A Evolução do Desporto: Da Antiguidade à Era Moderna

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Ao longo dos tempos, as atividades físicas refletiram as dinâmicas da sociedade e a necessidade do homem de adaptar as suas capacidades motoras às exigências das condições de vida. Os exercícios foram sendo retirados, por imitação, do quotidiano: das perseguições, as corridas; das guerras, as lutas; das necessidades de vencer cursos de água, a natação; da necessidade de obter alimentos, o tiro ao arco e a caça; da necessidade de ultrapassar obstáculos, os saltos.

Na atualidade, a atividade física realiza-se por lazer e necessidade de promover a saúde, combatendo o sedentarismo fruto da evolução tecnológica, ou por razões ligadas à produção e ao rendimento desportivo.

Neste aspeto, o século XX transformou e confirmou a importância, o poder e a dinâmica do desporto.

O desporto atual sofreu a influência da tecnologia industrial e da ciência. Foi no último século que começou a diferenciação entre as várias modalidades desportivas, fruto da importância económica de cada uma; acentuou-se a manipulação e a simbiose entre os conceitos de “competição”, “rendimento” e “produção de resultados”; intensificou-se a influência dos meios de comunicação social (sobretudo da televisão); surgiram alguns “modelos” capazes de produzir alterações nas políticas de ambiente, de lazer e de turismo. Poderemos dizer que os modelos de prática desportiva evoluíram da valorização da força e da potência para a produção e o rendimento e, por fim, para a destreza atlética.

Também os espaços desportivos evoluíram de locais com características e obstáculos naturais para espaços geometrizados em função das atividades praticadas:

  • ginásios;
  • estádios;
  • pistas, etc.

Os eventos desportivos passaram a reunir a atenção de milhares de espectadores, movimentam os principais meios de informação e comunicação, produzem trocas comerciais de milhões de euros e dão origem a uma indústria de materiais e equipamentos desportivos à escala mundial.

Em conclusão, os desportos são, em si, uma forma de cultura, tão válida e importante como qualquer outra manifestação intelectual:

  • De facto estritamente desportivo para facto social e cultural;
  • De prática local e regional para facto mundial;
  • De divertimento restrito a uma elite para a prática generalizada para todos, sem discriminação de género, idade, proveniência geográfica ou incapacidade funcional;
  • De privilégio de alguns para a necessidade de todos. E de necessidade a direito. Direito reivindicado, institucionalizado e vertido nas constituições e nas leis das nações;
  • Abordado de modo amador e empírico no início do século XX, para domínio autónomo do conhecimento científico e tecnológico no final do mesmo século, exigindo uma crescente profissionalização e especialização;
  • De oportunidade para a participação das comunidades a fator de identidade.

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