O Estado: Conceitos, Teorias e Tipos Históricos
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Formação e Componentes do Estado
O Estado é composto por uma série de componentes constituintes. Todos os Estados possuem elementos que o constituem como tal. Estes são:
- Soberania
- Território
- População
- Aparelho Administrativo (ou Governo)
Soberania
A implicação básica da soberania do Estado é que o poder exercido não pode ser questionado e, se necessário, o Estado deve provar que pode manter este privilégio perante os outros atores do sistema, sejam eles internos ou externos ao território.
Território
O Estado controla uma certa porção do espaço terrestre, aéreo, rios interiores e espaço marítimo, bem como as riquezas que se encontram nessa parte estritamente territorial. Nesta porção de terra, o Estado tem autoridade inquestionável sobre toda a população residente.
Governo
O Governo é responsável pela tomada de decisões. Como afirma o constitucionalista argentino Germán Bidart Campos (1927-2004): "o governo representa o Estado e atua em seu nome", ou que "são os homens detentores do poder do Estado que fazem o governo" (Bidart Campos, G., Lições Básicas sobre Política, Buenos Aires, EDIAR, 1987).
Sociedade Civil e Sistema Político
A sociedade civil inclui todos os agentes econômicos e sociais, desde instituições privadas até a própria sociedade civil. No entanto, as instituições estatais (burocracia civil, militar e de segurança) também estão localizadas na sociedade civil. O termo Sistema Político inclui a soma do Estado e seus componentes. Assim, quando falamos de sistema político, não estamos apenas falando sobre o sistema político do Estado, mas também abrange todas as práticas e processos políticos que são realizados pelos atores.
A definição de sistema político fornecida por Portantiero, na ordem de produção do livro, traz clareza ao marco conceitual para o nosso estudo:
"Um conjunto de instituições e processos políticos, governamentais e não governamentais, interpretado por atores sociais constituídos. Seu caráter de sistema deriva da interdependência relativa de seus elementos e da existência de áreas de fronteira que limitam o sistema em relação ao todo. Todo sistema político inclui interações entre governantes e governados dentro de uma cultura política."
Grandes Escolas de Pensamento sobre o Estado
Max Weber (1864-1920)
Ao incluir um estudo sobre o Estado, não podemos deixar de lado o pensador alemão. Weber aborda a análise realista (ao contrário da legal-formal) do Estado moderno através de um estudo de fatores. Os fatores levados em conta para analisar este desenvolvimento são, em particular, a religião (o desenvolvimento do protestantismo) e o avanço do comércio, primeiro como fonte de riqueza e, posteriormente, do capitalismo. Weber define o capitalismo como "um fenômeno moderno", considerando:
"Em última análise, o fator que produziu o capitalismo é a empresa permanente racional, a tecnologia racional e a contabilidade racional."
Weber entende a política como confrontos entre diferentes grupos. As relações entre as pessoas são, em última análise, relações de poder. A questão é: por que existem homens que estão em uma posição de dominação e por que a maioria das pessoas aceita essa dominação como "legítima"? Weber tenta responder a esta pergunta através da construção de tipos ideais.
O tipo ideal é uma ferramenta conceitual utilizada pelo pesquisador. Para construir tipos ideais, o pesquisador se move do tipo ideal para a realidade e, em seguida, retorna ao modelo teórico para confirmar suas suposições ou refutá-las. Com este método é possível alcançar uma compreensão mais profunda.
Os Tipos Ideais de Dominação Legítima
Os tipos ideais de formas legítimas de dominação são três. Cada um corresponde a uma forma particular de legitimação:
- Dominação Tradicional: Baseia-se "na crença na santidade das ordens nobres e dos poderes estabelecidos". O conhecimento pessoal desempenha um papel importante.
- Dominação Carismática: A natureza da dominação é dada pelos "dons" extraordinários do líder. Esta autoridade baseia-se na crença nas virtudes sobrenaturais de líderes, sejam eles profetas, heróis, etc.
- Dominação Legal-Racional: Para Weber, este é o tipo ideal que corresponde ao Estado moderno. Baseia-se na lei, que é impessoal (não depende da pessoa que a exerce) e racional (surge de um processo lógico).
Nas sociedades capitalistas complexas, caracterizadas por serem "sociedades de massa", o domínio crescente será a burocratização. O Estado moderno administra, gere e controla através da burocracia. Esta consiste em pessoal qualificado que recebe um salário com base no registro como ferramenta para gerenciar e está organizada de forma racional e hierárquica. Todo este edifício institucional é realizado através da extração de recursos da sociedade.
Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895)
A obra de Karl Marx e Friedrich Engels é considerada uma das mais influentes. Sua crítica ao liberalismo e ao Estado burguês ainda é tema de palestras e discussões, podendo ser avaliada, assim como Max Weber e Antonio Gramsci, como uma das grandes contribuições à teoria política.
A concepção de Marx e Engels sobre o Estado, desenvolvida em meados do século XIX (como em O Manifesto Comunista), pode ser resumida nos seguintes pontos:
- O Estado é um instrumento da burguesia para a exploração do proletariado. Neste sentido, é um Estado de classe.
- A política burguesa é ineficaz para a emancipação do proletariado, pois esconde as verdadeiras condições de exploração. Portanto, qualquer envolvimento na política burguesa é limitado.
- A mudança social só virá a partir da organização autogerida do proletariado como sujeito histórico, que levará a outras formações sociais e econômicas, tomando o Estado através da força, para prosseguir depois com a sua extinção.
Marx argumentou que havia duas esferas: a esfera da produção (abrangendo as atividades econômicas e a sociedade civil ou trabalho) e a esfera da superestrutura (cobrindo a sociedade política ou Estado). Esta última é responsável por garantir a sustentabilidade do regime capitalista. Neste domínio, segundo Marx, nunca se resolverão as injustiças pelas quais o proletariado é explorado pela burguesia.
Outras Perspectivas Marxistas e Antiliberais
Eduard Bernstein
Devido à crise do capitalismo e à abertura cada vez maior para a classe trabalhadora, especialmente na Alemanha, Bernstein achava que o Estado havia se tornado um sistema complexo e, portanto, propôs o revisionismo. Ele propôs uma reformulação da tática marxista, chegando à conclusão de que o mais conveniente para a classe operária seria chegar ao poder através do voto.
Vladimir Lenin
Devido à crise do marxismo, esta corrente foi dividida em três: Revisionismo (Bernstein), Ortodoxos Atuais (Kautsky) e a Geração de 1905 (Lenin, Otto Bauer, etc.). De acordo com Lenin, não havia complexidade no Estado, e este era considerado um aparato repressivo. Sua ideologia baseava-se na remoção de bancos e consórcios do capitalismo, uma vez que aqueles que trabalhavam lá eram proletários ou semiproletários.
Fascismo
Seu fundador foi Benito Mussolini em 1919. O Fascismo opôs-se ao liberalismo e ao Estado burguês e baseou/legitimou sua política expansionista recorrendo a tradições reais ou fictícias. Baseia-se em um sistema autoritário de dominação que exige a existência de um único partido. É importante esclarecer que essas ideologias contrárias ao liberalismo estiveram presentes nos períodos entre guerras (exemplos: Franco na Espanha, Nazismo na Alemanha).
Tipos de Estado
Estado Absolutista
Podemos localizar este tipo de Estado na Europa entre os séculos XVI e XVIII. O termo absolutismo, cunhado no século XIX, refere-se ao uso e designação que os monarcas faziam do poder. O Estado absolutista não é necessariamente arbitrário, pois a existência de limites e regulamentos são inerentes à sua operação.
Como afirma Pierangelo Schiera, referindo-se ao absolutismo: "é então o sistema constitucional político (no sentido de que a sua operação está, no entanto, sujeita a restrições e regras predefinidas), não arbitrário (pois a vontade do monarca não é ilimitada) e, acima de tudo, muito secular, profano."
O Estado absolutista é a consolidação do poder sob a tutela do monarca em relação aos "reinos" que proliferaram na Europa durante os séculos anteriores. As características possuídas pelo Estado absolutista foram a concentração de poder em relação aos reinos inferiores e sua consequente centralização. Isto é evidenciado através da capacidade de manifestar o poder de forma unificada.
É com os Estados absolutistas que as questões de governo e da administração começam a ser feitas em termos de racionalidade e eficiência.
Estado Liberal
O liberalismo como corpus ideológico reconhece algumas influências importantes. O primeiro destaque neste trabalho será John Locke (1632 - 1704), que escreveu o Segundo Tratado sobre o Governo. A outra influência importante foi Adam Smith (1723 - 1790), que com o seu livro Inquérito sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações (1776), se tornou a base teórica do liberalismo econômico.
