Estreptococos: Classificação, Patogenia e Infecções

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Características Gerais dos Estreptococos

Os estreptococos dividem-se em plano único e quase não se separam, resultando em cadeias ou pares de células.

  • Apresentam-se em cadeias quando cultivados em meio líquido.

Possuem metabolismo fermentativo (anaeróbio), embora a maioria das espécies seja tolerante ao oxigênio e cresça na presença de ar. Podem ser classificados de acordo com:

  • O padrão hemolítico em ágar sangue;
  • As características antigênicas de componentes da parede celular;
  • As reações bioquímicas.

Classificação por Características Hemolíticas

  • Beta-hemolíticos: fazem hemólise total (S. pyogenes; S. agalactiae).
  • Alfa-hemolíticos: fazem hemólise parcial (S. pneumoniae).
  • Gama-hemolíticos: não fazem hemólise (S. viridans).

Características Antigênicas: Grupos de Lancefield

São designados por letras (A, B, C, etc.) de acordo com o tipo de carboidrato C presente na parede bacteriana.

Streptococcus β-hemolítico do Grupo A (Streptococcus pyogenes)

  • Cocos esféricos em cadeias.
  • Colônias brancas com halo de β-hemólise.
Erisipela

Infecção dermo-hipodérmica aguda, não necrosante. Em mais de 80% dos casos, situa-se nos membros inferiores. Fatores predisponentes incluem solução de continuidade na pele, linfedema crônico e obesidade.

Fasciíte Necrosante

Destruição rápida e progressiva do tecido subcutâneo e fáscia superficial, associada a altos índices de morbimortalidade.

Glomerulonefrite Aguda

Manifestação até 10 dias após faringite ou infecção cutânea. É uma doença inflamatória do glomérulo renal com lesões glomerulares difusas, causando:

  • Hipertensão;
  • Hematúria;
  • Proteinúria.

Streptococcus β-hemolítico do Grupo B (Streptococcus agalactiae)

  • Faz parte da microbiota de membranas mucosas de seres humanos e animais, colonizando principalmente os tratos intestinal e geniturinário.
  • A grande relevância médica deste microrganismo está na contaminação de neonatos, ocasionando quadros graves de septicemia, pneumonia e meningite.

Streptococcus do Grupo Viridans (Alfa ou não-hemolíticos)

  • Espécies: S. mutans, S. salivarius, S. sanguis, S. oralis, S. gordonii, S. mitis.
  • Habitantes normais da mucosa oral e respiratória; possuem papel importante na prevenção da colonização por patógenos potenciais.
  • S. mutans → Cárie.

Streptococcus pneumoniae

  • Diplococos encapsulados (Pneumococo). Responsável por infecções no trato respiratório, pneumonias, meningites e otites.
  • Principal fator de virulência: cápsula de polissacarídeo (mais de 90 sorotipos, sendo 23 responsáveis por mais de 88% dos casos).
  • Grupos de maior risco: crianças menores de dois anos, idosos e pacientes imunodeprimidos.

Enterococcus sp.

  • Microrganismo oportunista.
  • Infecções prevalentes: urinária, pélvica, abdominal, bacteremias e endocardites.
  • Enterococcus faecalis (90% das amostras clínicas), E. faecium (5 a 15%), E. gallinarum, E. casseliflavus, E. durans, E. avium, E. raffinosus (< 5%).

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