Esperando pela Polícia: Um Mistério de Suspense

Classificado em História

Escrito em em português com um tamanho de 12,58 KB

Esperando pela Polícia

— Gostaria de saber onde o Sr. Wainwright foi? — disse a Sra. Mayton.

Não importava para ela, no mínimo, onde ele tinha ido. Tudo o que importava era que ele pagasse seus três guinéus por semana regularmente para alojamento e alimentação. Mas a vida na pensão era notoriamente monótona, e de vez em quando ela tentava agitar um pouco de interesse.

— Será que ele vai voltar? — perguntou Monty Smith.

Não lhe importava, tampouco, mas ele era tão educado quanto pálido, e sempre fazia o seu melhor para manter a conversa fluindo.

— Eu pensei que ouvi a porta da frente — respondeu a Sra. Mayton.

— Talvez ele tenha saído para postar uma carta — sugeriu Miss Wicks, sem parar em seu tricô. Ela tricotava há setenta anos e parecia pronta para outros setenta.

— Ou talvez não fosse ele, afinal — adicionou Bella Randall. Bella era a adorável hóspede da pensão, mas ninguém havia aproveitado o fato.

— Quer dizer, poderia ter sido outra pessoa? — perguntou a Sra. Mayton.

— Sim — concordou Bella.

Todos consideraram a alternativa sinceramente. O Sr. Calthrop, vindo de repente de um cochilo de meia-idade, entrou no pensamento sem qualquer ideia do que estava pensando.

— Talvez tenha sido o Sr. Penbury — disse a Sra. Mayton, enfim. — Ele está sempre entrando e saindo.

Mas não foi o Sr. Penbury, pois aquele indivíduo excêntrico entrou na sala um momento depois.

Sua chegada interrompeu a conversa, e a empresa ficou em silêncio. Penbury sempre teve um efeito inibidor. Ele possuía um cérebro e, já que ninguém entendia quando ele o usava, ele era malvisto. Mas a Sra. Mayton nunca permitia que mais de três minutos passassem sem uma palavra, e assim, quando o novo silêncio atingiu seu período estipulado, ela se virou para Penbury e perguntou:

— Foi o Sr. Wainwright que saiu há pouco tempo?

Penbury olhou para ela de forma estranha.

— O que faz você perguntar isso? — disse ele.

— Bem, eu só estava pensando.

— Eu vejo — respondeu Penbury lentamente. A atmosfera parecia apertar, mas Miss Wicks continuou a tricotar. — E vocês estão pensando?

— Nós decidimos que, talvez, ele tivesse saído para postar uma carta — murmurou Bella.

— Não, Wainwright não saiu para postar uma carta — respondeu Penbury. — Ele está morto.

O efeito foi instantâneo. Bella deu um grito agudo minúsculo. Os olhos da Sra. Mayton tornaram-se duas bolinhas de vidro assustadas. Monty Smith abriu a boca e a manteve aberta. O Sr. Calthrop, em uma fração de segundo, perdeu toda a inclinação a cochilar. Miss Wicks parecia definitivamente interessada, embora não parasse de tricotar. Que nada significava, no entanto; ela tinha prometido tricotar em seu funeral.

— Morto? — ofegou o Sr. Calthrop.

— Morto — repetiu Penbury. — Ele está deitado no chão de seu quarto. É uma confusão desagradável.

Monty pulou e, em seguida, sentou-se novamente. — Você... não quer dizer...? — Ele engoliu em seco.

— É exatamente isso que eu quero dizer — respondeu Penbury.

Houve silêncios incontáveis na sala da Sra. Mayton, mas nunca um silêncio como este. Miss Wicks o quebrou:

— A polícia não deveria ser chamada?

— Eles já foram — disse Penbury. — Eu telefonei para a estação pouco antes de entrar na sala.

— Quanto tempo... ou seja... quando você espera...? — gaguejou Monty.

— A polícia? Devo dizer, em dois ou três minutos — respondeu Penbury. Sua voz subitamente perdeu o cinismo e tornou-se prática. — Vamos tentar fazer uso desses dois ou três minutos? Vamos todos ser questionados, e talvez possamos esclarecer um pouco de terreno antes de eles chegarem.

O Sr. Calthrop parecia zangado.

— Mas isso não tem nada a ver com nenhum de nós, senhor! — exclamou ele.

— A polícia não necessariamente aceitará a nossa palavra — respondeu Penbury. — É por isso que proponho que consideremos nossos álibis de antecedência. Eu não sou médico, mas estimo, pela minha breve análise do corpo, que ele não tenha sido morto há mais de uma hora. Como agora são 09:10, e às 07:40 o vimos sair da sala de jantar para o seu quarto...

