Estudos de Casos Clínicos e Condutas Farmacológicas

Classificado em Medicina e Ciências da Saúde

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Caso 1: Suspeita de Infecção do Trato Urinário

M. A., 25 anos, relatou o seguinte caso: “Doutora, acho que estou com infecção urinária, sinto muita dor ao fazer xixi. Tenho ido várias vezes ao banheiro e sinto uma queimação muito forte no final, parece que está queimando por dentro”. Após a consulta, a médica solicitou: Urina de rotina (EAS); Gram de gota de urina não centrifugada (UGG); Urocultura/Antibiograma.

Resp. A) A paciente apresenta infecção do trato urinário (ITU), evidenciada por sintomas clássicos como dor ao urinar, aumento da frequência urinária e ardor. Os exames mostram leucócitos elevados, nitrito positivo, presença de sangue e crescimento bacteriano superior a 100.000 UFC/mL.

B) Não há total coerência entre os exames, pois o Gram mostrou bastonetes Gram-negativos, enquanto a urocultura identificou Staphylococcus saprophyticus, que é Gram-positivo. Isso sugere possível erro técnico ou contaminação.

C) A cefalotina deve ser suspensa, pois a bactéria apresentou resistência. Deve-se iniciar antibiótico sensível, como nitrofurantoína ou norfloxacina.

Caso 2: Diagnóstico e Manejo de Dengue

Q.R.S., 18 anos, apresenta sinais e sintomas clássicos da dengue há 4 dias. O paciente relata uso de aspirina (ácido acetilsalicílico). Ao observar a presença de algumas manchas vermelhas pelo corpo do paciente, o médico fez a prova do laço, encontrando um número de 45 petéquias em um quadrado de 2,5 cm de lado.

Resultado e Valores de Referência:

  • Antígeno NS1 para Dengue: Positivo (Referência: Negativo)
  • Sorologia IgM/IgG para Dengue:
    • IgM – Negativo (Referência: Negativo)
    • IgG – Negativo (Referência: Negativo)
  • Hematócrito: 24% (Referência: 37 – 49%)
  • Plaquetas: 45.000/mm³ (Referência: 140.000 – 450.000/mm³)

Resp da 2: O paciente apresenta dengue em fase inicial (NS1 positivo). Há trombocitopenia importante e risco de sangramento. O uso de aspirina é contraindicado, pois aumenta o risco hemorrágico. Conduta: suspender aspirina, usar paracetamol ou dipirona, manter hidratação e monitoramento clínico.

Caso 3: Tratamento de Broncoespasmo Infantil

Menino de 8 anos, com história de broncoespasmo e forte crise de dificuldade respiratória. O médico prescreveu a associação de salbutamol com budesonida na forma de aerossol. Analise o caso, considerando o mecanismo de ação dos dois fármacos e a forma correta do uso desse dispositivo.

Resp. O salbutamol atua como broncodilatador de ação rápida, promovendo alívio imediato. A budesonida atua como anti-inflamatório (corticoide), controlando a inflamação brônquica. O uso correto do aerossol envolve agitar o dispositivo, inspirar profundamente ao acionar e prender a respiração por alguns segundos.

Caso 4: Substituição de Anti-inflamatórios (AINEs)

Homem de 50 anos faz uso de Diclofenaco de Sódio 50 mg. Retornou ao seu médico queixando-se de muita dor; o médico assistente substituiu o Diclofenaco de Sódio por Nimesulida e disse ao paciente que este novo medicamento iria diminuir o efeito colateral causado pelo primeiro.

Resp. O diclofenaco inibe COX-1 e COX-2, podendo causar irritação gástrica. A nimesulida tem menor ação sobre a COX-1, reduzindo os efeitos colaterais gástricos. Assim, a substituição reduz a dor no estômago.

Caso 5: Manejo de Refluxo Gastroesofágico

Paciente faz uso de Cimetidina. Relatou a volta de queimação no peito e na “boca do estômago”. Diante do relato de caso, o médico substituiu a Cimetidina por Omeprazol 20 mg.

Resp. A cimetidina bloqueia receptores H2, reduzindo parcialmente a secreção ácida. O omeprazol inibe a bomba de prótons, sendo mais potente na redução da acidez. Portanto, a troca melhora o controle do refluxo.


Análise Detalhada dos Casos

CASO 01

A) A paciente apresenta infecção urinária? Justifique.

Sim, a paciente apresenta infecção do trato urinário (ITU). Justificativa:

  • Sintomas clássicos: disúria, polaciúria e ardor.
  • EAS alterado:
    • Leucócitos (++) → indica inflamação/infecção.
    • Nitrito positivo → presença de bactérias redutoras de nitrato.
    • Sangue (++) → lesão/inflamação da mucosa.
  • Sedimento: piócitos e bactérias aumentadas.
  • Urocultura: crescimento > 100.000 UFC/mL → confirma infecção.

✔️ Portanto, diagnóstico compatível com ITU.

B) Há coerência entre os exames?

Não totalmente coerente.

  • UGG: mostrou bastonetes Gram-negativos.
  • Urocultura: identificou Staphylococcus saprophyticus, que é um coco Gram-positivo.

Incoerência: O Gram sugere bactéria Gram-negativa, enquanto a cultura mostra Gram-positiva. ✔️ Possíveis explicações: Erro na coleta ou técnica, contaminação ou interpretação incorreta do Gram.

C) Conduta médica (uso prévio de cefalotina)

  • A paciente iniciou Cefalotina.
  • Porém, o antibiograma mostrou resistência à cefalotina.

✔️ Conduta correta: Suspender cefalotina e iniciar antibiótico sensível, como: Nitrofurantoína, Norfloxacina ou Sulfametoxazol + Trimetoprima.

CASO 02

✔️ Diagnóstico: Dengue em fase inicial

  • NS1 positivo → infecção ativa.
  • IgM/IgG negativos → início da infecção.

Alterações importantes:

  • Plaquetas: 45.000 → trombocitopenia grave.
  • Hematócrito: 24% → possível sangramento ou hemodiluição.
  • Prova do laço positiva: 45 petéquias → fragilidade capilar → risco hemorrágico.

⚠️ Problema grave: Uso de ácido acetilsalicílico. Isso é contraindicado na dengue, pois inibe a agregação plaquetária e aumenta o risco de hemorragia.

✔️ Conduta: Suspender aspirina imediatamente, usar paracetamol ou dipirona, monitorar sinais de sangramento e manter hidratação rigorosa.

CASO 03 (Broncoespasmo)

Fármacos utilizados: Salbutamol e Budesonida.

Mecanismo de ação:

  • ✔️ Salbutamol: Agonista β2. Promove broncodilatação rápida para alívio imediato da crise.
  • ✔️ Budesonida: Corticoide. Reduz a inflamação brônquica para controle a longo prazo.

Uso correto do aerossol: 1. Agitar o dispositivo; 2. Expirar; 3. Inspirar profundamente ao acionar; 4. Prender a respiração por 10 segundos; 5. Intervalo entre jatos. ✔️ Ideal: usar espaçador (melhora a eficácia).

CASO 04 (Anti-inflamatórios)

Justificativa da troca:

  • Diclofenaco de sódio: inibe COX-1 e COX-2 → diminui a proteção gástrica → dor no estômago.
  • Nimesulida: menor ação sobre a COX-1 → menos agressão gástrica.

✔️ Portanto, a troca reduz os efeitos colaterais gástricos.

CASO 05 (Refluxo Gastroesofágico)

Fármacos: Cimetidina e Omeprazol.

Justificativa:

  • ✔️ Cimetidina: Bloqueia receptores H2, reduzindo parcialmente o ácido.
  • ✔️ Omeprazol: Inibe a bomba de prótons (H+/K+-ATPase), bloqueando a produção de ácido de forma mais potente. Mais eficaz no controle do refluxo.

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