O Esperpento de Valle-Inclán: Estética e Crítica Social

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As Características do Esperpento e o Grotesco

As características do absurdo seriam: o grotesco como meio de expressão e a deformação da realidade, como a caricatura do casal real. Sob o aparente tom de zombaria e caricatura da realidade, reside um significado carregado de intenção satírica social. Utilizam-se recursos e contrastes violentos, com a morte como um personagem fundamental e a bonequização (muñequización). Todos os esperpentos de Valle-Inclán possuem características comuns em termos de temas, estrutura e recursos.

Um elemento importante é a história; Valle estava muito interessado nas Guerras Carlistas, no período elizabetano, nas guerras de Cuba e Marrocos e na Revolução Mexicana. Outros temas recorrentes são os mitos herdados da tradição, como o mito da honra, o mito de Don Juan e o problema social. Valle utiliza elementos de farsa e o boneco; a distorção é obtida através da fusão do humano com o animal, da mistura entre sonho e realidade, e da redução das figuras a máscaras e fantoches, simplificando o comportamento humano a marionetes.

Também digno de nota é o caráter coletivo: os personagens são exagerados e distorcidos por traços físicos e psicológicos, apresentando uma indefinição de perfis causada por um certo caos. Obras Grotescas: Luces de Bohemia (Luzes da Boêmia), publicada em série em 1920 no jornal España. O trabalho está mais ligado ao cinema do que ao teatro (Valle pensava cinematograficamente para a época) devido à plasticidade, ao movimento, aos contrastes de luz e sombra e às idas e vindas dos personagens pelas ruas de Madri.

A obra é composta por quinze cenas e sua estrutura é circular: nas primeiras doze cenas, testemunha-se o percurso do poeta Max Estrella por Madri e sua morte; nas últimas três, observam-se os eventos imediatamente após o seu falecimento. A peça tem lugar em Madri, em vários cenários: a taberna, o café, a rua e a delegacia de polícia. Destacam-se o tema da morte, do suicídio e a temática religiosa. O grande problema abordado é a falta de valores da sociedade espanhola, exemplificada em uma série de ambientes e comportamentos individuais. Neste trabalho, Valle mescla humor e sarcasmo com a dura realidade. As pessoas são críticas sem propósito e sem ilusões sobre o futuro (não há um desejo reformador).


Valle explode contra toda a sociedade. O autor faz troça da boêmia, dos órgãos de administração, dos concursos literários, dos bondes, da comédia e das lições acadêmicas. A Cena XII destaca-se porque define o que é o grotesco. Nesta cena, Valle utiliza os espelhos côncavos do Callejón del Gato em Madri como um recurso para explicar a deformação. O absurdo (que Valle define como "Andrógino") consiste em encontrar o lado engraçado da tragédia da vida. Os homens são vistos como marionetes, o ser humano é animalizado, os objetos ganham vida e a linguagem é distorcida.

Em suma, com este trabalho, enfrentamos uma enorme tragédia tanto no nível coletivo (o status social) quanto individual (a morte do poeta e o suicídio de sua esposa e filha). Embora os personagens vivam um momento trágico, não são capazes de percebê-lo por falta de valores morais. Quanto à linguagem, Valle mistura referências do grego e do latim, mitológicas e literárias, empréstimos de palavras francesas, termos de Madri, hipercultismos, vozes da Galiza, americanismos, neologismos ("Abich") e gírias.

Los cuernos de don Friolera é talvez o esperpento mais bem-sucedido, que esperpentiza o drama de honra calderoniano. Valle oferece três versões paralelas dos mesmos eventos que ocorrem, teorizando sobre o teatro e o grotesco.

Em Las galas del difunto, Valle finaliza o tema do sedutor, onde Juanito Ventolera se torna uma pobre vítima da realidade.

La hija del capitán é um discurso violento contra as insurreições militares tão prevalentes na época (como o golpe militar de Primo de Rivera).

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