decisão em virtude do erro in judicando, o juízo ad quem reapreciará a lide e verificará se a sentença proferida pelo juízo a quo está em consonância com o entendimento daquela corte. Supondo o Tribunal que o juiz de primeira instância errou ao dirimir o conflito, então proferirá nova decisão que suplantará a anterior e não determinará a decida dos autos. O acórdão substituirá a sentença.
O STJ, em acórdão proferido em 2011, explica com clareza as consequências na demanda, quando diante de error in procedendo e error in judicando.
Vejamos:
RECURSO ESPECIAL. ARTIGO 512 DO CPC. ERROR IN JUDICANDO. PEDIDO DE REFORMA DA DECISÃO. EFEITO SUBSTITUTIVO DOS RECURSOS. APLICAÇÃO. ERROR IN PROCEDENDO. ANULAÇÃO DO JULGADO. INAPLICABILIDADE DO EFEITO SUBSTITUTIVO. NECESSIDADE DE PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. 1. O efeito substitutivo previsto no artigo 512 do CPC implica a prevalência da decisão proferida pelo órgão superior ao julgar recurso interposto contra o decisório da instância inferior. Somente um julgamento pode prevalecer no processo, e, por isso, o proferido pelo órgão ad quem sobrepuja-se, substituindo a decisão recorrida nos limites da impugnação. 2. Para que haja a substituição, é necessário que o recurso esteja fundado em error in judicando e tenha sido conhecido e julgado no mérito. Caso a decisão recorrida tenha apreciado de forma equivocada os fatos ou tenha realizado interpretação jurídica errada sobre a questão discutida, é necessária a sua reforma, havendo a substituição do julgado recorrido pela decisão do recurso. 3. Não se aplica o efeito substitutivo quando o recurso funda-se em error in procedendo, com vício na atividade judicante e desrespeito às regras processuais, pois, nesse caso, o julgado recorrido é anulado para que outro seja proferido na instância de origem. Em casos assim, a instância recursal não substitui, mas desconstitui a decisão acoimada de vício. 4. Recurso especial conhecido em parte e desprovido. (REsp 963.220/BA, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, QUARTA TURMA, julgado em 07/04/2011, DJe 15/04/2011) (destacado).
Destarte, nota-se que compreender a distinção entre as espécies de defeitos das decisões jurisdicionais mostra-se extremamente necessária. É certo que quanto preciso mais for o operador do direito, mais credibilidade e respeito ele terá. O magistrado, com certeza, lerá com “outros olhos” a petição de um advogado cuidadoso e que preza pela boa técnica jurídica, mormente se tratando de direito adjetivo, que é o meio utilizado para aplicar o direito material.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre error in iudicando e error in procedendo?

O error in iudicando é um erro de julgamento, de direito ou de fato, e o pedido é a reforma da decisão. O error in procedendo é um vício no procedimento, e o julgado é anulado para que outro seja proferido na instância de origem.

Qual é o efeito de um recurso por error in procedendo?

Segundo o acórdão do STJ citado, o efeito substitutivo não se aplica. O julgado recorrido é anulado, e a instância de origem profere nova decisão.

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1. O que significa error in iudicando?
2. Qual é o pedido típico de um recurso por error in iudicando?
3. Segundo o acórdão do STJ citado, o que acontece no error in procedendo?
4. O efeito substitutivo aplica-se ao error in procedendo?
5. Em que ano foi proferido o acórdão do STJ citado?
6. Por que é importante distinguir os dois tipos de erro?

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