Evolução Econômica Brasileira: Do JK ao Plano Real

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Evolução Industrial e Planos Econômicos no Brasil

O Início do Desenvolvimento Industrial (Governo JK)

O crescimento industrial no Brasil ocorreu a partir do início do governo de Juscelino Kubitschek (JK), com o Plano de Metas (PM). Este plano continha 31 metas, incluindo a construção de Brasília. Um dos focos do PM estava nos setores de energia, transporte e siderurgia. O PM dava um tratamento diferenciado ao capital estrangeiro e, em sua maioria, alcançou boas taxas de realização.

O crescimento industrial estava estruturado em um tripé, formado por empresas estatais, capital estrangeiro e capital privado nacional. Em 1970, essas empresas começaram a dominar amplamente a produção industrial. O predomínio das empresas foi uma consequência direta das características da industrialização do capital monopolista.

Crise Cíclica e Instabilidade Política

Em 1962, a economia entrou em crise, uma crise cíclica agravada pelo aumento da instabilidade política e pelas políticas de estabilização recessiva. Isso ocorreu pelo fato de ser uma economia que se industrializava mantendo enorme dependência em relação ao setor externo. A economia sofreu uma desaceleração.

Com o renunciamento de JK, João Goulart tomou posse como presidente. No final de 1962, veio o Plano Trienal, que era uma resposta política para a disparada da inflação e à deterioração econômica externa. O objetivo do plano era retomar o crescimento do Brasil.

Ditadura Militar e o PAEG

No início da ditadura militar, foi elaborado o PAEG (Plano de Ação Econômica do Governo), que tinha como objetivos retomar o desenvolvimento, a estabilidade dos preços e a correção dos déficits do balanço de pagamentos. A avaliação do PAEG foi positiva, conseguindo reduzir a taxa de inflação. Entretanto, essa política teve um grande custo social. Em 1967, foi criada a reforma tributária.

Após o início do milagre econômico, houve um aumento do endividamento externo. Com o PAEG, o Brasil teve um crescimento econômico, porém esse crescimento trouxe benefícios apenas para as classes mais altas.

II PND e a Crise da Dívida

No governo de Ernesto Geisel, foi implantado o II PND, que tinha como prioridade as indústrias produtoras de bens de capital e de bens intermediários. O II PND refletiu-se em déficit em transações correntes e em crescimento da inflação, o que levou as autoridades econômicas a optar pela diminuição das taxas de crescimento industrial. A desaceleração da implantação do II PND adiou o início das atividades dos grandes projetos nas áreas de energia, química pesada, siderurgia, etc.

A retomada do desenvolvimento foi impulsionada pela manutenção dos investimentos nos setores de energia, de substituição de importação de insumos básicos e nas atividades voltadas para a exportação, especialmente a agricultura.

A grave deterioração das contas externas provocou uma guinada radical: a política macroeconômica a partir daí se voltaria para o controle da absorção interna, reduzindo as necessidades de divisas estrangeiras. Na década de 1980, o país teve que recorrer ao FMI.

Anos 80: Endividamento e Ajuste Patrimonial

Em 1984, houve uma retomada do crescimento, impulsionada pelas exportações crescentes. Para esse crescimento, previa-se uma desvalorização do cruzeiro. O aumento da dívida bruta e a taxa de juros cada vez mais altas tornaram o endividamento externo um processo autoalimentado.

A partir de 1979, a situação das contas externas tornou-se extremamente grave, devido ao novo choque do petróleo e ao choque dos juros externos. No período de 1981 a 1983, as grandes empresas acumularam lucros excessivos, realizando um notável ajuste patrimonial, diminuindo em muito o seu endividamento.

Entretanto, a participação do setor financeiro no PIB do país era muito superior àquela verificada nos países desenvolvidos. O sistema financeiro brasileiro tornou-se desenvolvido, concentrador de renda e de poder político, com prejuízos sociais.

Governo Sarney e o Plano Cruzado

Com José Sarney, a balança comercial foi reequilibrada devido à desvalorização cambial, e a economia voltou a crescer. Foi estabelecido o Plano Cruzado, que consistia no congelamento alto dos preços para a preservação de lucro dos capitalistas, porém sacrificando as empresas estatais. O plano tinha como objetivo conter o processo inflacionário inercial.

O cruzado sobrevalorizado dificultou as exportações. O governo foi reeleito decretando o Cruzado II, o brusco reajuste dos preços de diversos bens de consumo. A inflação explodiu nos meses seguintes, as taxas de juros subiram, empresas faliram, a dívida aumentou muito, e o plano perdeu credibilidade internacional.

Depois disso, o cruzado desvalorizou, aumentaram as exportações, houve redução de gastos do governo, e o câmbio passou a ser desvalorizado diariamente. O plano alcançou alguns objetivos, mas não tinha o apoio da opinião pública.

Governo Collor e a Transição

No governo Fernando Collor, foi anunciado o Plano Collor I, que mudou de cruzado para cruzeiro, estabilizou os preços e incluiu o confisco de poupança, entre outras medidas. Deslanchou os processos de privatização, com o Programa Nacional de Desestatização. Em 1991, editou o Plano Collor II, voltado para o controle das operações financeiras.

Plano Real: O Controle da Inflação

Em 1995, a taxa de inflação foi controlada pelo Plano Real, que teve duas fases:

  • Plano Real I: Teve início durante o governo de Itamar Franco até a crise de 1998. Caracterizou-se pela âncora cambial e juros elevados, e pela criação da URV. Em 1994, foi lançada a nova moeda, o Real. Medidas incluíram corte de gastos para maior eficiência, privatização e fim da inadimplência de municípios e Estados em relação às dívidas com a União. O programa foi marcado por acertos (diagnóstico correto das raízes do processo inflacionário e construção de uma âncora fiscal) e erros (início do reinado do capital especulativo e privatizações).
  • Plano Real II: Iniciou-se em 1999 com a mudança do regime fiscal e cambial e com a introdução da política de metas para a inflação. Caracterizou-se pelo câmbio flutuante, metas inflacionárias, estabelecimento de metas para os superávits para evitar o crescimento da dívida pública, elevada carga tributária e redução dos investimentos públicos em infraestrutura.

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