Essência, Existência e a Filosofia de Santo Agostinho

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II) O Ato de Ser ou Existência (Esse)

Para cada substância, segundo São Tomás de Aquino, a contingência das substâncias significa que podemos compreendê-las mentalmente para entender seu conceito ou definição, sem que isso implique que continuem a existir realmente. Portanto, em substâncias contingentes, essência e existência distinguem-se realmente.

Se a essência é potencialidade pura ou a possibilidade de ser, o ato de existência atualiza a essência; é o ato pelo qual cada substância existe ou tem de ser (esse).

b) A Contingência do Mundo e o Criador

São Tomás nota a contingência do mundo e a dependência de todas as criaturas em relação ao Criador, Deus. Somente em Deus essência e existência são idênticas, pois a essência de Deus implica a Sua existência; Sua essência é existir. Portanto, Deus é o Ser mesmo (ipsum esse subsistens), sem qualquer mistura de potencialidade, ato puro infinitamente perfeito, de quem todos os seres criados recebem o seu ser.


Santo Agostinho

1. A Vontade Livre e o Pecado Original

  • a) Santo Agostinho questionava a origem e a legitimidade do mal, afastando-se do maniqueísmo de sua juventude, que afirmava a existência de dois princípios (um bom e um mau). Seguindo Plotino, Agostinho entendeu o mal como uma privatio boni, ou seja, uma falta ou realidade imperfeita.
  • b) Tudo o que existe é bom, criado por Deus para o bem (Gênesis), e o mal é consequência de uma falha ou falta de matéria necessária. No caso da maldade humana, é resultado da natureza decaída do homem: o pecado original.
  • c) Santo Agostinho acredita que Deus criou o homem livre (com livre-arbítrio) para que pudesse escolher suas ações e, portanto, ser responsável pelo prêmio ou punição imposta pela justiça divina. Para Agostinho, a vontade de seguir a lei de Deus é a verdadeira liberdade, enquanto fazer o mal é o "servo-arbítrio", uma fraqueza resultante do pecado original.
  • d) Ao contrário do pelagianismo, que defendia que a graça foi dada uma vez por todas à natureza humana, Santo Agostinho sustenta que, após o pecado original, o livre-arbítrio humano não tem chance de salvação por si só. Daí a necessidade da intervenção divina: a liberdade do homem é uma liberdade restaurada, a recapitulação em Cristo através da fé.

2. Teoria da Iluminação

Santo Agostinho convida-nos à experiência interior, pois o caminho que conduz a Deus está dentro de nós. Uma das formas de manifestação disso é a prova da existência de Deus:

  1. Estou consciente de perceber e pensar. Ao pensar, percebo que os critérios pelos quais minha razão se rege — minhas ideias — são necessários e universais, representando padrões comuns a todos.
  2. Reconheço que esta atividade, embora minha, baseia-se em algo que não é produto da mente humana.

3. Conclusão

Daí, vemos que há algo maior do que a mente humana: Deus. Deus é a Verdade. A verdade não está em mim, eu vejo a verdade "em" Deus (Iluminação Divina). Q.E.D. (quod erat demonstrandum: como se queria demonstrar).

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