— Como você sabe que ele foi para o seu quarto? — interrompeu Miss Wicks.

— Porque, tendo uma dor de cabeça, segui-o para ir ao meu buscar algumas aspirinas, e meu quarto fica imediatamente à frente do dele — explicou Penbury. — Agora, se minha hipótese estiver correta, ele foi morto entre 08:10 e 09:10, então qualquer pessoa que possa provar que permaneceu nesta sala durante todo o tempo não deveria ter nenhuma preocupação.

Ele olhou em volta interrogativamente.

— Fomos todos para fora da sala — Miss Wicks anunciou para a empresa.

— Isso é lamentável — murmurou Penbury.

— Mas então você também! — Monty exclamou, com agressão nervosa.

— Sim, eu também — respondeu Penbury. — Então, deixe-me dar meu álibi primeiro. Às 07:40, segui Wainwright até o segundo andar. Antes de entrar em seu quarto, ele fez um comentário estranho que, nas circunstâncias, vale a pena repetir: "Há alguém nesta casa que não gosta muito de mim", disse ele. "Só um?", eu respondi. "Você tem mais sorte do que eu." Então ele entrou em seu quarto, e essa foi a última vez que o vi vivo. Eu entrei no meu quarto. Tomei dois comprimidos de aspirina. Então, como minha cabeça ainda estava ruim, pensei que um passeio seria uma boa ideia, e saí. Fiquei fora até aproximadamente nove horas. Então voltei. A porta que você ouviu fechar, Sra. Mayton, não foi Wainwright saindo. Fui eu entrando.

— Espere um momento! — ejaculou Bella.

— Sim?

— Como você sabia que a Sra. Mayton ouviu a porta da frente? Você não estava aqui!

Penbury considerou-a com interesse e respeito.

— Inteligente — murmurou ele.

— Agora, então, não leve muito tempo pensando em uma resposta! — o Sr. Calthrop olhou fixamente.

— Eu não preciso de tempo algum para pensar em uma resposta — retorquiu Penbury. — Eu sei porque ouvi do lado de fora da porta. Mas, como eu disse, eu voltei. Fui até meu quarto. — Ele fez uma pausa. — No chão, encontrei um lenço. Então fui ao quarto dele para saber se o lenço era dele. Encontrei-o deitado no chão perto de sua cama, de costas, virado para a janela. Foi esfaqueado no coração. Mas nenhum sinal da arma. Parece-me uma ferida pequena, mas profunda. Ele encontrou o ponto certo... A janela estava fechada e trancada. Quem fez isso entrou pela porta. Saí do quarto e tranquei a porta. Eu sabia que ninguém deveria entrar novamente até que o médico da polícia e a polícia chegassem. Desci. O telefone, como vocês sabem, está na sala de jantar. Muito inconveniente. Deveria estar no corredor. Passando pela porta da sala, ouvi tudo o que vocês estavam falando. Depois fui para a sala de jantar e telefonei para a polícia. E então me juntei a vocês.

Corada e emocional, a Sra. Mayton desafiou-o.

— Por que você ficou aqui por três minutos sem nos dizer? — ela exigiu.

— Eu estava observando vocês — respondeu Penbury, friamente.

— Bem, eu chamo esse álibi de podre! — exclamou o Sr. Calthrop. — Quem pode provar onde você estava todo esse tempo?

— Às oito e meia eu tomei um café na barraca da Junkers Street — respondeu Penbury. — É a mais de uma milha de distância. Não é prova, eu admito, mas me conhecem lá, vejam bem, e isso pode ajudar. Bem, quem é o próximo?

— Eu sou — disse Bella. — Saí da sala para assoar o nariz. Fui ao meu quarto buscar um lenço. E aqui está ele! — Ela concluiu, produzindo-o triunfantemente.

— Quanto tempo você ficou fora da sala? — Penbury pressionou.

— Cerca de cinco minutos.

— O tempo para obter um lenço.

— Talvez. Mas eu não só limpei meu nariz, eu passei pó.

— Isso soa bom o suficiente — admitiu Penbury. — Quer prosseguir, Sr. Calthrop? Nós todos sabemos que você anda enquanto dorme. Uma semana atrás você entrou no meu quarto, não entrou? Você perdeu um lenço?

O Sr. Calthrop olhou fixamente.

— Que diabo está insinuando? — exclamou ele.

— O Sr. Calthrop cochilou durante a última hora? — Penbury pressionou.

— Suponha que eu tenha? — ele gritou. — Que lixo! Será que eu sairia desta sala sem saber, para matar Wainwright sem razão alguma? — Ele engoliu em seco e se acalmou. — Saí da sala, senhor, cerca de vinte minutos para pegar o jornal da noite na sala de jantar para fazer as palavras cruzadas! — Ele bateu ferozmente. — Aqui está!

Penbury encolheu os ombros.

— Eu deveria ser a última pessoa a refutar uma afirmação tão enfática — disse ele —, mas deixe-me sugerir que você dê o depoimento à polícia, com ênfase um pouco menor. Sr. Smith?

Monty Smith tinha seguido a conversa com ansiedade e tinha sua história pronta.

— É por isso que saí da sala. De repente, lembrei que tinha esquecido de devolver a chave do Sr. Wainwright. Então encontrei a Sra. Mayton, que me pediu para ajudá-la com a cortina da janela do patamar. Tinha saído de alguns de seus ganchos. Eu fiz isso e depois voltei para a sala com ela. Vocês todos vão se lembrar que voltamos juntos.

— Isso é certo — concordou a Sra. Mayton. — E a razão pela qual eu saí foi para consertar a cortina.

Penbury olhou para Monty rigidamente.

— Que tal essa chave? — perguntou ele.

— Eh? Ah, claro — Monty empurrou. — A cortina tirou isso da minha mente. Eu desci com ela ainda no meu bolso.

— E você não foi até o seu quarto?

— Não! Eu acabei de dizer isso, não disse?

Penbury encolheu os ombros novamente. Ele não parecia satisfeito. Mas ele se voltou agora para Miss Wicks, e a velha senhora perguntou, enquanto movia suas agulhas ocupadas:

— Minha vez?

— Se você for tão gentil — respondeu Penbury. — Apenas como uma questão de forma.

— Sim, eu entendo muito bem — respondeu ela, sorrindo. — Não há necessidade de pedir desculpas. Bem, deixei a sala para buscar algumas agulhas de tricô. As de aço que estou usando agora. Meu quarto, como é claro que você sabe, também é no segundo andar. E depois que peguei as agulhas, eu estava prestes a descer quando ouvi a tosse do Sr. Wainwright...

— A que horas foi isso? — Penbury interrompeu.

— Pouco antes das nove, eu acho que foi — disse Miss Wicks. — Oh, que tosse irritante! Como ela entra nos nervos, não é? Ou devo dizer, como ela entrava nos nervos. Manhã, tarde e noite. E ele não fazia nada a respeito. Suficiente para deixar alguém louco.

Ela fez uma pausa. O clima tenso ficou subitamente mais tenso. — Vá lá — murmurou Penbury.

— Bem — continuou Miss Wicks. — A porta estava aberta, Sr. Penbury, e eu fui perguntar se não poderíamos fazer algo a respeito. Mas você estava fora. E de repente, quando ouvi o Sr. Wainwright tossir de novo no corredor, bem, eu senti que não aguentava mais, e eu estava batendo em sua porta quase antes que eu percebesse. Foi o meu lenço que encontrou em seu quarto, Sr. Penbury. Devo ter deixado cair ali.

Ela fez uma pausa novamente. Novamente Penbury murmurou: — Vá em frente.

Ela se virou para ele com ferocidade súbita.

— Você poderia parar de interromper? — gritou a velha.

Penbury umedeceu os lábios. Por alguns momentos, Miss Wicks tricotou rapidamente, as pontas das agulhas de aço fazendo o único som na sala. Então ela continuou, numa voz estranhamente rígida:

— "Venha", chamou o Sr. Wainwright. "Eu estou chegando", eu liguei de volta. E eu entrei. E lá estava ele, sorrindo para mim. "Você não veio para reclamar da minha tosse novamente, veio?", ele perguntou. "Não", respondi. "Eu vim para curá-la." E eu mergulhei a agulha de tricô de aço em seu coração... assim!

Ela estendeu a mão ossuda e, com força surpreendente, esfaqueou uma almofada.

No instante seguinte, bateram na porta da frente. — A polícia! — ofegou o Sr. Calthrop. Mas ninguém se moveu. Com as orelhas tensas, eles ouviram a empregada subindo do porão, ouviram a porta da frente abrir, ouviram passos entrando...

Um momento depois, eles ouviram a tosse do Sr. Wainwright.

— Sim, e ouvi-o quando ele saiu há dez minutos — sorriu Miss Wicks. — Mas muito obrigada mesmo, Sr. Penbury. Eu estava tão entediada quanto o resto deles"

Entradas relacionadas: