Universalidade e Variabilidade da Molécula de DNA
Nos procariontes o DNA encontra-se no hialoplasma, como uma molécula circular, sem outros constituintes associados – nucleoide.
O núcleo das células eucarióticas é separado do citoplasma pelo invólucro nuclear (membrana dupla). Em determinados locais as duas membranas fundem-se e formam poros nucleares – regulam o movimento de macromoléculas entre o núcleo e o citoplasma. O invólucro nuclear está em continuidade com o retículo endoplasmático rugoso.
No núcleo, podem existir nucléolos – regiões em cuja constituição entram ácidos nucleicos e proteínas.
A substância fundamental do núcleo é o nucleoplasma. No núcleo existe cromatina, material fibroso e facilmente corável, constituído por filamentos de DNA associados a proteínas.
As unidades de estrutura da cromatina são os cromossomas.
DNA – molécula pertencente à categoria dos ácidos nucleicos; na sua estrutura encontra-se, em código, a informação que programa todas as atividades celulares e que é transmitida de geração em geração.

Natureza Química e Estrutura do DNA
Nucleótido
- Ácido fosfórico
- Pentose (desoxirribose)
- Bases azotadas (adenina, citosina, guanina, timina e uracilo)
- Bases pirimídicas – C, T e U
- Bases púricas (anel duplo) – A e G
♦ Cada nucleótido adquire o nome da base azotada que o constitui (no DNA).
♦ Os nucleótidos ligam-se por ligações covalentes que se estabelecem entre o grupo fosfato de um nucleótido e a pentose do nucleótido seguinte. O crescimento da cadeia de DNA efectua-se na direcção 5’→3’.
♦ É nas sequências nucleotídicas (n.º e ordem dos nucleótidos) que está codificada a informação genética que define as características de cada indivíduo.


Estrutura da Molécula de DNA vs Estrutura da Molécula de RNA
Molécula de RNA – cadeia simples de polinucleótidos.
Molécula de DNA – duas cadeias de polinucleótidos, enrolados em espiral, em torno de um eixo imaginário, formando uma hélice dupla. As pentoses e os grupos fosfato estão orientados para o exterior das cadeias e as bases azotadas emparelham no interior da hélice, onde se estabelecem ligações hidrogénio. A adenina emparelha com a timina (A

T) e a guanina com a citosina (C

G). As duas cadeias são antiparalelas, isto é, à extremidade 3’ de uma cadeia corresponde a extremidade 5’ da outra.
As moléculas de RNA têm dimensões inferiores às das de DNA e podem ocorrer em formas estruturais diferentes, que desempenham funções diferentes.
Tipos de RNA: RNA mensageiro (mRNA), RNA de transferência (tRNA) e RNA ribossómico/ribossomal (rRNA).


Replicação do DNA
- A molécula de DNA tem a capacidade de copiar a sua própria informação, ou seja, de se replicar.
- Segundo a hipótese da replicação semiconservativa, a dupla cadeia de DNA separa-se, na presença de enzimas específicas, as DNA polimerases, por ruptura das ligações de hidrogénio.
- Cada cadeia serve de molde à formação de uma nova cadeia a partir de nucleótidos livres na célula. As cadeias complementares desenvolvem-se em direcção antiparalela em relação à cadeia que serve de molde.
- No fim do processo, formam-se duas moléculas de DNA, idênticas à molécula original. Em cada uma das novas moléculas, uma das cadeias pertence à molécula inicial.
HIPÓTESE SEMICONSERVATIVA: cada uma das cadeias serviria de molde para uma nova cadeia e, consequentemente, cada uma das novas moléculas seria formada por uma cadeia antiga e uma cadeia nova.
HIPÓTESE CONSERVATIVA: admitia que a molécula de DNA progenitora se mantinha na íntegra, servindo apenas de molde para a formação da molécula filha, a qual seria formada por duas novas cadeias de nucleótidos.
HIPÓTESE DISPERSA: admitia que cada molécula-filha seria formada por porções da molécula inicial e por regiões sintetizadas de novo.

