Estratégias de Urbanismo e Conforto Térmico por Clima

Classificado em Geografia

Escrito em em português com um tamanho de 5,28 KB

Clima Quente e Seco

  • Características principais: Duas estações definidas (uma seca e outra de chuva); amplitude térmica alta durante o dia (≈15°C); umidade relativa muito baixa; ventos com relativa importância, frequentemente carregados de poeira e areia; nebulosidade muito baixa; radiação direta o dia todo e vegetação escassa.
  • Estratégias construtivas: Construções com materiais pesados. Com amplitudes elevadas, a inércia térmica amortece as variações interiores. À noite, grande parte do calor armazenado nas paredes durante o dia é “puxado” para fora. A perda de calor do corpo é feita por evaporação e muito facilitada pela baixa umidade relativa.
  • Aberturas e Pisos: Utilização de pequenas aberturas. As temperaturas exteriores ou são muito quentes à tarde, ou bastante frias à noite; muitas vezes abrem-se à noite para “aproveitar” o frio. Pisos sobre o solo aproveitam a inércia térmica do solo.
  • Critérios para a escolha do sítio:
    • Na região com inverno: A localização deve proteger-se contra o vento nas épocas ou horas frias, contra o sol no período quente e captar o sol no período frio.
    • Nas regiões sem inverno: Deve-se aproveitar as depressões para beneficiar-se dos fluxos de ar frio, mas evitar as depressões do tipo fundo de vale, pois a ventilação é necessária para evitar a concentração de poluentes que aumentam a temperatura urbana. Os ventos nestas regiões carregam pó em suspensão e são quentes, não favorecendo o resfriamento das superfícies construídas.
  • Morfologia do Tecido Urbano:
    • Forma: Sem inverno, deve ser densa, sombreada e compacta, oferecendo a menor superfície possível à radiação solar (aberturas pequenas). Com inverno, deve ser densa, mas oferecer superfícies para exposição ao sol nos períodos frios.
    • Ruas: Estreitas e curtas, com mudanças de direção para diminuir o vento. Sombrear um lado favorece o deslocamento dos pedestres.
    • Lotes: Devem ser estreitos e longos, com edificações contíguas. A ventilação é provocada internamente.
    • Espaços Públicos: Pequenas dimensões, com presença de água e sombreados por edifícios altos e dispositivos (marquises, beirais, etc.). Nos pátios, a umidade deve ser obtida pela água e vegetação resguardada pela sombra. A morfologia urbana pode seguir o princípio do pátio interno, aproveitando o efeito refrescante da vegetação.
  • Exemplo de clima quente e seco: Bom Jesus (PI).

Clima Tropical de Altitude

  • Características principais: Duas estações (tropical úmido/chuvas e tropical seco). No período da seca, há luta contra o calor excessivo diurno e necessidade de proteção contra o frio noturno. O desconforto pelas temperaturas elevadas diminui à noite, podendo baixar além dos limites de conforto. As condições de conforto para o dia e para a noite não são as mesmas.
  • Critérios para a escolha do sítio: As necessidades de localização não são tão restritas. Devem ser considerados o ganho de calor nas estações frias e a proteção da radiação solar no verão. O clima mais ameno permite grande liberdade formal; construções e meio natural tendem a se fundir, proporcionando arranjos urbanos mais livres.
  • Morfologia do Tecido Urbano:
    • Espaços Públicos: Razoavelmente abertos e densamente arborizados. Em parques e jardins, devem ser criados anteparos (árvores) contra o vento carregado de pó.
    • Forma: O traçado deve proteger contra a radiação diurna e atenuar perdas noturnas. Um traçado muito compacto pode eliminar a ventilação (o ar "salta" o espaço construído). Exemplo: orlas marítimas com prédios que barram as brisas marinhas. O ideal é a criação do efeito “pátio” para aumentar a umidade interna.
    • Ruas: Arborizadas e orientadas para manter uma face sombreada. Dimensões médias para acelerar o resfriamento e aumentar perdas de calor. Devem canalizar ventos dominantes para brisas no verão, mas a vegetação deve bloquear o vento frio no inverno.
    • Lotes: Tamanho e forma não exigem princípios rigorosos, desde que permitam ventilação adequada e impeçam radiação excessiva.
  • Exemplo deste clima: São Paulo (SP).

Objetivos do Clima Urbano para Conforto e Saúde

Visando melhorar o conforto térmico, a saúde e reduzir a poluição do ar, os objetivos incluem:

  • Melhoria da ventilação sem destruir as condições de conforto térmico;
  • Estabelecimento de critérios de densidade para o desenvolvimento das edificações;
  • Melhoria dos níveis de padrões de qualidade do ar;
  • Estudo da influência da estrutura vertical para o acesso à ventilação;
  • Revitalização das ruas para pedestres com foco no conforto térmico;
  • Estabelecimento de pequenos parques e áreas verdes;
  • Planejamento estratégico de como distribuir as áreas verdes nas cidades.

Entradas relacionadas: