A Escola de Palo Alto e a Comunicação Não-Verbal
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O Colégio Invisível de Palo Alto
Estes autores estudaram a comunicação como algo que vai além das palavras. Para eles, tudo comunica: o modo de agir, o corpo e o espaço ao redor. Eles utilizaram a etnografia para observar pessoas em situações reais.
Ray Birdwhistell e a relação corpo–cultura
Birdwhistell estudou os gestos corporais, denominados "cinésica" (ou quinesia). Ele demonstrou que os gestos não são universais, mas aprendidos dentro de cada contexto cultural, integrando o processo de comunicação.
Edward Hall e a "linguagem silenciosa"
Hall abordou a proxêmica, que se refere ao uso do espaço na comunicação. Ele explicou que elementos como a distância entre as pessoas, o tempo de interação e o contato visual transmitem mensagens sem a necessidade de fala.
Gregory Bateson & Margaret Mead – Balinese Character
Nesse estudo realizado em Bali, eles mostraram como, desde a infância, o corpo e os gestos ensinam as regras e os costumes de cada cultura. Isso influencia diretamente o modo como as pessoas se comunicam.
Análise de imagens e publicidade
Na publicidade, as imagens expressam valores culturais, como noções de gênero ou tradição. Por exemplo, perfumes podem representar o masculino ou o feminino, enquanto cervejas podem evocar a tradição. Essas imagens são analisadas por meio de teorias que abordam cultura, representação e comportamento social.
Analogia da Orquestra e o Modelo de Comunicação da Escola de Palo Alto
A Escola de Palo Alto vê a comunicação como um processo complexo e integrado, onde várias partes atuam juntas para criar sentido, assemelhando-se a uma orquestra.
- Na orquestra: Vários músicos e instrumentos tocam simultaneamente, cada um com sua função, mas todos coordenados para uma música harmoniosa.
- Na comunicação: Diferentes elementos (palavras, gestos, tom de voz, expressão corporal, espaço) atuam juntos. Nenhuma parte funciona isoladamente — tudo ocorre em conjunto e influencia a mensagem final.
Além disso:
- Assim como o maestro coordena os músicos, na comunicação os participantes ajustam seu comportamento e sinais para manter a interação fluida.
- Na orquestra, cada músico responde aos outros, criando um diálogo musical; na comunicação, as pessoas reagem umas às outras em um sistema de troca constante.
- Pequenas mudanças em um instrumento podem alterar toda a música, assim como pequenos gestos ou tons na comunicação podem mudar o significado da mensagem.
Portanto, a analogia da orquestra ajuda a entender que a comunicação é um processo dinâmico, complexo e interativo, onde tudo comunica — não só as palavras, mas também o corpo, o espaço e o comportamento, funcionando em uníssono como em uma peça musical.
A Etnografia no "Colégio Invisível" de Palo Alto
Para vários autores do "Colégio Invisível", os métodos da etnografia são fundamentais para a compreensão das situações e interações comunicacionais.
Justificação:
O grupo acredita que, para entender a comunicação humana, é essencial observar o agir cotidiano em situações reais. A etnografia permite essa observação detalhada, registrando o comportamento no ambiente natural. Assim, compreende-se não apenas o que é dito, mas como o corpo, o espaço e os gestos são utilizados.
Exemplo:
Observar uma conversa familiar ou uma reunião de trabalho ajuda a decifrar sinais não-verbais, como o olhar ou a distância interpessoal, que revelam muito sobre a dinâmica da interação.
Edward Hall e as "Unidades Invisíveis" da Linguagem Silenciosa
De acordo com Edward Hall, existem "unidades invisíveis" que compõem uma "linguagem silenciosa".
Justificação:
Hall estudou a comunicação não-verbal por meio de elementos frequentemente ignorados, como a distância (proxêmica), o tempo (cronêmica) ou o contato visual. Essas unidades são regras implícitas que moldam o comportamento e a comunicação, por isso Hall as denomina "linguagem silenciosa".
Exemplo:
A aproximação excessiva de alguém pode causar desconforto, demonstrando como a distância física transmite mensagens claras, mesmo sem verbalização.
A Influência de Balinese Character em Birdwhistell e Hall
O estudo de Gregory Bateson e Margaret Mead sobre o "Balinese Character" revelou que o corpo, os gestos e as posturas são fundamentais na transmissão de valores culturais desde a infância. A comunicação corporal é uma forma essencial de internalizar regras sociais.
Ray Birdwhistell utilizou essa premissa para desenvolver a cinésica, estudando movimentos corporais como parte do sistema cultural aprendido. Comunicar é, portanto, usar o corpo de forma simbólica.
Edward Hall incorporou essas ideias em sua linguagem silenciosa e na proxêmica. Ele percebeu que sinais automáticos, como o olhar e o uso do espaço, são aprendidos culturalmente e cruciais para entender o comportamento social.
Em resumo: Bateson e Mead demonstraram que o corpo ensina cultura; Birdwhistell estudou os gestos como linguagem cultural; Hall focou nos sinais invisíveis, como o espaço e o tempo, que também comunicam significativamente.