A Ética de Aristóteles: O Bem Supremo e a Virtude
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A Ética de Aristóteles: O Bem Supremo
- a) O Bem em Aristóteles: O bem para Aristóteles não é separado das coisas, como a ideia platônica, porque, nesse caso, seria mais apropriado falar em posse ou propriedade. Para Aristóteles, as coisas tornam-se reais e há uma multiplicidade de bens.
- b) A Finalidade das Ações: O bem para Aristóteles é o fim de todas as ações, visto que o bem é o que todas as pessoas anseiam. Tudo o que os seres vivos fazem e pretendem é ordenar-se a um fim que seja "bom" para eles.
- c) Fins e Meios: Como seres humanos, tudo o que fazemos tem um fim em vista; é a possibilidade que, em cada caso, consideramos melhor. Mas existe um tipo de bens que são entendidos como fins em relação a todos os outros, que são vistos como meios. Há alguns que são buscados por si mesmos e outros que se tornam um meio para algo posterior.
- d) A Pirâmide de Meios e Fins: Aristóteles considerava a vida humana como uma pirâmide de meios e fins, colocando no topo o bem que é procurado por si mesmo e em vista do qual fazemos todo o resto. Tendemos à felicidade por uma necessidade de inclinação natural: a felicidade é o fim último do homem.
Virtude e Prudência
- a) A Atividade Racional: Aristóteles tenta determinar qual é o bem do ser humano, indicando que a felicidade é esse bem. Uma vez que ela é o objetivo de qualquer ação, torna-se claro quais são as atividades adequadamente humanas. Após descartar as atividades vegetativas e sensíveis, que os humanos compartilham com as plantas e os animais, Aristóteles opta pela atividade racional como específica do humano.
- b) Excelência e Perfeição: Chamam-se "virtudes" as atividades em que se alcança a excelência ou perfeição. Como estas são as melhores do ponto de vista racional, para Aristóteles, a felicidade consiste na virtude.
- c) Virtudes Éticas e Dianoéticas: A virtude é uma disposição segundo a vontade de fazer o bem, adquirida através do esforço e da educação, formando o hábito. Aristóteles distingue entre virtudes éticas (do caráter e hábitos, como coragem, justiça e generosidade) e virtudes dianoéticas (intelectuais, como a arte, inteligência, sabedoria e prudência).
- d) O Justo Meio: Para formar um caráter virtuoso, Aristóteles enfatiza a necessidade de prudência. Esta virtude intelectual é a capacidade de deliberar para acertar o julgamento e decidir o que fazer em cada situação. A virtude consiste no "meio-termo", ou seja, um equilíbrio entre dois extremos igualmente viciosos.
A Felicidade e os Bens Exteriores
- a) A Essência da Felicidade: Aristóteles afirma que a felicidade consiste na virtude. No entanto, a felicidade pode ser acrescida de bens materiais sob determinadas condições: saúde, riqueza, amigos, prazer e boa sorte. Contudo, a virtude é essencial, pois, embora a ausência desses bens possa impedir alguém de ser plenamente feliz, quem possui a virtude nunca será totalmente infeliz, pois a sua força permite suportar os contratempos com integridade.