Síntese de Proteínas
- A síntese de proteínas ocorre nos ribossomas, organelos não membranares formados por RNA ribossomal e proteínas, que se encontram no citoplasma ou associados ao retículo endoplasmático rugoso.
- Cada tripleto (unidade mais pequena de mensagem genética é constituída por três nucleótidos) de DNA chama-se codogene.
Transcrição:
Síntese de mRNA a partir de DNA. A molécula de DNA serve de molde para a síntese da molécula de mRNA (que é uma cópia das instruções do DNA). A RNA polimerase provoca a abertura da molécula de DNA e inicia a síntese de RNA a partir de nucleótidos livres. A molécula de mRNA transporta a mensagem para o citoplasma, onde ocorre síntese proteica. Cada tripleto de mRNA (complementar dos codogenes) é um codão que pode codificar um aminoácido ou ordenar o início ou o fim da síntese. Antes do mRNA forma-se o RNA pré-mensageiro ao qual são retirados os intrões (sequências que não codificam) e unem-se os exões (sequências que codificam).


Tradução:

Ciclo Celular
O ciclo celular corresponde ao conjunto de transformações que ocorre desde que uma célula é formada até ao momento em que ela se divide, originando duas células-filhas. Este é um processo dinâmico e contínuo.
Interfase:
A interfase corresponde ao período compreendido entre o fim de uma divisão celular e o início da divisão celular seguinte. É a fase mais longa do ciclo celular e corresponde a cerca de 90% da duração total do ciclo. Nesta fase do ciclo celular a actividade metabólica é intensa; a célula cresce e duplica o seu DNA. Os cromossomas encontram-se dispersos pelo núcleo e não são visíveis. As etapas da interfase são:
Intervalo G1 ou pós-mitótico – Crescimento celular e formação de organelos –
Decorre entre o fim da mitose e o início da replicação de DNA. A actividade biossintética é intensa, especialmente de proteínas, enzimas e RNA. Há, também, a formação de organelos celulares. Após esta etapa, as células podem prosseguir para a fase S do ciclo ou entrar na fase G0 (estádio no qual as células continuam metabolicamente activas, mas não se dividem)
Período S ou período de síntese de DNA – Replicação do DNA com duplicação dos cromossomas –
Ocorre a replicação do DNA da célula. Às novas moléculas de DNA associam-se proteínas e cada cromossoma passa a ser constituído por dois cromatídeos.
Intervalo G2 ou pré-mitótico – Crescimento celular –
Decorre entre o fim da replicação do DNA e o início da mitose. Dá-se a síntese de moléculas necessárias à divisão celular e também de outros constituintes celulares. O volume da célula praticamente duplica.

Fase mitótica (Fase M):O conteúdo celular, duplicado durante a interfase, é repartido pelas células-filhas. Esta fase inclui a divisão do núcleo e a divisão do citoplasma. Na fase mitótica consideram-se duas etapas:
Mitose ou cariocinese – Divisão do núcleo –
É o conjunto de transformações que levam à divisão do núcleo das células eucarióticas. Apesar de este processo ser contínuo, isto é, uma vez iniciado não sofre pausas, nele distinguem-se, convencionalmente, quatro subfases: profase, metafase, anafase e telofase.
Profase:
É, geralmente, a fase mais longa da mitose. Os cromossomas, constituídos por dois cromatídeos unidos por um centrômero, condensam gradualmente, tornando-se mais curtos e espessos. Os centrossomas da célula começam a deslocar-se para pólos opostos e forma-se, entre eles, o fuso acromático ou mitótico, constituído por feixes de microtúbulos proteicos que se agregam, formando fibrilas. O invólucro nuclear desagrega-se.
Metafase:
Os cromossomas atingem o seu estado de condensação máximo e dispõem-se no plano equatorial (plano equidistante aos pólos da célula), com os “braços” para fora, constituindo a placa equatorial e estando prontos para se dividirem. Os centrossomas atingem os pólos das células. O desenvolvimento do fuso acromático completa-se, havendo fibrilas ligadas aos cromossomas e outras unindo os dois pólos.
Anafase:
Os dois cromatídeos de cada cromossoma separam-se, passando a constituir cromossomas independentes. As fibrilas que se encontram ligadas aos cromossomas encurtam e os cromossomas afastam-se em direcção aos pólos – a este processo dá-se o nome de ascensão polar. No final da anafase, existe, em cada pólo, um conjunto idêntico de cromossomas.
Telofase:
É o estado final da mitose. A membrana nuclear reorganiza-se em torno dos cromossomas nos dois pólos da célula e os nucléolos reaparecem. Dá-se a dissolução do fuso acromático. Os cromossomas descondensam, tornando-se menos visíveis. A célula passa a ser constituída por dois núcleos.
Citocinese – Divisão do citoplasma –
Durante a anafase e a telofase, nos animais, forma-se na zona do plano equatorial um anel contrátil de filamentos proteicos. Estes contraem-se e puxam a membrana para dentro, causando um sulco de clivagem que vai estrangulando o citoplasma, até se separarem as duas células filhas
Diferenças entre a divisão da célula animal e da célula vegetal
Nas células vegetais, devido à existência de uma parede esquelética rígida, não é possível a divisão do citoplasma por estrangulamento. Neste caso, vesículas do complexo de Golgi alinham-se no plano equatorial da célula, e constituem o fragmoplasto. As vesículas fundem-se e formam a membrana plasmática da célula-filha. Pela deposição de fibrilas de celulose, constituem-se as paredes celulósicas, que se formam da parte central para a parte externa da célula, até se ligarem à parede celular da célula-mãe. A parede formada não é contínua, possui poros por onde se efectuam trocas de substâncias entre as células.


