Evolução do Romance Espanhol: De 1940 à Atualidade

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Tendências Narrativas: De 1940 à Atualidade

Década de 1940

O romance do pós-guerra abre em 1942 com A Família de Pascual Duarte, de Camilo José Cela. Após a sua libertação, surgiu o alarmismo, caracterizado pelo aparecimento na literatura de criminosos, idiotas e prostitutas. Outros romances de sucesso foram Mariona Rebull, de Ignacio Agustí, e Nada, de Carmen Laforet.

Década de 1950: O Realismo Social

Nesta década, começou a cultivar-se o chamado realismo social. Suas características são:

  • Estrutura aberta, o "antinovel";
  • A figura do herói é diluída em uma liderança coletiva;
  • Tentativa de mostrar a realidade espanhola como ela é;
  • Influência da técnica narrativa estrangeira.

Dentro do realismo social, destacam-se duas tendências:

  • Objetivismo (ou neo-realismo): O romancista "filma" a realidade para que o leitor tire as suas próprias conclusões.
  • Realismo Crítico: O romancista procura sacudir as consciências e denunciar as injustiças sociais.

Década de 1960

Em 1962, surgiu Tempo de Silêncio, de Luis Martín-Santos, romance que marca a abertura de um novo ciclo. Não foca na propriedade coletiva, mas no caráter individual. Os personagens são económica, social e culturalmente diferentes, mas estão interligados pelas circunstâncias. Inicia-se uma fase que valoriza aspectos formais e incorpora técnicas europeias e americanas, onde o protagonista encarna a luta do indivíduo contra a sociedade.

De 1970 até à Atualidade

O romance da década de setenta continua a buscar novas formas e maximiza o experimentalismo. No entanto, alguns autores, assimilando as inovações, redescobrem o prazer da imaginação e da fantasia.

Camilo José Cela

A leitura sistemática dos clássicos e de Ortega y Gasset deixou uma marca profunda em Cela. Sua visão de uma Espanha dilacerada inspira um gênero literário, o ponto carpetovetónico, misturando, nas palavras do autor, "hipérbole e chafarrinón".

A Família de Pascual Duarte (1942) reflete a atmosfera pessimista da guerra, rica em cenas de violência. A degeneração da narrativa de Cela culmina em A Colmeia (1951), referência no romance neorrealista espanhol, que retrata o Madrid do pós-guerra através de fragmentos de vidas de diversos personagens. Outras obras importantes incluem Mrs. Caldwell fala com seu filho (1953), San Camilo, 1936 (1969), Tenebrae 5 (1973) e Mazurca para dois mortos (1983).

Juan Marsé

Iniciou a sua carreira literária em 1958. Em 1959, recebeu o prêmio Sésamo e, dois anos depois, publicou o seu primeiro romance, Encerrados com um único brinquedo. Entre 1959 e 1962, viveu em Paris, trabalhando no Instituto Pasteur.

De volta a Barcelona, publicou Esta face da lua (1962), obra posteriormente repudiada pelo autor. Em 1970, publicou A excelente história sombria de Montse primas, estabelecendo a chave do seu mundo literário. A década de 90 marcou a sua consagração definitiva, recebendo prêmios como o Aristeion e o Prêmio Internacional de Crítica. Obras como Últimas tardes com Teresa, Se te disser que caí e A rapariga das calças de oiro foram adaptadas ao cinema.

Miguel Delibes

Miguel Delibes é marcado pela fidelidade às suas ideias e pelo apego às terras de Castela. A sua obra gira em torno da morte, infância, natureza e o próximo. Delibes foca no ser humano como indivíduo único, tratando crianças e idosos com especial ternura.

O seu primeiro romance, A sombra do cipreste é alongada (1948), é existencialista. Em 1950, publicou O Caminho, sobre a perda da infância. Seguiram-se A folha vermelha (1959), Ratos (1962) e Cinco horas com Mario (1966), onde explora o monólogo interior. Outras obras notáveis incluem As guerras dos nossos antepassados (1975), Os santos inocentes (1981) e Cartas de amor de um sexagenário voluptuoso (1983).

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