Estatuto de Autonomia Basco: História e Evolução

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O que é um Estatuto de Autonomia?

Um Estatuto de Autonomia é um corpo de leis derivadas da Constituição que regem um determinado território. Neste sentido, são concedidos pelo Estado e definem as "competências" aplicadas a todo o território.

Estatuto Basco: Origens, 1876 e o Acordo Económico

A história do Estatuto de Autonomia do País Basco remonta à abolição legal de 1876. Como é sabido, após a Terceira Guerra Carlista, Cánovas del Castillo decidiu privar as províncias bascas do seu peculiar regime legal, uma decisão que já vinha sendo discutida na monarquia muitos anos antes. A pedido dos liberais provinciais, foi adotado o Acordo Económico, que continha a substância dos poderes económicos.

O Nacionalismo Basco e Sabino Arana

Após essa abolição, que coincidiu com o renascimento da industrialização, surgiram dois movimentos sociopolíticos baseados na capital Bilbao:

  • Os "caipiras": cujo objetivo era recuperar todos os privilégios.
  • O "tradicionalismo": focado em manter a cultura basca, que, em sua opinião, estava ameaçada pelo afluxo massivo de imigrantes em busca de trabalho.

Ambos seriam o pano de fundo do "Nacionalismo Sabiniano". Don Sabino Arana, mais influenciado por seu irmão Luis do que por sua própria iniciativa, concluiu que, se Biscaia quisesse recuperar seu passado, não haveria outra maneira senão ser independente da Espanha. Ele expôs seus pensamentos na brochura "Bizkaia pela Independência" e no discurso de simultaneidade muito baixo, "Larrazabal". A partir deste momento, seriam criadas instituições que levantariam o edifício nacional. Dois marcos marcaram sua evolução: a extensão de seu pensamento a todos os territórios que ele inventou como o "Velho País" (Euskadi) e a chamada "viragem autonomista" no final de sua vida. Este último ponto é a chave para o futuro do nacionalismo.

Primeiras Tentativas de Autonomia (1917-1931)

Precisamente, com base na tendência derivada de Sabino Arana, ocorreriam etapas sucessivas na busca por um Estatuto de Autonomia. As primeiras tentativas foram em 1917, mas não avançaram com a eclosão da Primeira Guerra Mundial.

A proclamação da República em 1931 agitou os sentimentos da autonomia basca. De fato, imediatamente, os catalães aprovariam seus estatutos. Um problema, porém, surgiu com o basco, causado pela não assinatura (em 1930) do Pacto de San Sebastián. Portanto, as dificuldades foram maiores. No entanto, foi elaborado um primeiro projeto.

O Projeto Estella (1931)

O projeto realizado em 1931 é conhecido como "Projeto Estella". Foi promovido pelo Partido Nacionalista Basco e pelos carlistas. Seu escopo abrangia Álava, Biscaia, Guipúzcoa e Navarra. Dado que ambas as partes, com controlo...

O Estatuto de Autonomia Basco e a Guerra Civil

A grande maioria destes territórios é, sem surpresa, que foi aprovado pelos prefeitos reunidos em Estella. No entanto, este estatuto seria rejeitado pelo Parlamento Espanhol, especialmente pela capacidade que ele conferia para assinar "convênios com potências estrangeiras", sendo considerado inconstitucional.

O Projeto "Gerentes" de 1932

O segundo projeto, chamado de "Gerentes", surgiu em 1932, logo após a vitória da coalizão republicana-socialista nas eleições. Os Conselhos foram substituídos por "conselhos de administração", controlados pela esquerda. Estes conselhos, com forte inclinação nacionalista, seriam os promotores deste Estatuto. O escopo foi reduzido a Álava, Biscaia e Guipúzcoa, tendo em mente que o carlismo estava em declínio. Contudo, não avançou, pois nas eleições gerais de 1933, a coalizão de centro-direita venceu e, em breve, atrasou tudo o que se referia aos Estatutos. Assim, o status quo permaneceu até 1936.

A Guerra Civil Espanhola e as Províncias Bascas

As eleições gerais de 1936 deram a vitória à Frente Popular (uma ampla coalizão de partidos de esquerda). Como é bem conhecido, pouco depois deste evento, ocorreu o golpe de Estado liderado pelos generais Sanjurjo, Mola e Franco. A falha inicial em não conseguir tomar Madrid levou à eclosão da Guerra Civil, que continuaria até 1939.

Diante deste fato, o comportamento das províncias bascas foi distinto:

  • Álava (e Navarra) aderiram entusiasticamente à "revolta" devido à forte influência carlista.
  • Guipúzcoa e Biscaia (onde o peso da esquerda e, sobretudo, do nacionalismo era maior) permaneceram leais ao governo da Frente Popular.

Guipúzcoa caiu nas mãos "nacionais" muito rapidamente, devido ao avanço das tropas de Mola e sua ânsia de fechar a fronteira franco-espanhola. Assim, apenas a maior parte do território de Biscaia e uma pequena faixa de Guipúzcoa permaneceram em mãos republicanas, que, juntamente com a Cantábria e as Astúrias, configuraram o "Saco do Norte". Este espaço seria o alvo preferencial de Franco após o atentado falhado em Madrid, caindo em suas mãos em 1937.

O Estatuto de Autonomia de Euskadi (1936-1937)

Neste período, desde o início da Guerra Civil (julho de 1936) e o fim do "Saco do Norte" (agosto de 1937), foi aprovado o Estatuto de Autonomia de Euskadi. Foi promovido pela esquerda (que governava em Madrid) e pelo Nacionalismo Basco (maioritário em Euskadi). O Estatuto (aprovado em plena guerra e com Álava e Guipúzcoa já nas mãos de Franco) foi redigido por Indalecio Prieto, qualificado em Madrid, e os problemas foram tratados por procedimento de emergência. Uma vez aprovado, teve aplicação em apenas uma parte do território e durou nove meses. O primeiro lehendakari foi José Antonio Aguirre, escolhido entre os prefeitos que puderam comparecer à votação correspondente.

Como indicado, teve uma vida curta sob o controlo do Governo Basco. Franco o aboliria, mantendo para Álava o Acordo Económico. Esta situação continuaria durante o regime de Franco.

A Era Pós-Franco: Constituição de 1978 e Plano Ibarretxe

Somente com a aprovação da Constituição de 1978 e a organização territorial regional que ela projetou, foi possível aprovar um novo Estatuto (1979). Este estatuto está atualmente em vigor, embora tenham sido tomadas medidas para a sua renovação. A mais importante dessas medidas é o "Plano Ibarretxe", que, embora aprovado pelo Parlamento Basco, foi julgado inconstitucional pelo Parlamento Espanhol.

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