Diferenciação Celular
Como se regula a expressividade dos genes?
Operão – genes estruturais (com funções relacionadas) + genes reguladores (os que controlam)
Gene regulador – codifica uma proteína repressora
Promotor – local de ligação da RNA polimerase
Operador – local de ligação da proteína repressora; quando o repressor está ligado ao operador, a RNA polimerase não consegue funcionar
Operão repressível – o repressor está inactivo – o que está no meio vai impedir a síntese proteica (activar o repressor)
Operão indutível – o repressor está activo – o que está no meio vai activar o operão (induz a síntese proteica)

Reprodução Assexuada
Um único progenitor produz descendência através de divisões celulares, em que o núcleo se divide por mitose. Os descendentes são idênticos geneticamente entre si e idênticos ao progenitor. A estabilidade dos caracteres de uma geração para outra é mantida.
Os processos de reprodução assexuada podem ser considerados processos de clonagem, dado que os organismos são geneticamente idênticos.

Vantagens:
- Organismos isolados podem originar descendência.
- Descendência numerosa, num curto espaço de tempo, o que permite a rápida colonização de um habitat.
- Perpetua organismos bem adaptados a ambientes favoráveis e estáveis.
Reprodução Sexuada
A reprodução sexuada mistura parte dos genomas de dois indivíduos e produz uma descendência que difere entre si e difere também dos progenitores. A mistura dos genomas deve-se à fecundação – fusão de duas células, os gâmetas, um de cada progenitor. A célula resultante da fusão dos gâmetas é o ovo ou zigoto.
Os gâmetas são células haplóides – possuem metade do número de cromossomas característicos da espécie (n).
A fecundação restabelece o número de cromossomas característicos da espécie. Assim, o zigoto é uma célula diplóide (2n).
A formação de gâmetas dá-se através da meiose (divisão celular que reduz para metade o número de cromossomas das células, dando origem a 4 células haplóides).
Meiose: (antes da meiose dá-se a interfase)
Divisão Reducional
Profase I: Os cromossomas condensam-se e os homólogos emparelham (alinhando gene por gene), formando um conjunto constituído por quatro cromatídeos (tétrade cromatídica ou bivalentes). Surgem pontos de cruzamento entre dois cromatídeos de cromossomas homólogos (pontos de quiasma) e há troca de segmentos equivalentes – crossing over. O nucléolo e o invólucro nuclear desagregam-se.
Metafase I: Os bivalentes ligam-se a microtúbulos do fuso acromático pelos centrômeros. A orientação dos cromossomas de cada bivalente é aleatória. São os pontos de quiasma que se encontram no plano equatorial.
Anafase I: Os dois cromossomas homólogos de cada bivalente separam-se e cada cromossoma (constituído por dois cromatídeos) migra para um dos pólos da célula.
Telofase I: Em cada pólo da célula, constitui-se um conjunto haplóide de cromossomas, com dois cromossomas cada um; os cromossomas descondensam; o invólucro nuclear e os nucléolos reorganizam-se; desaparece o fuso acromático. (Pode ocorrer citocinese formando duas células haplóides.)
Divisão Equacional
Profase II: Os cromossomas condensam. Forma-se o fuso acromático. O invólucro nuclear e os nucléolos desorganizam-se.
Metafase II: Os cromossomas dispõem-se na placa equatorial. São os centrômeros que se localizam no plano equatorial.
Anafase II: Os dois cromatídeos de cada cromossoma separam-se pelo centrômero e migram para pólos opostos da célula. Cada um dos cromatídeos passa a constituir um cromossoma.
Telofase II: Os cromossomas descondensam. O invólucro nuclear reorganiza-se em volta de cada conjunto de cromossomas.
No final da meiose, formam-se quatro células haplóides, diferentes entre si e diferentes da original, contendo, cada uma, um cromossoma de cada par de homólogos.
Mutações Cromossómicas:
Podem ocorrer:
- Durante a divisão reducional, pela não separação dos homólogos.
- Durante a divisão equacional, pela não separação dos cromatídeos.
- Durante o crossing over.
As mutações podem ser prejudiciais para o indivíduo que é portador ou para os seus descendentes, mas podem também ser benéficas. Por outro lado, são fonte de variabilidade genética que permite diversidade de organismos e evolução das espécies.


