A Evolução da Linguagem na Filosofia: De Górgias a Agostinho
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Górgias: A Linguagem como Técnica e Persuasão
Para Górgias, o discurso tem a função de explicar o funcionamento mágico e fisiológico da fala. Ele possui um poder regulador e acentua a natureza física da linguagem, conduzindo os ouvintes e apelando ao emocional. Górgias entende o discurso como uma técnica, pois estabelece leis que capacitam o homem a modelar objetos. A linguagem é a técnica inata que constrói o falso e o verdadeiro, não sendo algo natural; o que é verdade para um, pode não ser para outro.
Para o autor, somos convencidos mais pela autoridade de quem fala do que pela credibilidade da fala em si. Ele define a persuasão como uma "droga": as palavras podem curar, causar confiança, provocar medo ou alegria. Existem dois tipos de persuasão: a que leva à verdade e a que leva à mentira — sendo esta última a que atingiu Helena, provocando nela uma falsa crença.
Platão e o Crátilo: Convenção vs. Natureza
Platão, no Crátilo, explora se a linguagem é uma convenção ou se os nomes existem por natureza. Inicialmente, defende a tese naturalista: há uma conformidade natural entre palavras e coisas. Contudo, Sócrates levanta um problema: a linguagem limita o conhecimento do objeto. Ao nomear uma "garrafa", limitamos sua essência, pois ela pode conter água, leite ou café.
Enquanto para os sofistas o essencial era o entendimento mútuo, para Sócrates e Platão, a linguagem é um instrumento de transmissão da verdade. Platão argumenta que as palavras servem para falar, não para conhecer, pois o conhecimento real ocorre no Mundo das Ideias. Os nomes são válidos na medida em que remetem a coisas universais, representando a essência e não a coisa em si.
Aristóteles: Linguagem, Política e Estrutura
Aristóteles vincula a linguagem ao aspecto político. Ela é uma capacidade natural humana, estruturada e dotada de "Logos". Diferente dos animais, que produzem apenas sons (sensações), o homem utiliza a linguagem para ordenar o pensamento através de categorias gramaticais e estruturais.
Na sua obra política, Aristóteles destaca que o homem é um "animal político" justamente por sua natureza linguística. Sem a linguagem, não haveria sociedade, pois acordos e projetos comuns exigem comunicação. O problema central para Aristóteles não é a falsidade, mas a incompreensão. Ele parte do concreto para o abstrato: o intelecto entende a forma e, pela linguagem, nomeia o objeto.
Agostinho: A Linguagem como Ponte e Iluminação
Para Agostinho, a linguagem é a ponte de conexão entre o homem, o mundo e o divino. Baseado na Teoria da Iluminação Agostiniana, ele propõe um processo pedagógico onde o mestre comunica e o discípulo aprende, visando a interiorização da Palavra de Deus: "O que passa pela mente, chega ao coração".
Agostinho classifica os sinais em:
- Naturais: Evocam sons sem significados verbais.
- Convencionais: Sons que transmitem sensações e pensamentos, onde as palavras funcionam como sinais e substituições.
As palavras dos mestres servem como advertências, um caminho para que o aluno volte ao seu interior e visualize o conhecimento ensinado por Deus. A linguagem falada deve ser isenta de erros, pois reflete a linguagem do espírito.