Pressupostos Básicos do Liberalismo
Há uma série de pressupostos básicos que caracterizam o liberalismo:
- Defesa e afirmação do indivíduo em oposição a uma sociedade hierárquica.
- Defesa da liberdade em todas as esferas (econômica, política, religiosa, cultural, etc.).
- Defesa da propriedade privada como fundamento do desenvolvimento econômico.
- Divisão de poderes, garantindo assim uma distribuição de poder.
- Importância da lei e do constitucionalismo como um meio para evitar o arbítrio. A lei não é um produto do divino (transcendental), mas é o produto do debate e consenso entre os cidadãos.
- Fundamento ideológico da racionalidade individual e da autonomia.
- A ideia de construir o poder político através de um "contrato" social.
Nicola Matteucci afirma que "o liberalismo é o filho do Estado moderno, ou mais amplamente, nasceu como um resultado ou em resposta à nova forma de organização do poder que se estabelece na Europa desde o século XVI". Esta dinâmica social está tomando forma ao longo de um processo histórico que podemos situar entre os séculos XVI e XVIII.
Tipos de Estado Contemporâneos
- Estado Liberal: Surgiu na Europa entre os séculos XVII e XVIII. Seus conceitos a serem observados são: a defesa do indivíduo, propriedade, direitos, separação de poderes, a existência de uma lei que emerge da discussão entre as pessoas. A economia tem que seguir um caminho natural e deve garantir a divisão dos recursos entre as pessoas. O Estado assume o papel de Estado Mínimo, devendo garantir apenas a segurança, paz, harmonia e defesa.
- Estado-Providência (ou Estado de Bem-Estar Social): Surge após a crise de Wall Street em 1929 e baseia-se no intervencionismo estatal na economia e na sociedade. Sua arma essencial é o meio de controle e se baseia em gerar uma certa homogeneidade na sociedade através de um elevado nível de postos de trabalho prestados.
- Estado Neoliberal: Surge após a crise do petróleo em 1973 e, posteriormente, em 1979. Seus expoentes mais importantes são Ronald Reagan e Margaret Thatcher. Seus princípios mais importantes são: o mercado é responsável por guiar a economia, abertura de mercados, privatização, fim do controle financeiro e econômico por parte do Estado, diminuição dos gastos do governo e a lei da flexibilidade laboral.
Conhecimento e Raciocínio
Raciocínio Dedutivo e Indutivo
Podemos dizer que o raciocínio dedutivo parte do geral para chegar ao particular; a conclusão está sempre contida nas premissas, e as conclusões obtidas correspondem à lógica. No entanto, o raciocínio indutivo parte do que é específico para chegar à conclusão geral, podendo utilizar apenas a probabilidade resultante das premissas, e as conclusões são baseadas em estatísticas. As questões de raciocínio no futuro podem contradizer o indutivo.
Critérios para Classificar o Conhecimento
Os quatro critérios para classificar o conhecimento, de acordo com Ruben Pardo, são: o objeto de estudo, a classe de declarações, os métodos e o tipo de verdade.
No caso do turismo, o objeto de estudo pode ser a atividade social, de lazer, ou várias modalidades (ex: "turismo de montanha", "sol e praia", "atividade turística benéfica para todos os envolvidos", "turismo sustentável"). Os métodos podem ser aplicados para a análise, observação e dedução. O tipo de verdade seria dado pelas premissas como a sustentabilidade no turismo, férias, saúde e assim por diante.
Hipótese Indutiva
"Após o progresso da Influenza A, não seria permitida a viagem de formatura." Embora esta hipótese possa ser verdadeira (de acordo com a declaração na mídia), realmente não se sabe qual será o alcance da medida (se inclui todas as províncias, ou apenas algumas). Desta forma, vemos nesta hipótese um alto grau de limitação.
Tipos de Conhecimento
1. Conhecimento Vulgar
Conhecimento comum do dia a dia, também conhecido como empírico ou espontâneo. É basicamente obtido pela prática que o ser humano realiza todos os dias, o que tem permitido à humanidade construir experiências valiosas e variadas ao longo de sua história.
- Tem lugar em experiências cotidianas.
- É e tem sido uma resposta a necessidades básicas.
- Oferece resultados práticos e úteis.
- É transmitido de geração em geração.
2. Conhecimento Científico
Conhecimento científico é obtido através de uma busca deliberada para a qual foram delineados os objetivos e os meios de investigação previstos, com base na verificação da realidade. Ele vai além do empírico, transcendendo o fenômeno para conhecer as causas e as leis que o regem.