MEIOSE VS MITOSE


Reprodução Sexuada e Variabilidade
Segregação independente dos cromossomas homólogos: a migração dos cromossomas para os pólos da célula é aleatória. Assim, nos gâmetas formados, os cromossomas com origem num ou noutro progenitor estão combinados aleatoriamente, o que origina uma grande variedade de combinações possíveis.
Crossing-over: Os cromossomas homólogos trocam segmentos. Logo, os dois cromatídeos de cada cromossoma são diferentes e são separados de forma aleatória na anafase II.
Fecundação: a junção aleatória de um gâmeta feminino e de um gâmeta masculino aumenta a variabilidade.



Diversidade de Estratégias na Reprodução Sexuada
A reprodução sexuada implica a formação de gâmetas em estruturas especializadas: gónadas (nos animais) ou gametângios (plantas).
As gónadas femininas são os ovários e as gónadas masculinas são os testículos, sendo que os gâmetas femininos são os óvulos (relativamente grande e imóvel) e os gâmetas masculinos são os espermatozóides (mais pequenos e móveis). Os gâmetas dos animais são haplóides.
O gametângio feminino é o arquegónio e o gametângio masculino é o anterídio, sendo que o gâmeta feminino é a oosfera (existe apenas uma no arquegónio) e os gâmetas masculinos são os anterozóides, que são libertados para o meio quando maduros. Estes deslocam-se em ambiente húmido até à oosfera, que é fecundada dentro do arquegónio.
Existem seres hermafroditas (possuem simultaneamente sistema reprodutor feminino e masculino), que podem ser hermafroditas suficientes (ocorre autofecundação) ou hermafroditas insuficientes (ocorre fecundação cruzada – cada organismo funciona como macho e fêmea, dando e recebendo gâmetas masculinos). Nos animais em que ocorre unissexualismo a fecundação pode ser:
Fecundação externa: ocorre em meio líquido; os gâmetas são libertados para o meio onde se dá a fecundação.
Fecundação interna: ocorre no interior do organismo da fêmea; o macho deposita os gâmetas no interior do sistema reprodutor da fêmea onde ocorre a fecundação.
Constituição de uma flor

Reprodução Sexuada Vs Assexuada

Ciclos de Vida: Unidade e Diversidade
- O ciclo de vida de um ser decorre desde o momento em que se forma até ao momento em que produz descendentes.
- Na reprodução assexuada, o número de cromossomas não se altera.
- No caso da reprodução sexuada, ocorre no ciclo de vida do ser, uma alternância de fases nucleares: a haplofase e a diplofase.
- A haplofase está compreendida entre a meiose e o momento da fecundação e a diplofase entre a fecundação e a meiose.
- O desenvolvimento da fase haplóide em relação ao desenvolvimento da fase diplóide depende do momento em que ocorre a meiose, que pode ser pós-zigótica, pré-gamética ou pré-esporica.
- Atendendo ao desenvolvimento relativo das duas fases nucleares, os seres vivos classificam-se em seres haplontes, seres diplontes e seres haplodiplontes.
Ciclo de Vida Diplonte (Ex: espécie humana)
- Os gâmetas são as únicas células haplóides.
- A meiose é pré-gamética.
- O zigoto é diplóide e origina, por mitose, todas as células somáticas do organismo.
Ciclo de Vida Haplonte (Ex: espirogira)
- Os gâmetas são haplóides e fundem-se, originando o zigoto.
- O zigoto sofre meiose e dá origem a células que, através de mitoses sucessivas, formam um organismo haplóide, que produz gâmetas por mitose.
- A única estrutura diplóide é o zigoto e a meiose é pós-zigótica.
Ciclo de Vida Haplodiplonte (Ex: feto)
- Alternância de gerações com estágios multicelulares haplóides e diplóides.
- Geração diplóide: esporófito – produz esporos haplóides por meiose.
- Meiose pré-esporica.
- Esporos germinam e dividem-se por mitose e originam uma geração haplóide: o gametófito.
- O gametófito produz gâmetas por mitose.
- Formação de um zigoto diplóide, que sofre mitoses e se desenvolve no esporófito.

