Estilo e Linguagem em A Casa de Bernarda Alba: Realidade e Poesia
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Estilo em A Casa de Bernarda Alba: Realidade e Poesia
O estilo da obra é explicado pela combinação de dois elementos fundamentais: realidade e poesia. Lorca integra sua linguagem poética no discurso dos personagens, misturando-a com a linguagem coloquial, de forma que pareça real e espontânea. Na peça, a poesia de Lorca se mistura com expressões coloquiais, andaluzas, insultos, entre outros.
A) Linguagem Coloquial e Popular
- Insultos, xingamentos e ameaças: Exemplos como 'unha dor ruim', 'malditos olhos!', 'Chiton!' e 'Vamos ver!'.
- Gírias e expressões populares: Postas na boca de Poncia, refletindo seu baixo status social: 'são mais de duas horas de Gori, gori'...
- Expressões andaluzas: Como 'não ser como as crianças pequenas'.
- Exemplos da fala rural e camponesa: Uso do substantivo 'mãe' sem o artigo.
- Uso de provérbios e expressões idiomáticas populares: 'Sua mãe é tão forte como um carvalho'.
- Invenção ou adaptação de palavras pelo autor: 'Mais vale uma onça preta na arca do que olhos na cara...'.
- Formas de tratamento: O uso de 'seu' (pelas criadas ao se dirigirem a Bernarda) e 'você' (usado pelas filhas).
- Insinuações, alusões e frases com duplo sentido: Os personagens se acusam mutuamente ou acusam terceiros com sugestões ambíguas. Estas insinuações servem para acusar Adela e Martírio mutuamente, na presença da mãe ou das irmãs.
B) Linguagem Poética e Figuras Literárias
No discurso dos personagens, as características da linguagem coloquial, gírias e provérbios populares convivem com excelentes figuras literárias. Entre as figuras literárias proeminentes, destacam-se:
- Comparações: Exemplo: 'têm cinco dedos, como manuais'.
- Imagens e metáforas: A casa é identificada como um convento de virgens ou um presídio, simbolizando o confinamento, o sofrimento e a guerra contra a violência, o ódio e as brigas entre as mulheres.
- Hipérbole: Por vezes combinada com a metáfora (Exemplos: 'fogo saiu da terra', 'colhem das chamas', 'com a força do meu dedo mindinho').
- Paralelismo semântico: Repetição da mesma ideia em vários lugares diferentes:
- Paralelismos sobre a maldade de Martírio e sua função dramática de impedir o relacionamento entre Pepe el Romano e Adela.
- Paralelismo na expressão da força e da paixão de Adela.
Símbolos Fundamentais na Obra
Outros elementos poéticos fundamentais utilizados na peça são os símbolos. Nesta obra, um único símbolo pode se referir a vários conceitos. Por exemplo, a lua está associada à fertilidade, morte, erotismo e beleza, dependendo do contexto. Outros símbolos importantes incluem:
- Flores (flores vermelhas, flores no cabelo) e o leque verde.
- A água.
- As ovelhas.
O Valor Simbólico das Cores: Preto e Branco
O contraste entre o preto e o branco é crucial:
- Branco: As paredes são brancas (mas desbotam à medida que o drama avança), as roupas de costura e bordado são brancas, as rendas para o casamento são brancas, o garanhão é branco, o cabelo de Maria Josefa é branco, e a ovelha é branca. O branco simboliza a vida, alegria, amor e liberdade.
- Preto: Os sabres e os leques são negros. O preto acentua a tristeza, ódio, repressão e morte.
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