A Evolução da Psicologia: Da Grécia à Modernidade

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O principal objeto de pesquisa da Psicologia hoje é o Homem.

Na época da Grécia Clássica, compreendia-se a alma ou mente humana como a responsável por uma representação interna da realidade exterior e, consequentemente, pelo comportamento daí resultante.

Sócrates tornou-se um dos principais pensadores da Grécia Antiga. Podemos afirmar que Sócrates fundou o que conhecemos hoje por filosofia ocidental. Os pré-socráticos tinham uma visão mítica e religiosa da natureza, adotando uma forma de pensar racional.

Seus primeiros estudos e pensamentos discorrem sobre a essência da natureza da alma humana. Afirmava que a principal característica humana era a razão, dada ao homem pela alma, aspecto que permitiria ao ser humano deixar de ser um animal irracional.

Platão concebia a alma separada do corpo, acreditando na imortalidade da alma e na reencarnação. As almas pertencem ao Mundo Inteligível ou Mundo das Ideias, enquanto os corpos pertencem ao Mundo Sensível ou Físico. As almas aspiram a libertar-se dos corpos e retornarem ao mundo das ideias. No entanto, para que isso aconteça, é necessário que se libertem do ciclo de reencarnações a que estão aprisionadas. Quando morre um corpo, a alma transmigra para outro, mas antes faz uma viagem pelo mundo das ideias. As almas dos indivíduos que tiveram uma vida virtuosa são recompensadas de duas formas:

  • a) Na sua nova passagem pelo Mundo das Ideias, têm um maior contato com as ideias;
  • b) O novo corpo em que reencarnam pertence a uma pessoa com um estatuto social mais elevado que o anterior.

A união da alma com um corpo não faz desaparecer as ideias que nela existem. Segundo Platão, a psique é a vida mental, interna do ser humano.

Aristóteles, discípulo de Platão, acreditava na não dissociação do corpo e da alma, ou seja, na sua relação de pertencimento ao corpo. Entendia corpo e mente de forma integrada e percebia a psique como o princípio ativo da vida, consequentemente acreditando na mortalidade da alma. Para Aristóteles, tudo o que tinha vida tinha também uma alma:

  • Os vegetais possuíam a alma vegetativa (com a função de alimentação, reprodução e repouso);
  • Os animais possuíam essa alma e a alma sensitiva (com a função de percepção e movimento);
  • A alma do homem teria as duas funções anteriores acrescidas de uma terceira: a função pensante.

Santo Agostinho (Aurélio Agostinho), inspirado em Platão, acreditava que a alma era imortal, sendo a sede da razão e de uma manifestação divina. O último dos filósofos da Antiguidade e o primeiro do mundo medieval foi o responsável pela sistematização da filosofia cristã durante a Idade Média. No seu livro A Doutrina Cristã, estabeleceu que os cristãos devessem, sim, utilizar-se da filosofia pagã grega em tudo aquilo que julgassem útil para o desenvolvimento do cristianismo, desde que fossem compatíveis com a fé.

São Tomás de Aquino enfrentou o início de um movimento protestante. Buscou em Aristóteles a distinção entre essência e existência (o homem, na sua essência, busca a perfeição em sua existência, porém o único capaz de atingi-la seria Deus). Apoiava os dogmas da Igreja.

A Reforma Protestante: Durante a Idade Média, os povos europeus cristãos reconheciam a Igreja Católica como a única autoridade espiritual existente. No entanto, o alto clero havia acumulado tanto poder que passou a se preocupar mais com as questões terrenas do que com as espirituais. Era comum encontrar religiosos envolvidos com nepotismo, corrupção e luxúria, o que deixava a Igreja cada vez mais desacreditada perante a população. Em 1517, no entanto, o catolicismo sofreu um grande abalo. Naquele ano, o monge alemão Martinho Lutero criticou duramente essas práticas vergonhosas e desencadeou um processo de reforma religiosa que provocou um verdadeiro cisma na Igreja Católica. Estava nascendo o protestantismo, um movimento que obrigou os católicos a mudarem sua postura para recuperar o prestígio junto a seus fiéis.

