Estratégias de Manejo Integrado de Pragas (MIP)

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Controle Cultural

O controle cultural consiste em práticas que reduzem altas populações de pragas por meio da manipulação do ambiente de cultivo, visando desfavorecer o desenvolvimento de insetos-praga. Inclui ações como adubação, fertirrigação e manejo do solo.

Estratégias de Manipulação do Ambiente de Cultivo

  • Redução da capacidade de suporte do ecossistema: Medidas sanitárias como a eliminação e destruição de restos culturais, uso de sementes sadias, poda periódica de algumas espécies, limpeza de unidades armazenadoras, irrigação e manejo da água, além do preparo do solo com aração (para o enterrio de pragas).
  • Ruptura das condições de desenvolvimento da praga: Ajuste do espaçamento de plantas (dependendo da praga), consorciamento no plantio e rotação de culturas.
  • Dispersão da praga para fora da área de cultivo: Uso de plantas-isca, plantio antecipado da mesma cultura e utilização de variedades suscetíveis que sejam mais atrativas para o inseto-praga.
  • Redução do impacto da injúria: Adubação equilibrada.

Método Mecânico

Envolve o uso de barreiras ou a destruição direta dos insetos, como a apanha ou catação. São aplicados em casos específicos, incluindo a coleta manual de ovos, larvas ou ninfas, a técnica da batida e o uso de barreiras que impedem ou dificultam o acesso do inseto à planta.

Métodos Físicos de Controle

Utilização de fenômenos físicos como temperatura, umidade e radiações.

Métodos Genéticos

Redução da população através da diminuição do potencial reprodutivo. Insetos-praga são geneticamente modificados contra membros da sua própria espécie. Exemplo: Técnica do Inseto Estéril, que consiste na liberação de machos e fêmeas esterilizados para acasalarem com a população selvagem, gerando descendentes inférteis.

Método Legislativo

Limitação da dispersão de insetos e tratamento de infestações localizadas, baseando-se em leis e portarias federais ou estaduais.

  • Serviços Quarentenários: Serviço de defesa sanitária do Ministério da Agricultura, com inspeção em portos, aeroportos, fronteiras, exportações e importações.
  • Classificação: A1 (praga não presente) e A2 (praga presente, mas não disseminada).
  • Medidas Obrigatórias: Destruição de restos culturais para o bicudo e coleta/queima de galhos para o besouro-serrador.

Controle Comportamental

Uso de procedimentos que modifiquem o comportamento do inseto, reduzindo sua população e danos.

  • Hormônios: Endócrinos (atuam no desenvolvimento e metamorfose), com baixa probabilidade de seleção de resistência.
  • Feromônios: Substâncias químicas usadas na comunicação intraespecífica. Incluem infoquímicos de ação interespecífica (aleloquímicos), como alomônios (emissor) e cairomônios (receptor). Tipos: alarme, trilha, oviposição, agregação, dispersão e sexual.
  • Coleta Massal: Captura de insetos via armadilhas, apropriado com feromônios de agregação.
  • Confundimento: Uso de feromônios no momento crítico de crescimento populacional para impedir que o inseto encontre a trilha natural.
  • Outros: Atraentes de alimentação e oviposição, Tubo Mata-Bicudo, plantas-isca e repelentes (substâncias voláteis como o pinho).

Principais Pragas e Métodos Específicos

  • Broca-gigante (Telchin licus): Causa danos no colmo da cana e o sintoma de "coração morto".
  • Broca-do-colmo (Diatraea saccharalis): Controle biológico com liberação de Cotesia a cada 40 metros e Trichogramma a cada 20 metros.
  • Nematoides (Pratylenchus zeae).
  • Cupins: Uso de 30 iscas/ha e eliminação de ninhos.
  • Bicudo-da-cana (Sphenophorus levis): Causa morte da cana; controle via destruição de soqueiras com aração e uso de Beauveria.
  • Cigarrinha-da-raiz (Mahanarva fimbriolata): Controle com Metarhizium e variedades resistentes.
  • Formigas-cortadeiras (Saúva).
  • Curuquerê-dos-capinzais (Mocis latipes): Alimenta-se de folhas, deixando apenas a nervura central (fase de lagarta).
  • Pseudaletia sequax.
  • Pulgão-do-milho (Rhopalosiphum maidis): Coloração verde-azulada, vetor do vírus do mosaico comum; causa enrugamento de folhas, atrofia de brotos e fumagina.
  • Pulgão-da-cana (Melanaphis sacchari): Coloração verde-amarelada, vetor do vírus amarelo.
  • Cochonilha-rosada (Saccharicoccus sacchari): Segmentos visíveis no abdômen, coloração rosada.
  • Percevejo-castanho: Provoca manchas escuras nas raízes, mudança de cor e redução de estande.

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