A Evolução do Conceito de Tempo na Filosofia

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Platão

O tempo não é uma categoria fundamental no pensamento de Platão, apenas a eternidade. Para o filósofo, o tempo (mundo sensível) é passageiro e imperfeito, sendo um “reflexo” da eternidade (mundo inteligível). Platão não aceita o tempo como uma categoria ligada à eternidade, pois ele é cíclico e se corrompe, diferentemente da eternidade, onde não existe mudança. Para Platão, o mundo criado e ordenado está sujeito à corrupção. O mundo onde vivemos é o "vir a ser", que requer movimento constante, criado como reflexo do bom e do belo. Contudo, é o mundo sensível (cópia) que experiencia o tempo (o dia e a noite, a juventude e a velhice, a vida e a morte, a sede e a fome), ao contrário do criador, que não experiencia o fluxo das coisas sensíveis. Platão recorre aos mitos para expressar a profundidade da natureza humana; o homem é a síntese da criação, contendo por participação as duas naturezas (física/corpo e alma).

Plotino

Para Plotino, o tempo é a eternidade; ele está na alma e a alma na eternidade, sendo percebido apenas pelo intelecto. O mundo sensível (o tempo) não é físico nem cronológico. O tempo é uma qualidade, percepção, condição e produto da alma, enquanto a eternidade é uma qualidade da causa primeira, Deus. O tempo é a imagem fragmentada e sucessiva da totalidade, subordinado à alma. Plotino entende o tempo como imagem da eternidade: ele não existe nas coisas sensíveis, mas na percepção interna do sujeito, sendo a “vida da alma” em transição. O tempo existe na medida em que nossa alma compreende o fluxo e a passagem das coisas.

Santo Agostinho

Agostinho vê na história um caminho específico: o que Deus quer do homem. Ao analisar a perdição das cidades, ele entende que a história mostra a progressão humana, do pecado para a graça, da condição humana para a condição divinizada. Para Agostinho, “tempo” é tempo de salvação. Ele descreve o conflito entre duas cidades: a Celeste e a Terrestre. A história é o itinerário do peregrinar humano, onde as duas cidades místicas tomam corpo real na Igreja e no Império Romano, um reino de virtudes substituindo um reino de violências.

Joaquim de Fiore

Fiore propõe uma concepção trinitária da história, dividida em três eras baseadas na Trindade: a era do Pai (medo e lei), a era do Filho (graça e sabedoria) e a era do Espírito Santo (plenitude e perfeição). Na era do Espírito, os homens são liberados do pecado e das impurezas, alcançando a realização plena através da graça.

Giambattista Vico

Vico restabelece o papel do mito e propõe uma nova visão da natureza humana, sujeita à transformação social. Para ele, a história deve focar nos feitos humanos revelados na linguagem (mítica, poética, teológica, filosófica). A ciência nova deve investigar as mudanças no mundo civil, que ocorrem pelos feitos humanos. Vico defende que a história não pode ser reduzida à razão abstrata ou regras matemáticas, pois “somente quem faz, compreende”. O historiador deve identificar, sem envolvimento ideológico, o contexto histórico para construir uma compreensão racional dos feitos humanos.

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