A Evolução da Economia Colonial: Do Açúcar ao Ouro

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A Ocupação Econômica da América

A ocupação econômica da América ocorreu de forma não intencional. A princípio, os portugueses buscavam uma nova rota para as especiarias do Oriente. Ao descobrir o Novo Mundo, a Espanha encontrou muitos metais preciosos, o que lhe garantiu vantagem econômica na Europa; já Portugal não encontrou, no início, fontes de metais.

Os demais países europeus (Inglaterra, França e Holanda) interessaram-se por essas riquezas. Para não perder o domínio sobre as conquistas, Portugal e Espanha tiveram que iniciar a colonização. Para a Espanha foi mais fácil, pois as fontes de metais encontrados entre o México e o Peru geravam grandes ganhos. Portugal, preocupado em manter seus domínios, precisou realizar um esforço para iniciar a colonização, apesar de esta não se mostrar viável economicamente no princípio.

A Empresa Açucareira e a Parceria Holandesa

A fim de encontrar uma forma de cobrir os gastos com a defesa do território, Portugal iniciou a exploração agrícola das terras brasileiras, passando a América a ser parte integrante da economia reprodutiva europeia, criando assim um fluxo de bens destinados ao mercado europeu. Diversos fatores particularmente favoráveis ocorreram de forma a dar êxito à empresa colonial portuguesa. Um dos principais motivos desse êxito foi o conhecimento pré-adquirido sobre o cultivo da cana-de-açúcar que os portugueses obtiveram nas ilhas do Atlântico. Sem conhecer as técnicas de produção e o avanço tecnológico necessário, seria muito difícil obter sucesso.

A partir da metade do século XVI, os flamengos (principalmente holandeses) passaram a operar no refino e comercialização do produto português, tornando-se praticamente uma empresa em comum dos dois países. Os holandeses eram os únicos com capacidade para desenvolver uma organização comercial tão ampla e, portanto, foram de fundamental importância para que Portugal conseguisse manter suas posses no Novo Mundo.

Conflitos de Interesses e a Crise Espanhola

Portugal tinha interesse em manter as posses na América para buscar metais preciosos. O sucesso da empresa agrícola portuguesa cobriu os gastos com a defesa da colônia até que se encontrasse ouro. Assim, quando os outros países europeus começaram a questionar a divisão entre Espanha e Portugal, este já havia avançado enormemente na ocupação efetiva da parte que lhe coubera. O desenvolvimento econômico da colônia portuguesa, gerado pela produção agrícola açucareira, trouxe muitos resultados financeiros, abrindo perspectivas para a utilização econômica das novas terras.

Entretanto, a Espanha havia encontrado ouro em sua parte do Novo Mundo, e a única atividade que realizava era a extração desse metal. Os preços de transporte para a metrópole eram demasiadamente elevados devido às leis monopolizadoras dos portos. Com o grande fluxo de ouro para a Espanha, esse país obteve grande poder econômico, porém houve também uma grande inflação. A alta dos preços espanhóis em relação ao resto da Europa fez com que a Espanha começasse a importar produtos para consumo e diminuísse as exportações. Esse cenário teve efeitos negativos sobre a Espanha e foi altamente estimulante para as demais economias europeias.

A crise econômica estabelecida na Espanha causou grandes prejuízos para as colônias, que não tinham nenhuma empresa econômica além da extração de minérios. Esse fator foi importante para garantir que Portugal obtivesse o monopólio sobre os produtos agrícolas tropicais. O declínio dessa produção na Espanha ocorreu principalmente pela descoberta precoce de metais preciosos.

A União Ibérica e a Concorrência nas Antilhas

Quando houve a absorção de Portugal pela Espanha (União Ibérica) e a Espanha entrou em guerra com a Holanda, o lucrativo negócio entre Portugal e os holandeses foi finalizado. Além disso, a Holanda chegou a dominar o Nordeste brasileiro, passando a conhecer as técnicas de cultivo e quebrando o monopólio desse conhecimento. Quando Portugal se libertou da Espanha, os holandeses já haviam iniciado uma nova colônia de cana-de-açúcar no Caribe, concorrendo no mercado europeu com Portugal.

Além dessa crise causada pela concorrência holandesa, Portugal ainda enfrentava uma forte depreciação da sua moeda frente ao ouro. No século XVII, a Espanha havia perdido grande parte de seu poder na Europa. Esse fato foi observado pela Inglaterra, França e Holanda, que trataram de investir contra a colônia espanhola na América. Um fato marcante foi a ocupação das ilhas do Caribe pela Inglaterra e França, que estabeleceram colônias de povoamento baseadas na cultura de pequenas propriedades.

Diferenças na Colonização da América do Norte

A criação desses núcleos populacionais tinha ambição militar, para confrontar o vasto domínio espanhol. Algumas colônias do norte da América se mostraram antieconômicas e foram grandes fracassos para as companhias que as organizaram. Isso se deu basicamente porque o clima era parecido com o europeu, produzindo os mesmos itens que já se produziam na Inglaterra. O custo elevado do transporte ultramarino também agravou esse problema, o que explica o fraco desenvolvimento inicial das colônias do norte.

