Estratificação Social: Teorias, Sistemas e Estruturas

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1. Estrutura da Estratificação Social

A estratificação social é dividida em duas perspectivas principais:

A teoria do conflito: Esta teoria defende que a estrutura social é mantida pelo progresso resultante de um conflito perpétuo.

Características: Este conflito na estrutura social é inevitável. Referimo-nos a ele em seu sentido mais amplo, no nível de classe social, ou seja, como este conflito é o motor da história. É impossível que as facções cheguem a um acordo que beneficie a todos, porque, em qualquer conflito, alguns ganham e outros perdem. Esta teoria baseia-se no marxismo, tendo Karl Marx como seu principal representante.

Teoria do consenso: Para os teóricos do consenso, a palavra-chave é o equilíbrio. As sociedades são mantidas em equilíbrio porque funcionam como um sistema onde as partes não estão separadas; cada parte coopera com as outras.

Características: Nas sociedades, indivíduos e grupos ocupam posições diferentes. É importante que cada grupo e indivíduo trabalhe com o restante para que todos possam ganhar. O consenso é alcançado através do bem comum, embora transições possam causar algum conflito na sociedade até que se retome o equilíbrio e o acordo. Esta teoria baseia-se no funcionalismo, tendo Talcott Parsons como seu representante.

2. Sistemas de Estratificação Social

Trata-se do conjunto de desigualdades estruturais entre indivíduos de grupos diferentes; ou seja, ocorre nas desigualdades sociais. Estes grupos diferem no papel (papel que cada um exerce), status e privilégios.

  • Escravidão: Forma extrema de desigualdade, em que alguns indivíduos são literalmente donos de outros. Há influência de valores morais e fatores econômicos.
  • Casta: Existem dois tipos:
    • Religiosos: Comuns na Índia, é um sistema religioso e social que acredita na reencarnação. Existem quatro grupos, cada um com uma série de obrigações, deveres e direitos. Aqueles que estão abaixo servem aos outros, realizam limpezas e não se casam com outros; se cumprirem bem seu trabalho, quando morrerem, reencarnam em uma casta superior.
    • Não religiosos: Utilizado quando dois ou mais grupos étnicos estão profundamente alienados uns dos outros, com ideias predominantes de pureza racial.
  • Estamentos: Encontrados no feudalismo (nobreza, clero e plebeus). O sistema de estamentos movia-se por um sistema de obrigações onde os camponeses serviam ao senhor. Era um sistema jurídico onde havia poucas leis, a mobilidade era individual e as alterações ocorriam por méritos, casamento, etc.
  • Classe social: Um grande conjunto de pessoas que compartilham recursos econômicos, os quais têm grande influência sobre o seu estilo de vida.
    • Características: O status social da classe não é fixo, mas adquirido; a mobilidade é comum; existem diferenças econômicas e baseia-se em conexões impessoais.
    • Tipos: Alta (os ricos), Média (trabalhadores que possuem alguma riqueza e capacidade de poupança) e Baixa (trabalhadores menos educados, que não possuem riqueza acumulada e vivem do que ganham).

3. Teorias de Estratificação

Teoria de Karl Marx: Marx discutiu amplamente as classes sociais, embora não tenha deixado uma definição única e precisa. Ele focou em dois aspectos:

  • A natureza da classe: Para Marx, a classe é um grupo de pessoas que têm uma relação comum com os meios de produção, divididos entre os que possuem o capital e aqueles que possuem a força de trabalho (proletariado/classe trabalhadora). O conceito de mais-valia ajuda a entender essa relação, pois os capitalistas exploram o proletariado e retêm o excedente sem compartilhá-lo.
  • Complexidade: Dentro de uma classe há divisões com interesses próprios. Grupos étnicos também podem ser tratados de formas distintas. O pensamento de Marx foca na economia e no acesso a privilégios como modelo de estratificação.

Teoria de Max Weber: Parte da análise de Marx, desenvolvendo seus pensamentos para torná-los mais complexos. Adiciona dois fatores econômicos: as qualificações e as credenciais. Uma pessoa com esses fatores viverá melhor; segundo Weber, quem possui mais experiência e estudos estará em melhor posição. Além disso, acrescenta o status (prestígio social) e o partido (grupo de indivíduos que trabalham juntos por origens e interesses comuns).

Teoria de Wright: Traz a ideia de situações contraditórias de classe. Dentro de cada classe, há indivíduos em situações ambíguas, como os trabalhadores de colarinho branco, que não são considerados trabalhadores manuais por estarem acima dos trabalhadores de colarinho azul.

Teoria de Parkin: Sua ideia é o "fechamento social", processos pelos quais grupos tentam manter controle exclusivo sobre recursos, limitando o acesso a eles. Exemplos incluem a exclusão (como sindicatos que barram minorias) e a usurpação (esforços dos grupos excluídos para obter recursos dos grupos dominantes).

4. Riqueza e Renda

Riqueza: Ativos detidos por indivíduos que podem ser vendidos. Renda: Salários ou vencimentos de um trabalho remunerado ou gerados por investimentos. Nos últimos anos, com o advento do Estado de Bem-Estar Social, a riqueza nas sociedades ocidentais aumentou, beneficiando também as classes mais baixas.

5. Gênero e Estratificação

Tradicionalmente, na sociedade ocidental, as mulheres tiveram um status inferior ao dos homens no lar, trabalho e educação. Atualmente, existem três tipos de classificação familiar:

  1. Classe social baseada no chefe da família (modelo tradicional).
  2. Cada indivíduo na família possui sua própria classe social.
  3. Classe média definida pela atuação conjunta de cada membro.

Atualmente, o modelo mais utilizado ainda é o que define a classe social da família através da figura do chefe da família.

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