Martinho Lutero: Durante seus estudos, sempre o acompanhava a pergunta: "Como posso conseguir o amor e o perdão de Deus?". Ele foi descobrindo ao longo de suas pesquisas que, para ganhar o perdão de Deus, ninguém precisava castigar-se ou fazer boas obras, mas somente ter fé em Deus. Com isso, ele não estava inventando uma doutrina, mas retomando pensamentos bíblicos importantes que estavam à margem da vida da igreja naquele momento. Lutero decidiu tornar públicas essas ideias e elaborou as 95 Teses, reunindo o mais importante de sua redescoberta teológica, e fixou-as na porta da igreja do castelo de Wittenberg. Ele pretendia abrir um debate para uma avaliação interna da Igreja, pois acreditava que ela precisava ser renovada a partir do Evangelho de Jesus Cristo. Em pouco tempo, toda a Alemanha tomou conhecimento do conteúdo dessas teses, que se espalharam também pelo resto da Europa.

Protestantismo: Um dos pontos de destaque da reforma é o fato de ela ter possibilitado um maior acesso à Bíblia, graças às traduções feitas por vários reformadores (entre eles o próprio Lutero) a partir do latim para as línguas nacionais. Nas primeiras décadas após a Reforma Protestante, surgiram diversos grupos, destacando-se o Luteranismo e as Igrejas Reformadas ou Calvinistas (Presbiterianismo e Congregacionalismo). Nos séculos seguintes, surgiram outras denominações reformadas, com destaque para os Batistas e os Metodistas.

René Descartes: A alma não é mais entendida nos termos de Aristóteles e dos escolásticos, como forma do corpo ou princípio de vida. Alguns pesquisadores alegam que essa hipótese assumida por Descartes foi um subterfúgio encontrado para continuar suas pesquisas, desenvolvidas a partir da dissecação de cadáveres, com o apoio da Igreja e protegido contra a Inquisição. A maior contribuição de Descartes para a história da Psicologia Moderna foi a tentativa de resolver o problema corpo-mente, uma questão controversa que perdurava desde o tempo de Platão. Descartes assumiu a posição dualista defendendo a interação entre mente e corpo, sendo esta maior do que se imaginava: não só a mente poderia influenciar o corpo, mas o corpo também poderia influenciar a mente. Descartes argumentou que a função da mente era somente a do pensamento e que todos os outros processos eram realizados pelo corpo. Mente e corpo, apesar de serem duas entidades distintas, são capazes de exercer influências mútuas e interagir no organismo humano.

Dualismo Mente/Corpo:

  • Mente: Parte não biológica do homem, consciência pura, pensamento, vontade, compreensão e julgamentos.
  • Corpo: Parte biológica do homem, movimentos, emoções e paixões, sensações e percepções.
  • Nota: Há uma área confusa de transição entre mente e corpo que envolve emoções e percepções.

Charles Robert Darwin: Responsável pela criação da Teoria da Evolução, que tem por base o lento processo de seleção natural. Darwin tinha 22 anos quando zarpou, em 1831, no Beagle, com a missão primária de mapear reentrâncias mal conhecidas do litoral da costa sul-americana. A viagem durou quatro anos e nove meses. Darwin enterrou o antropocentrismo com sua tese evolucionista. Muitas pessoas sentiam que a visão de Darwin sobre a natureza acabava com a importante distinção entre homem e animais. O próprio Darwin não defendia suas ideias em público, embora lesse avidamente tudo sobre o debate. Ele se encontrava frequentemente doente e apenas fazia comentários através de cartas e correspondências. A teoria de Darwin também foi usada como base para vários movimentos da época e tornou-se parte da cultura popular. O livro foi traduzido para muitos idiomas e teve numerosas reimpressões.

Três Correntes Teóricas:

  • O Funcionalismo foi elaborado por William James (1842-1910), que teve a consciência como sua grande preocupação — como funciona e como o homem a utiliza para adaptar-se ao meio.
  • No Estruturalismo, Edward Titchener (1867-1927) também se preocupava com a consciência, mas com seus aspectos estruturais — percebiam a consciência, isto é, seus estados elementares, como estruturas do Sistema Nervoso Central.
  • O Associacionismo foi apresentado por Edward Thorndike (1874-1949). Seu ponto de vista era que o homem aprende por um processo de associação de ideias, das mais simples às mais complexas.

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