Das Células Procarióticas às Células Eucarióticas
Dois modelos permitem explicar a origem das células eucarióticas:
Modelo Autogénico:
- ♦ O sistema endomembranar das células eucarióticas terá evoluído a partir de invaginações especializadas da membrana citoplasmática de células procarióticas. Este modelo é apoiado pelo facto de a face da membrana voltada para o interior dos compartimentos intracelulares ser semelhante à face externa da membrana citoplasmática e vice-versa.
Modelo Endossimbiótico:
- ♦ As células eucarióticas são o resultado da associação simbiótica de vários ancestrais procarióticos.
- ♦ Este modelo defende que o sistema endomembranar ter-se-á originado por invaginações da membrana citoplasmática e que as mitocôndrias e cloroplastos se desenvolveram a partir de células procarióticas que estabeleceram uma relação de endossimbiose com células hospedeiras de maiores dimensões, passando a viver dentro delas.
- ♦ Os ancestrais das mitocôndrias seriam procariontes heterotróficos aeróbios e os ancestrais dos cloroplastos seriam procariontes fotossintéticos.
Vantagens da associação da célula hospedeira, anaeróbia e heterotrófica, com os ancestrais das mitocôndrias e dos cloroplastos:
- Uma maior capacidade de metabolismo aeróbio, num ambiente com a concentração de oxigénio livre a aumentar.
- Uma maior facilidade em obter nutrientes, produzidos pelo endossimbionte autotrófico.
- A interdependência entre o hospedeiro e o endossimbionte terá levado à formação de um único organismo.
O Modelo Endossimbiótico é apoiado por vários argumentos que o fundamentam:
♦ Mitocôndrias e cloroplastos assemelham-se a bactérias, quer na forma, quer no tamanho quer nas estruturas membranares.
♦ Ambos produzem as suas próprias membranas internas. Dividem-se independentemente da célula e contêm DNA em moléculas circulares, não associadas a proteínas.
♦ Os ribossomas dos cloroplastos e das mitocôndrias são mais semelhantes aos dos procariontes em características bioquímicas e tamanho.
♦ Ainda hoje se encontram associações simbióticas entre eucariontes e bactérias.

Mecanismos de Evolução: Fixismo vs Evolucionismo
Fixismo:
Considera que as diferentes espécies de seres vivos são permanentes, perfeitas e imutáveis e que foram originadas independentemente umas das outras.
Teorias Fixistas:

Criacionismo:
Explicação fixista para a origem das espécies baseada, essencialmente, nas escrituras e que defende que os seres vivos foram criados por Deus, na sua forma definitiva, e não mais se modificaram.

Geração Espontânea:
Considera que todos os seres vivos se originam a partir de matéria inerte, em certas condições especiais, por acção de um princípio activo.
Evolucionismo:
Defende que os seres vivos que existem, actualmente, na Terra são o resultado da modificação de seres vivos que existiram no passado. As espécies de seres vivos relacionam-se umas com as outras e alteram-se ao longo do tempo.
Teorias Evolucionistas:
Lamarckismo
- Lei do gradualismo: há uma sucessão no aparecimento de organismos; primeiro surgiram os mais simples e só depois os mais complexos.
- Lei do uso e do desuso: as partes do corpo extensivamente usadas por um organismo desenvolvem-se e as que não são usadas atrofiam.
- Lei da herança dos caracteres adquiridos: as características que um organismo adquire ao longo da vida são transmitidas à sua descendência.
Críticas:
- Atribui intencionalidade aos seres vivos, que desenvolvem um “esforço de adaptação ao ambiente.
- A lei do uso e do desuso não é verdadeira em todos os casos e os órgãos desenvolvidos pelo uso sofrem regressão, quando deixam de ser usados.
- As características adquiridas não são herdadas pelos descendentes (verificação experimental).
Argumentos a favor:
- Desenvolvimento de órgãos pelo uso (musculatura, por exemplo).
- Existência de estruturas vestigiais nos organismos (apêndice, por exemplo).

