Ética de Kant, Relativismo e Introdução à Lógica

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1. A Ética Deontológica de Immanuel Kant

1. Formule o problema subjacente à moralidade de uma ação.
O problema consiste em saber qual é o critério que permite distinguir uma ação moralmente boa de uma ação moralmente má. Ou seja, pergunta-se: o valor moral de uma ação depende das suas consequências, da intenção de quem age ou do cumprimento do dever?

2. Contraponha as respostas deontológica e consequencialista.
A ética deontológica defende que a moralidade da ação depende do dever, da intenção e da regra que orienta a ação. Para Kant, uma ação é moralmente boa quando é praticada por dever, independentemente das consequências.

3. Segundo Kant, quando é que uma ação tem valor moral?
Segundo Kant, uma ação tem valor moral quando é praticada por dever, isto é, por respeito à lei moral. Não basta que a ação esteja de acordo com o dever. É necessário que a pessoa aja porque reconhece racionalmente que deve agir.

4. Kant demarca o valor moral de uma ação dos seus efeitos? Justifique.
Sim. Para Kant, o valor moral de uma ação não depende dos efeitos ou consequências, mas da intenção que está na sua origem. Uma ação pode ter bons resultados e, mesmo assim, não ter valor moral, se for praticada por interesse, medo ou inclinação. O valor moral está na máxima da vontade, isto é, no princípio segundo o qual a pessoa age.

5. Explique a razão pela qual podemos afirmar que Kant é defensor de uma ética deontológica.
Podemos afirmar que Kant defende uma ética deontológica porque, para ele, o mais importante na moralidade é o dever. A ação moralmente correta é aquela que é feita por respeito à lei moral e não por causa das consequências, dos sentimentos ou dos interesses pessoais.

6. Relacione moralidade da ação e razão.
Para Kant, a moralidade da ação está ligada à razão, porque é a razão que permite ao ser humano reconhecer o dever e formular leis morais universais. Assim, uma ação moral não deve ser guiada apenas por desejos, emoções ou interesses, mas por princípios racionais que possam valer para todos.

7. Exemplifique ações que não possuem valor moral.
Não possuem valor moral as ações que são feitas por interesse, medo ou inclinação, mesmo que pareçam corretas.
Exemplos:

  • Um aluno não copia no teste apenas porque tem medo de ser castigado.
  • Uma pessoa ajuda outra só para receber elogios.
  • Um comerciante é honesto apenas para manter os clientes.

Estas ações podem ser conformes ao dever, mas não são praticadas por dever.

9. Explique o exemplo proposto por Kant.
Kant apresenta o exemplo do comerciante que não aumenta os preços ao comprador inexperiente. A ação do comerciante é correta exteriormente, porque ele trata todos os clientes de forma justa. No entanto, se ele age assim apenas para manter a clientela e proteger o negócio, a sua ação não tem valor moral. A ação só teria valor moral se o comerciante fosse honesto por dever, isto é, por reconhecer que deve ser justo.

2. Subjetivismo, Relativismo e Objeções

1.1. Formula um argumento a favor da teoria apresentada no texto.
Resposta: Um argumento a favor da teoria apresentada é que as pessoas têm sentimentos e preferências diferentes. Aquilo que uma pessoa considera bom pode não ser considerado bom por outra. Assim, se os juízos morais exprimem apenas preferências individuais, então não existem valores morais objetivos, mas apenas opiniões pessoais sobre o que é certo ou errado.

1.2. Formula uma objeção ao argumento apresentado na alínea anterior.
Resposta: Uma objeção possível é afirmar que nem todos os juízos morais podem depender apenas das preferências individuais. Por exemplo, dizer que "torturar inocentes por prazer é errado" parece ser mais do que uma simples preferência pessoal. Mesmo que alguém gostasse dessa ação, continuaríamos a considerá-la moralmente errada. Assim, a moralidade não pode depender apenas do gosto de cada pessoa, pois isso tornaria impossível criticar ações claramente injustas ou desumanas.

2.1. Formula um argumento a favor da teoria apresentada no texto.
Resposta: Um argumento a favor do relativismo cultural é que diferentes sociedades têm diferentes hábitos, costumes e regras morais. Aquilo que é considerado correto numa sociedade pode ser considerado incorreto noutra. Por isso, parece que a moralidade depende da cultura e das normas sociais de cada comunidade.

2.2. Formula uma objeção ao argumento apresentado na alínea anterior.
Resposta: Uma objeção ao relativismo cultural é que, se a moralidade dependesse apenas da sociedade, então não poderíamos criticar moralmente práticas injustas aceites por uma cultura. Por exemplo, se uma sociedade aceitasse a escravatura, a discriminação ou a violência contra inocentes, teríamos de considerar essas práticas corretas nessa sociedade. Mas isso parece inaceitável. Assim, embora existam diferenças culturais, isso não prova que todos os valores sejam apenas relativos à cultura.

3. Lê com atenção o texto seguinte.
Pergunta: Qual das perspetivas acerca da natureza dos juízos morais está a ser criticada no texto? Porquê?
Resposta: No texto está a ser criticada a perspetiva subjetivista, pois esta reduz os valores morais aos sentimentos e preferências dos indivíduos. Também se critica o relativismo, porque este faz depender a moralidade das opiniões sociais. O autor discorda destas posições, defendendo que os valores morais podem ter uma base objetiva, relacionada com a existência de seres sencientes e com a forma como estes podem ser afetados pelas ações. Assim, os juízos morais não são apenas gostos pessoais ou convenções sociais.

3. Introdução à Lógica e Argumentação

Argumentos:
Um argumento tem premissas e conclusão.

  • Tese: ideia defendida.
  • Premissas: razões apresentadas.
  • Conclusão: ideia que se quer provar.

A verdade aplica-se a proposições.
A validade aplica-se a argumentos.
Solidez = argumento válido + premissas verdadeiras.

Proposições e Quadrado da Oposição:
Tipos principais:

  • A: Todos os S são P.
  • E: Nenhum S é P.
  • I: Alguns S são P.
  • O: Alguns S não são P.

Negações importantes:

  • "Todos são""Alguns não são".
  • "Nenhum é""Alguns são".
  • "Alguns são""Nenhum é".
  • "Alguns não são""Todos são".

Lógica Proposicional:
Conectivas:

  • ¬P: não P
  • P ∧ Q: P e Q
  • P ∨ Q: P ou Q
  • P → Q: se P, então Q
  • P ↔ Q: P se e só se Q

Um argumento dedutivo é válido quando é impossível ter premissas verdadeiras e conclusão falsa.

Inferências Válidas:

  • Modus Ponens: Se P então Q. P. Logo, Q.
  • Modus Tollens: Se P então Q. Não Q. Logo, não P.
  • Silogismo Hipotético: Se P então Q. Se Q então R. Logo, se P então R.
  • Silogismo Disjuntivo: P ou Q. Não P. Logo, Q.

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