Ética e Justiça: De Mill a Rawls
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O Fim Último da Moralidade: A Procura da Felicidade
O problema filosófico que serve de base a esta questão é o do critério ético da moralidade de uma ação. Ou seja, discute-se o que torna uma ação moralmente certa ou errada. Trata-se do debate clássico entre as éticas teleológicas/consequencialistas, como o utilitarismo de Mill (que foca na felicidade), e as éticas deontológicas, como a de Kant (que foca no cumprimento do dever).
A minha posição é a de que o fim último da moralidade é a procura da felicidade e que devemos promovê-la com as nossas ações. Para argumentar a favor desta posição, baseio-me na ética utilitarista de John Stuart Mill:
- Valor intrínseco: A felicidade é o único bem com valor intrínseco. Todas as outras atividades (estudar, trabalhar, ter saúde) são meios para atingir esse fim maior.
- Princípio da Maior Felicidade: As ações são moralmente corretas se tenderem a promover a maior felicidade e o maior prazer (ou ausência de dor) para o maior número possível de pessoas.
Em contrapartida, a teoria kantiana revela-se demasiado rígida. Ao defender deveres absolutos, Kant não consegue resolver conflitos morais básicos, como mentir para salvar a vida de um amigo. Em suma, como as consequências importam e o sofrimento deve ser evitado, a promoção da felicidade global é o melhor guia para as nossas decisões morais.
A Justiça como Equidade: A Teoria de John Rawls
O problema filosófico subjacente é o da justiça social e da organização político-económica da sociedade. Discute-se como o Estado deve garantir que direitos, deveres, oportunidades e bens sejam distribuídos de forma justa.
Defendo que os princípios de justiça de John Rawls garantem uma sociedade efetivamente justa, baseando-me no modelo da "justiça como equidade". Rawls propõe uma experiência mental: a posição original sob um véu de ignorância, onde, sem conhecer a nossa classe social ou talentos, escolheríamos três princípios fundamentais:
- Princípio da igualdade de liberdades básicas: Garante o mesmo conjunto de liberdades civis e políticas a todos.
- Princípio da igualdade justa de oportunidades: Assegura que todos tenham as mesmas hipóteses de sucesso, independentemente da origem social.
- Princípio da diferença: Aceita desigualdades económicas apenas se beneficiarem os mais desfavorecidos da sociedade.
Embora existam objeções — como as de Robert Nozick (libertarismo) e Michael Sandel (comunitarismo) — a teoria de Rawls permanece robusta. O véu de ignorância garante que ninguém crie leis egoístas, promovendo uma sociedade solidária que equilibra a liberdade individual com a justiça social.