Evolução e Desafios da População em Portugal
Evolução da População em Portugal: Principais Fatores
- Nota-se uma descida do crescimento efetivo entre 1960 e 1970, justificada pela emigração para outros países e para as colónias devido à Guerra do Ultramar, além da procura por melhores condições de vida.
- Com o fim da ditadura em 1974 e a independência das colónias, o saldo migratório tornou-se positivo, pois a população que residia nos territórios ultramarinos regressou a Portugal. Este saldo manteve-se positivo até 1985, voltando a descer até 1992.
- Entre 1992 e 2003, registou-se nova subida do saldo migratório, impulsionada pela queda do Muro de Berlim e pela chegada de imigrantes em busca de melhores condições de vida.
Crescimento Natural
- Mortalidade: Houve um grande aumento entre 1915 e 1920 devido à 1ª Guerra Mundial e à gripe pneumónica. A partir de 1920, observa-se uma descida acentuada devido à evolução da ciência e ao consequente aumento da esperança média de vida.
- Natalidade: Nota-se uma descida acentuada desde 1925 até à atualidade, devido a fatores como a entrada da mulher no mercado de trabalho e o uso generalizado de contracetivos.
Saldo Migratório em Portugal
- Na década de 1960, assistiu-se a uma baixa do saldo migratório, pois muitos portugueses emigravam em busca de melhores condições de vida.
- Na década de 1970, destacam-se os valores mais altos devido ao retorno dos portugueses das ex-colónias após o fim da ditadura e ao abrandamento da emigração.
- O êxodo rural foi mais intenso nas décadas de 60 e 70, motivado pela falta de recursos no interior, deslocando a maior parte da população para o litoral.
Crescimento Efetivo
- Dada a redução do crescimento natural, o saldo migratório tem sido o principal influente no crescimento efetivo da população desde os anos 90, tanto a nível nacional como regional.
- No Norte, o saldo migratório atingiu valores negativos, contribuindo para a diminuição da população; contudo, em Lisboa ou no Algarve, foi o fator que mais influenciou o crescimento efetivo.
Estrutura Etária da População
De 1960 a 2011, ocorreu um processo duplo de envelhecimento da população portuguesa:
- Na base: Diminuição da proporção de jovens por efeito da redução da natalidade.
- No topo: Aumento da proporção de idosos devido à redução da mortalidade e ao aumento da esperança média de vida.
- Conclui-se que Portugal atravessa um processo de envelhecimento, passando de uma pirâmide jovem em 1960 para uma pirâmide envelhecida em 2011.
Declínio da Fecundidade e Envelhecimento Demográfico
Fatores que explicam a redução da natalidade e da fecundidade:
- Generalização do planeamento familiar e uso de contracetivos;
- Aumento da taxa de atividade feminina;
- Adiamento do casamento e do nascimento do primeiro filho;
- Aumento da exigência e das despesas com a educação dos filhos.
Índice de Longevidade: (População com 75 ou mais anos / População com 65 ou mais anos) × 100
Índice de Envelhecimento: (População idosa / População jovem) × 100
- Em Portugal, a média de vida à nascença aumentou devido à redução da taxa de mortalidade, situando-se atualmente ao nível da média comunitária.
- A maior esperança média de vida da mulher deve-se à menor exposição a acidentes de trabalho, menor incidência de comportamentos de risco e maior cuidado com a alimentação.
- O declínio da fecundidade e o aumento da esperança média de vida conduziram a um progressivo envelhecimento, evidenciado no índice de envelhecimento.
Principais Assimetrias Regionais
- A taxa de natalidade é mais acentuada no litoral e a taxa de mortalidade é mais acentuada no interior, resultando numa grande disparidade populacional entre estas regiões.
- Causas das assimetrias: Êxodo rural, emigração e concentração da imigração no litoral.
Estrutura da População Ativa e do Emprego
Taxa de Atividade: (População Ativa / População Total) × 100
A proporção entre a população ativa e inativa é influenciada por:
- Estrutura etária;
- Participação da mulher no mercado de trabalho;
- Saldo migratório.
Evolução da taxa de atividade:
- Diminuição motivada pelo surto de emigração nos anos 60;
- Aumento nas décadas de 70 e 80 devido à chegada de portugueses das ex-colónias;
- Aumento nas últimas décadas pela entrada da mulher no mercado de trabalho e crescimento da imigração.
- A estrutura etária evidencia a entrada mais tardia dos jovens no mercado de trabalho e o envelhecimento da população ativa.
Evolução dos Setores de Atividade
- Setor Primário: Sofreu uma grande redução devido ao êxodo rural e à crescente mecanização. É mais relevante no Centro de Portugal.
- Setor Secundário: Tende a empregar menos população devido ao desenvolvimento tecnológico. Tem maior relevância no Norte.
- Setor Terciário: Emprega mais de metade da população ativa (terciarização). Destaca-se em Lisboa, Algarve e Madeira.
Qualificação Escolar e Profissional
Apesar dos progressos, Portugal ainda se encontra abaixo dos níveis médios comunitários:
- Redução da taxa de analfabetismo e aumento da taxa de alfabetização;
- Aumento geral dos níveis de escolaridade;
- A nível regional, predomina a população com ensino básico. Lisboa destaca-se com mais população no ensino secundário e superior, enquanto o Alentejo apresenta a situação inversa.
Principais Problemas Sociodemográficos
- O envelhecimento reduz o índice de sustentabilidade (número de ativos por cada idoso).
- Índice de Sustentabilidade Potencial (ISP): Mais alto no litoral e regiões autónomas; mais baixo no interior do continente.
- Índice de Dependência: Jovens e idosos são considerados dependentes. Em Portugal, o índice total diminuiu entre 1981 e 2001, mas voltou a subir em 2011 devido ao aumento da dependência de idosos.
Défice de Qualificação e Emprego
- Os baixos níveis de formação dificultam o desenvolvimento e criam desvantagem competitiva na economia global.
- O desemprego atinge a população de forma desigual: jovens (15-24 anos) têm maior dificuldade de inserção; pessoas com ensino superior apresentam taxas de desemprego abaixo da média nacional.
- Regionalmente (dados de 2012), o Centro apresentava a menor taxa de desemprego e Lisboa a mais alta.
Soluções: Rejuvenescer a População
A imigração é fundamental para:
- Aumentar e rejuvenescer a população ativa;
- Influenciar positivamente a natalidade;
- Contribuir para a sustentabilidade da Segurança Social.
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