Nas Antilhas, a produção de café, algodão e fumo, realizada em pequenas propriedades, fez crescer as milícias francesas e inglesas na área. Para aumentar essas populações, os esforços para recrutar mão de obra disposta a trabalhar em regime de servidão em troca de terra foram muito grandes; até mesmo sequestros foram empreendidos para levar novos imigrantes à Nova Inglaterra. A população europeia que fora expelida das Antilhas (pela expansão da produção açucareira) passou a migrar para as colônias do norte. A indústria de açúcar implantada no sul deu viabilidade para as colônias do norte, que passaram a suprir as necessidades do mercado sulista. Houve, inclusive, a criação de uma indústria naval que encontrou condições favoráveis nessa região.

Integração Econômica e o Trabalho Escravo

A integração entre os sistemas econômicos das duas áreas coloniais foi muito importante para o desenvolvimento dessas regiões. A parte sul, que exportava açúcar ao mercado europeu, era abastecida pela parte norte, que se especializou no mercado interno. Isso deu início a uma nova etapa na colonização, caracterizada pela similaridade com a da Europa contemporânea, dirigida de dentro para fora.

À medida que a agricultura tropical mostrava sinais de sucesso em regiões como a Virgínia, as pequenas propriedades eram englobadas em grandes unidades agrícolas. A falta de mão de obra tornou-se novamente um problema, necessitando do uso da mão de obra escrava africana. A expulsão dos holandeses do Nordeste do Brasil fez surgir uma nova situação: os holandeses, que agora dominavam as técnicas de cultivo, fizeram uma parceria com os colonos das Antilhas. Em pouco tempo, formou-se uma economia açucareira de grandes proporções que se beneficiava da localização geográfica.

A Aliança com a Inglaterra e o Ciclo do Ouro

Portugal só conseguiu manter a colônia mais lucrativa da época devido ao regime de semidependência ao qual se sujeitou com a Inglaterra. Foram firmados vários tratados onde Portugal fazia concessões e a Inglaterra pagava com promessas ou garantias políticas. Enfraquecido pelo conflito com a Espanha, Portugal precisou buscar aliança com a Inglaterra a fim de manter seus domínios coloniais, o que marcaria profundamente a vida política e econômica de Portugal e do Brasil.

O rápido desenvolvimento da produção do ouro no Brasil, a partir do século XVIII, modificou os termos do problema. A descoberta de ouro causou alterações fundamentais nas estruturas coloniais. A população escrava passou a constituir minoria frente aos imigrantes europeus que vinham em busca do metal. Para a Inglaterra, o ciclo do ouro trouxe grandes benefícios; para Portugal, coube apenas uma riqueza fictícia, já que os acordos com a Inglaterra resultavam em um domínio inglês sem uso de força militar. Em fins do século XVIII, com a decadência da mineração, a Inglaterra já se encontrava em plena Revolução Industrial, impondo o abandono dos princípios protecionistas e o início das ideias liberais.

Independência e Estrutura Social

A forma como aconteceu a independência do Brasil fez com que o novo país continuasse a ser explorado pela Inglaterra. A independência foi uma operação simples do ponto de vista militar, mas, do ponto de vista econômico, exigiu que o Brasil se submetesse à Inglaterra para obter reconhecimento. Um dos grandes problemas da economia açucareira foi a mão de obra, resolvida através do trabalho escravo. A renda gerada era quase totalmente apropriada pelos senhores de engenho, sem dinamizar a economia interna ou gerar divisão do trabalho.

A economia açucareira diferenciava-se de uma economia industrial pois não gerava fluxo de pagamentos internos nem expansão do consumo. Era o mercado externo que a dinamizava. O trabalho indígena foi utilizado em tarefas não especializadas, enquanto a mão de obra africana foi introduzida por ser mais eficiente. Os sistemas açucareiro e criatório foram fundamentais para a constituição da economia brasileira.

Pecuária, Subsistência e o Surgimento do Café

Na pecuária, a queda da demanda externa teve menores efeitos, pois não dependia de grandes gastos monetários para expansão. Com o declínio da economia açucareira no fim do século XVII, o destino do Brasil parecia incerto até a descoberta dos metais preciosos. A economia mineira foi marcada pela alta lucratividade e mobilidade, permitindo a articulação de diferentes regiões do país e o desenvolvimento do mercado interno.

Com o declínio do ouro, o sistema se descapitalizou, voltando-se para a subsistência. Contudo, o século XIX mostrou-se promissor para a economia cafeeira. Utilizando mão de obra subutilizada e exigindo baixo capital inicial, o café concentrou-se na região montanhosa próxima à capital, aproveitando recursos preexistentes e a proximidade do porto. No final do século XVIII e início do XIX, eventos como a Independência dos EUA e as Guerras Napoleônicas abalaram o mercado mundial, trazendo, consequentemente, um novo período de prosperidade para diversos setores no Brasil.

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