Estudo Dirigido: O Processo de Carcinogênese
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Estudo Dirigido: Carcinogênese
1) O processo de carcinogênese, ou seja, de formação de câncer, em geral se dá lentamente, podendo levar vários anos para que uma célula cancerosa prolifere e dê origem a um tumor visível. Esse processo passa por vários estágios antes de chegar ao tumor:
Estágio de Iniciação
É o primeiro estágio da carcinogênese. Nele, as células sofrem o efeito de agentes cancerígenos ou carcinógenos que provocam modificações em alguns de seus genes. Nesta fase, as células se encontram geneticamente alteradas, porém ainda não é possível detectar um tumor clinicamente. Encontram-se "preparadas" para a ação de um segundo grupo de agentes que atuará no próximo estágio.
Estágio de Promoção
É o segundo estágio da carcinogênese. Nele, as células geneticamente alteradas sofrem o efeito dos agentes cancerígenos classificados como oncopromotores. A célula iniciada é transformada em célula maligna de forma lenta e gradual. Para que ocorra essa transformação, é necessário um longo contato com o agente cancerígeno promotor. A suspensão do contato com agentes promotores muitas vezes interrompe o processo nesse estágio. Alguns componentes alimentares e a exposição excessiva e prolongada a hormônios são fatores que podem promover a transformação de células iniciadas em malignas.
Estágio de Progressão
É o terceiro e último estágio e se caracteriza pela multiplicação descontrolada e irreversível das células alteradas. Nesse estágio, o câncer já está instalado, evoluindo até o surgimento das primeiras manifestações clínicas da doença. Os fatores que promovem a iniciação ou progressão da carcinogênese são chamados agentes oncoaceleradores ou carcinógenos. O fumo é um agente carcinógeno completo, pois possui componentes que atuam nos três estágios da carcinogênese.
2) Classificação dos Agentes
- Agente oncoiniciador: É capaz de provocar diretamente o dano genético das células, iniciando o processo de carcinogênese. Como exemplo, temos o benzopireno (componente da fumaça do cigarro) e alguns vírus oncogênicos.
- Agente oncopromotor: Atua sobre as células iniciadas, transformando-as em malignas.
- Agente oncoacelerador: Caracteriza-se pela multiplicação descontrolada e irreversível das células alteradas. Atua no estágio final do processo.
3) Genes Relacionados ao Câncer
- Proto-oncogenes (promotores de crescimento): Considerados dominantes, transformam as células mesmo na presença de seu alelo normal.
- Genes supressores tumorais (inibidores de crescimento): Considerados recessivos, pois ambos os alelos normais precisam ser lesados para ocorrer a transformação. Pode ocorrer dano em apenas um alelo levando à haploinsuficiência com redução das proteínas que inibem a proliferação celular.
- Genes reguladores da apoptose: Podem se comportar tanto como proto-oncogenes como supressores tumorais.
- Genes envolvidos no reparo do DNA: Não agem diretamente na transformação das células, mas referem-se à capacidade do organismo em reparar mutações nos genes vistos anteriormente. A incapacidade de reparar o DNA predispõe a mutações nesses genes.
4) Transformação de Proto-oncogenes em Oncogenes
Os proto-oncogenes podem transformar-se em oncogenes através de duas formas:
- Mudanças na estrutura do gene, resultando na síntese de oncoproteínas (produtos genéticos anormais) com função aberrante.
- Mudanças na regulação da expressão do gene, resultando em aumento ou produção inadequada de proteínas promotoras de crescimento estruturalmente normais.
Os oncogenes codificam proteínas chamadas oncoproteínas que participam na transdução de sinais durante várias etapas do ciclo celular. Existem 4 categorias de oncogenes associados à divisão celular e desenvolvimento de câncer: fator de crescimento, receptor de fator de crescimento, proteínas envolvidas na transdução de sinais e proteínas reguladoras nucleares.
5) Radiação e Câncer
A radiação sob a forma de raios ultravioleta da luz solar, radiações eletromagnéticas (raios X, raios gama) e particuladas (partículas alfa, beta, próton e nêutron) podem provocar alterações celulares e desenvolvimento de câncer. Os raios ultravioleta estão relacionados ao aumento da incidência de carcinoma de células escamosas, carcinoma basocelular e melanoma de pele. As radiações ionizantes de origem médica (radioterapia), ocupacional e acidentes nucleares estão associadas a uma grande variedade de tumores malignos.
6) Vírus Oncogênicos
O vírus HTLV-I está associado a leucemias e ao linfoma de linfócitos T. A leucemia-linfoma de células T do adulto (LLcTA) é uma neoplasia de linfócitos T maduros. Ocorre mais frequentemente em regiões onde a infecção pelo HTLV-I é endêmica, como no Japão e ilhas caribenhas. No Brasil, as formas clínicas mais reconhecidas são as formas agudas e linfomatosa. O papilomavírus humano (HPV) está relacionado ao câncer do colo do útero.