Europa no Século XVIII: Monarquias, Iluminismo e Conflitos
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Dois Modelos de Monarquia
O Apogeu do Estado Absoluto
Durante o século XVIII, o absolutismo atingiu o seu apogeu. A França foi um centro de desenvolvimento na Europa, com o absolutismo, enquanto a Inglaterra desenvolvia a monarquia parlamentar.
Monarquia Absoluta: França
Durante o século XVIII, na França, reinaram Luís XIV, Luís XV e Luís XVI. As características principais eram:
- Direito Divino: Impregnados de caráter sagrado, os monarcas franceses eram considerados representantes de Deus na Terra.
- Centralização: A maior parte do processo decisório estava concentrada na figura do rei.
- Burocracia: O rei governava através de um corpo de funcionários que executavam as suas ordens.
Monarquia Parlamentar
Durante o século XVII, o parlamento fortaleceu o seu poder em relação ao rei. Em 1679, impôs a Carlos II o Habeas Corpus, que pôs fim às detenções arbitrárias e obrigou a apresentação do detido perante um tribunal. Também foi imposta a Declaração de Direitos, que estabelecia a separação de poderes entre o rei e o parlamento e garantia direitos individuais.
O Iluminismo
O pensamento iluminista, no século XVIII, baseava-se no uso da razão. Os seus princípios fundamentais incluíam:
- Liberdade: A liberdade individual de pensar por si mesmo, o que confere autonomia.
- Igualdade: Todos os seres humanos nascem iguais.
- Divisão de Poderes: Os três ramos do governo devem ser exercidos por diferentes órgãos.
- Soberania Nacional: Reside no povo e dele emana.
- Crítica Social: Crítica à organização social baseada em privilégios de nascimento e riqueza.
- Fé no Progresso: Acreditava-se que o progresso poderia ser alcançado através da educação.
Difusão das Ideias Iluministas
As ideias tiveram uma circulação reduzida, limitada à alta burguesia, através de salões, clubes e cafés. No entanto, a sua maior difusão ocorreu através dos livros.
Despotismo Esclarecido
Foi a tentativa de conciliar o absolutismo com a filosofia do Iluminismo. Algumas reformas foram promovidas, mas não conseguiram alterar a estrutura fundamental. A frase característica é: "Tudo para o povo, nada pelo povo".
Dinâmicas Europeias e Conflitos do Século XVIII
O Sistema de Utrecht e o Equilíbrio Europeu
O Sistema de Utrecht, assinado em 1714, pôs fim à Guerra de Sucessão Espanhola. Na prática, o sistema reorganizou as relações de poder, estabelecendo a Inglaterra como nova hegemonia. Os seus objetivos eram manter um delicado equilíbrio entre as potências continentais, neutralizar o poder francês e estabelecer o domínio britânico sobre os mares. O equilíbrio europeu foi abalado pela emergência de novas potências como a Prússia e a Rússia.
Guerras e Disputas Coloniais no Século XVIII
Ao longo do século XVIII, as várias potências europeias aliaram-se em diversas guerras de sucessão ou disputas coloniais.
Rivalidades Coloniais
A rivalidade colonial intensificou-se: a fraqueza da monarquia espanhola e a força do poder económico europeu levaram a disputas pelas possessões coloniais:
- Os Países Baixos ocuparam territórios no Brasil e no Caribe.
- Inglaterra e França lutaram pela América do Norte, bem como por áreas no Caribe e no Índico, vastos territórios com enormes riquezas.
Economia e Mercantilismo
O Mercantilismo
O Mercantilismo foi a política económica aplicada pelas monarquias europeias entre a segunda metade do século XVII e o século XVIII. Tinha como objetivo o enriquecimento da nação e baseava-se em:
- A acumulação de metais preciosos (ouro e prata).
- A priorização do comércio exterior.
- O incentivo à manufatura. A intensificação destas atividades resultou no aumento da produção.
- O protecionismo, com a imposição de direitos aduaneiros para tornar os produtos estrangeiros mais caros.
- A exploração de colónias, de onde matérias-primas e metais eram enviados para a metrópole.