Escultura Românica: Características, Estilos e Evolução

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Introdução

O precedente da escultura românica encontra-se nos ensaios da escultura pré-românica e na tradição greco-romana, porém transformado por elementos cristãos. Na arte românica, a escultura monumental, que fora instrumental no mundo greco-romano, havia sido esquecida em favor de pequenas dimensões, como o marfim ou o ouro. O interesse dos escultores românicos era o aspecto intelectual e a mensagem, rejeitando o naturalismo e a representação fiel da realidade.

Escultura Românica: Características e Funções

A maior parte da escultura românica está concentrada nas fachadas das igrejas. No interior, apenas os capitéis das colunas eram esculpidos. A entrada do templo é um acesso triunfante à casa de Deus. As coberturas são frequentemente moldadas por uma série de arcos concêntricos, as arquivoltas, que diminuem progressivamente de tamanho. Os batentes são os elementos verticais que suportam as arquivoltas, e o tímpano é o espaço favorito para a decoração escultórica.

Características principais:

  • Lei da moldura: A escultura adapta-se ao espaço arquitetônico.
  • Função didática: A imagem é usada para doutrinar a população analfabeta.
  • Fontes iconográficas: Bíblia, Evangelhos apócrifos, Lenda Dourada, vida dos santos e bestiários.
  • Estilo: Escultura plana, com falta de perspectiva, anti-figurativa, com anatomia esquemática e rigidez expressiva.

Escultura de Pé-Direito e em Relevo

A escultura de vulto redondo (pé-direito) é reduzida a imagens do Crucificado e da Virgem com o Menino.

  • Cristo: Representado com quatro pregos, indiferente à dor, hierático e solene. Pode ser Cristo Rei (túnica e coroa) ou Cristo Nu (apenas com saia).
  • Virgem com o Menino: Modelo Quiriotisa, onde a Virgem atua como trono do Salvador, sentada de forma estática e frontal.

A escultura em relevo teve grande desenvolvimento na Espanha e na França, impulsionada pelo Caminho de Santiago, que facilitou o intercâmbio entre artistas itinerantes.

A Escultura Românica na Espanha

Na Espanha, as primeiras obras surgem na Catalunha e no Caminho de Santiago, como o tímpano da Catedral de Jaca. Outros destaques incluem:

  • San Isidoro de León: Pórtico do Cordeiro e a descida da cruz.
  • Santo Domingo de Silos: Relevos do claustro inferior.
  • Catedral de Santiago: Fachada das Platerías.
  • Navarra: Influência francesa em Sangüesa e no Claustro de San Juan de la Peña.

Transição para o Gótico

No final do século XII, surgem obras de transição, caracterizadas por maior movimento, anatomia naturalista e expressividade. Destacam-se mestres como o Mestre Mateo, autor do Pórtico da Glória da Catedral de Santiago de Compostela.

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