Darwinismo
Aspectos principais:
- As diversas formas de vida surgiram a partir de espécies ancestrais por modificações na descendência.
- O mecanismo de modificação é a seleção natural, actuando ao longo de grandes períodos de tempo.
Teoria de Darwin:
- Os organismos de uma determinada população apresentam variabilidade.
- As populações originam mais descendentes do que aqueles que os recursos existentes no ambientes podem suportar. Consequentemente, grande parte dos indivíduos não sobrevive.
- Os organismos da população portadores de características que lhes permitam uma maior adaptação ao ambiente têm mais vantagens na luta pela sobrevivência e, por isso, deixam mais descendentes.
- O aumento do número de indivíduos portadores de características favoráveis conduz à modificação da população, ao longo do tempo.
A seleção natural favorece determinadas características em detrimento de outras. Indivíduos com características mais adequadas ao meio, sobrevivem melhor e reproduzem-se mais, o que faz com que essas características passem a existir num maior número de indivíduos na geração seguinte. O aumento da frequência dessas características conduz à evolução.

Neodarwinismo ou Teoria Sintética da Evolução
Segundo o Neodarwinismo, as fontes de variabilidade das populações são as mutações e a recombinação genética.
Mutações:
Fonte primária de variabilidade pela sua capacidade de criar novos genes e, consequentemente, novas características.
Recombinação genética:
Mistura os genes existentes, criando novas combinações. A reprodução sexuada é o mecanismo que possibilita a recombinação genética através da meiose e da fecundação.
Variabilidade e Seleção Natural
Factores que aumentem a variabilidade genética de uma população são promotores de evolução, dado que quanto maior for a variabilidade de uma população, maior será a probabilidade de um determinado conjunto génico se apresentar vantajoso na interacção que estabelece com o meio, sendo alvo da seleção natural.
As unidades de evolução são as populações (a evolução pode ser quantificada pela alteração da proporção relativa de variações hereditárias de uma população numa sucessão de gerações).
Os factores sobre os quais a seleção natural actua são situacionais.
Sistemas de Classificação
A Sistemática é o estudo da diversidade biológica num contexto evolutivo.
Taxonomia: classificação e nomenclatura das espécies
Filogenia: história evolutiva de uma espécie ou de várias espécies relacionadas.
Diversidade de Sistemas de Classificação
Classificações horizontais: classificações estáticas, que tinham em conta características estruturais e não tinham em conta o factor tempo. Partiam do pressuposto da imutabilidade das espécies.
Classificações práticas: agrupam seres vivos de acordo com a sua utilidade para o Homem.
Classificações racionais: agrupam seres vivos de acordo com características.
Classificações artificiais: baseiam-se numa, ou em poucas características. Os grupos formados por elas são muito heterogéneos.
Classificações naturais: baseiam-se num grande número de características, que transmitem maior quantidade de informação que as classificações artificiais.
As ideias evolucionistas levaram a:
Classificações verticais/filogenéticas: agrupam seres vivos de acordo com o grau de parentesco entre eles. Têm em conta o factor tempo. Interpretam a semelhança de seres vivos como consequência da existência de um ancestral comum a partir do qual os grupos divergiram.
Taxonomia e Nomenclatura
Sistema de Classificação de Lineu:
- Hierarquia das categorias taxonómicas
- Nomenclatura binominal das espécies.
Categorias taxonómicas ou taxa: Reino→ Filo →Classe→ Ordem→ Família→ Género→ Espécie
A espécie é a unidade básica de classificação e representa um grupo natural constituído por indivíduos isolados reprodutivamente dos indivíduos de espécie diferente, mas que podem cruzar-se entre si, originando descendentes férteis.
Regras Básicas de Nomenclatura
- Designação dos taxa em latim (língua morta que não evolui; permite nomenclatura universal, ou seja, constante no espaço e no tempo).
- As espécies são designadas segundo uma nomenclatura binominal. A primeira palavra do nome corresponde ao género (inicial maiúscula) e a segunda é o epíteto ou restritivo específico.
- Designação de grupos superiores à espécie é uninominal.
- O nome da família é obtido acrescentando –idae à raiz de um dos géneros.
- Quando a espécie tem subespécies, a nomenclatura é trinominal.
- Os nomes de géneros, espécies ou subespécies são escritos em letra diferente do texto: itálico ou sublinhado.
Sistema de Classificação de Whittaker
Sistema de classificação em 5 reinos: Reino Animalia, Reino Plantae, Reino Fungi, Reino Protista e Reino Monera


