Evapotranspiração: Conceitos, Medição e Manejo

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A evapotranspiração é a somatória de toda a água perdida em forma de vapor pelas plantas (transpiração) com a água que espontaneamente passa do estado líquido para o gasoso no solo (evaporação). É a soma da transpiração das plantas com a evaporação do solo. Essa água em forma de vapor é perdida para a atmosfera. Convencionou-se fazer a junção dos dois termos para seu estudo pela dificuldade de se medir separadamente cada um deles. A evapotranspiração tem grande importância na área agronômica, pois representa a perda total de água do sistema; logo, seu valor pode ser considerado a quantidade de água que será necessária ser reposta por um sistema de irrigação.

A evapotranspiração de referência (ETo) é definida como a perda de água por uma parcela de solo úmido, totalmente revestida de vegetação e suficientemente extensa para eliminar o efeito Oásis. É um valor de referência para o cálculo da evapotranspiração real. A definição do valor de referência (ETo) é feita de uma maneira simplificada. Os fatores influentes na evapotranspiração podem apresentar grandes variações espaciais e temporais, como os elementos meteorológicos. Dois desses fatores se destacam pela grande capacidade de mudanças na evapotranspiração: a cobertura vegetada do solo e a quantidade de água no solo até a profundidade explorada pelas raízes. A ETo é o valor de uma superfície plenamente vegetada e sem restrição hídrica.

As figuras (culturas) apresentam o comportamento do valor Kc (coeficiente de cultura) em relação a plantas anuais e a plantas perenes. O valor Kc representa a fração da evapotranspiração de referência usada pelas plantas em diferentes estágios do desenvolvimento.

  • Plantas anuais: apresentam valores de Kc iniciais baixos, período em que essas plantas apresentam pequena cobertura do solo, e apresentam valores extremos no início da fase reprodutiva (florescimento e enchimento de grãos). Isto representa uma evapotranspiração real maior que a evapotranspiração de referência, fato que é possível por se tratar da principal fase da planta, onde uma deficiência hídrica, mesmo que pouco severa, provocará grandes perdas na produção. Após essa fase, o valor Kc diminui com a fase de maturação da planta, onde ela tende a perder água em seus tecidos, diminuindo sua demanda hídrica.
  • Plantas perenes: os valores de Kc apresentam comportamento bem diferente. O valor Kc altera-se na escala de anos, ou seja, à medida que a cobertura do solo vai aumentando pelo crescimento das plantas perenes, o valor Kc vai se elevando também. Após alguns anos, a cultura perene atinge o seu ponto máximo de crescimento e, consequentemente, seu valor máximo de Kc.

Existem fatores climáticos, da planta e do manejo do solo que afetam a evapotranspiração:

  • Fatores climáticos: saldo de radiação, temperatura do ar, temperatura do solo, umidade relativa e vento.
  • Fatores da planta: espécie, coeficiente de reflexão, índice de área foliar, altura do dossel e profundidade do sistema radicular.
  • Fatores de manejo de solo: espaçamento/densidade de plantio, orientação, tipo de solo, capacidade de armazenamento de água pelo solo, presença de impedimentos físicos ou químicos, e a relação entre a demanda hídrica atmosférica com a quantidade de água no solo.

A evapotranspiração é de difícil medida. Um método é realizar a medida da evaporação e, com esse valor, fazer correções para estimar a evapotranspiração. A outra maneira é a sua medida direta feita por lisímetros. Lisímetros são dispositivos capazes de medir diretamente a evapotranspiração de uma maneira absoluta. Basicamente, são caixas enterradas no solo com a finalidade de se conhecer precisamente o estado hídrico em seu interior, isolando-se fluxos laterais, ascendentes ou descendentes da água. Isolando-se fluxos subterrâneos, pode-se medir a evapotranspiração ou por diferença de água adicionada ao sistema, ou por diferença de massa do sistema.

O método de estimativa de evapotranspiração de Thornthwaite é limitado para a irrigação por ter como base temperaturas médias e, assim, não ter grande representatividade em curtos períodos de tempo. É um método bom para ser usado em grandes intervalos de tempo, porém, em escala diária, é limitado. A escala diária é necessária para a irrigação pois, dependendo do estado de desenvolvimento da planta, uma pequena deficiência hídrica pode causar grande perda de produtividade. Para uma boa estimativa diária para controle de irrigação, pode-se usar o método do Tanque Classe A ou o método de Penman-Monteith.

Para se escolher adequadamente o método de estimativa da evapotranspiração, é recomendado seguir alguns critérios:

  • Disponibilidade de dados meteorológicos: dependendo da complexidade do modelo, são exigidos mais dados. Na ausência de maiores informações meteorológicas como vento, pressão e umidade relativa, deve-se usar métodos de menor complexidade que usem apenas temperaturas médias, por exemplo.
  • Escala temporal requerida: não se utiliza o mesmo método de estimativa para um dia e para um mês. Escalas temporais diferentes utilizam diferentes métodos.
  • Clima local: deve-se conhecer a tendência do clima local e como os métodos foram concebidos. Alguns métodos são adequados para climas mais áridos, enquanto outros são ajustados para climas úmidos. Conhecer bem o clima local é importante, principalmente pequenas alterações micrometeorológicas.

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