Evolução da Ética: Das Teorias Clássicas à Contemporaneidade

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O nascimento da ética deveu-se a uma crise da cultura grega, principalmente no embate entre os Sofistas e Sócrates (conflito ético / conflito de valores).

  • Platão: Associou o objeto final do conhecimento à plenitude do prazer. Os prazeres do corpo são um trampolim para os prazeres da alma e do espírito.
  • Aristóteles: Desenvolveu uma teoria da ação focada no ser humano como fonte e princípio do agir. Uma vida boa culmina na virtude da amizade, que inclui justiça, concórdia, amor benevolente e nobreza. Os seres humanos sentem afeto por aquilo que é digno de ser amado, mas a amizade só existe quando os sentimentos são recíprocos.
  • Santo Agostinho: Fundamentou a moral cristã, cujo objetivo é ajudar os seres humanos a serem felizes, mas a felicidade suprema consiste num encontro amoroso do homem com Deus.
  • São Tomás de Aquino: Procura fundamentar a ética tendo em conta as questões colocadas na Antiguidade Clássica por Aristóteles.
  • Descartes: Reconheceu que seria impossível estabelecer princípios seguros para a ação humana e limitou-se a recomendar uma moral provisória de tendência estoica. O seu único princípio ético consistia em seguir as normas e os costumes morais que visse a maioria seguir, evitando, deste modo, ruturas ou conflitos.
  • John Locke: Parte do princípio de que todos os homens nascem com os mesmos direitos à liberdade, à propriedade e à vida, pelo que as interações devem ser pautadas pelo respeito.
  • David Hume: Defende que as nossas ações são, em geral, motivadas pelas paixões, que resultam de dois princípios éticos fundamentais: a utilidade e a simpatia.
  • Jean-Jacques Rousseau: Concebe o homem como um ser bom e atribui a causa de todos os males à sociedade e à moral que o corromperam. O homem sábio é aquele que segue a Natureza e despreza as suas convenções sociais.

A Ética na Cultura Contemporânea

É preciso gerir, de modo justo, o conflito de tradições. O problema da coexistência não implica a superação da teologia enquanto determinação da moral pública. Reduzida à pura teoria e à pura prática das regras da coexistência, a ética desvia-se do ponto de vista do agir e dos fins da ação. Priva-se, por isso, da possibilidade de responder à exigência do sentido do homem contemporâneo.

A simples substituição do paradigma da coexistência — a justiça — pelo sentido da coexistência — o bem — conduz-nos, desde então, a um desvirtuamento do vivido subjetivo e intersubjetivo. Sufocada debaixo das problemáticas de uma racionalidade puramente instrumental, a questão do sentido do agir acaba por desaparecer. As vidas humanas, instaladas numa visão do mundo muitas vezes condicionada pela opinião e pelos media, ficam submetidas a um nivelamento geral.

A profundidade e a extensão da crise que afeta as sociedades contemporâneas exigem uma nova articulação entre a regra e o sentido da coexistência. O sujeito constitui-se como tal, interiorizando a totalidade que o envolve e re-exteriorizando-se nos seus atos. O universal singular é uma categoria antropológica de base; o sujeito é uma síntese viva da universalidade e da singularidade.

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