Evolução do Romance Espanhol: Do Pós-Guerra aos Anos 70
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No início dos trabalhos deste período, elogia-se o novo regime e, em seguida, surgem os textos mais próximos da realidade da época. Dominará na primeira fase um tipo de realismo para os anos 50, que será social. Dentro dos anos 60, abandona-se o realismo e a narrativa surge uma renovação, que percorre o início dos anos 70, voltando a dar importância à argumentação e será renovada com uma autêntica narrativa.
1. Novela no Exílio
A Guerra Civil causou o exílio de muitos autores. Em suas obras, serão temas comuns a memória do conflito militar ou a presença dos lugares que escolheram para o exílio, com destaque para o México. Autores:
- Ramon J. Sender: Conhecido por suas obras Requiem por um Camponês, de tendência realista espanhola, que conta como um sacerdote recorda Miller, como ele morreu por suas ideias, que descrevem o que é o padre que denunciou o moleiro. A Aurora Chronicle também observa que é uma autobiografia do autor, refletindo a alfândega espanhola por um americano que se reuniu com a tese de trabalho de Nancy.
- Rosa Chacel: Autora que segue as ideias de Ortega y Gasset e colabora na revista Ocidente. Em sua produção Memórias de Leticia Valle, destaca-se o tema recorrente da sedução de uma jovem por um homem mais velho. Elementos biográficos são usados em seu Barrio Maravilloso, onde relata sua estadia em um subúrbio de Madrid.
- Max Aub: Autor cujo tema é o ser humano, entendido em sua dimensão política e moral. O autor recria os estágios da Guerra Civil em seu livro mais conhecido, O Labirinto Mágico, apelidado de seus Campos.
- Francisco Ayala: Suas obras são orientadas para os problemas humanos. Na maioria delas, critica vícios humanos e aspectos sociais e políticos, como em Morte em seu Cachorro, e também faz uma crítica à corrupção da nobreza em A Vidraça do Segundo Plano.
2. Novidades na Década de 40
O romance divide-se em um realismo existencial e surge uma corrente chamada de "tremendismo". As obras refletem um povoado pessimista e amargo, com uma vida cristã povoada por personagens frustrados. As características inovadoras dos anos 40 são:
- A abordagem é linear.
- Os personagens mostram sua frustração.
- A angústia existencial é muito presente.
- Temas: a solidão, a morte, o pessimismo e a frustração.
A corrente tremendista abre com A Família de Pascual Duarte (1942), de Camilo José Cela, inserida nesta corrente porque o autor apresenta a crueldade no caráter de Pascual, uma história de assassinato contada em linha reta, como uma autobiografia cometida.
Os autores do realismo existencial atual:
- Carmen Laforet: Com seu trabalho Nada, a protagonista é uma jovem frustrada que não consegue realizar seus sonhos. A protagonista vai a Barcelona estudar, morando em uma casa com seu tio e descobrindo um ambiente hostil. Depois, conhece uma jovem e decide ir a Madrid para continuar sua vida.
- Miguel Delibes: Com seu trabalho A Sombra do Cipreste é Longa, retrata a moral hipócrita da criação da província, neste caso, Ávila.
3. Novidades na Década de 50
Neste momento, aparece uma liberação provisória do uso da ditadura de Franco, permitindo que muitos autores reflitam a situação espanhola. O romance se ambienta em uma época de realismo social. As características deste romance são:
- Foco em questões da sociedade espanhola, refletindo a vida urbana e rural.
- Nos personagens, há uma preferência por grupos incapazes de compreender a realidade e que não se transformam.
- A ação ocorre em um curto espaço de tempo.
- Importância da descrição para caracterizar os personagens.
- Com a objetividade dos textos, há o desaparecimento do narrador e a narrativa é linear.
Autores:
- Camilo José Cela: Com sua obra A Colmeia, um romance aberto com mais de 200 personagens, através dos quais Cela faz uma descrição do homem.
- Miguel Delibes: Com seu trabalho O Caminho, que fala sobre a vida rural, cujo protagonista, Daniel, o Coruja, narra sua última noite na cidade antes de partir para estudar.
- Rafael Sánchez Ferlosio: Com sua obra O Jarama, que conta como um grupo de jovens decide passar um dia no rio Jarama e uma moça se afoga. A partir daí, os jovens falam sobre assuntos triviais e discussões sobre amizade.
- Carmen Martín Gaite: Com seu trabalho Entre Cortinas, descreve a atmosfera da província de Salamanca através de uma jovem professora. As reflexões da jovem são produzidas com a filha do diretor sobre a sociedade patriarcal e as baixas aspirações das moças.
- Ignacio Aldecoa: Sua pintura Os Braves denuncia a vida difícil dos trabalhadores agrícolas, que, apesar de seus sacrifícios e grandes esforços, são incapazes de sair de sua miséria. Há também uma crítica à ignorância do povo rural e ao despotismo.
4. Romance nos Anos 60
O romance foca na linguagem, adicionando novas técnicas narrativas, o que caracteriza este romance experimental ou novela, com as seguintes características:
- Perturbação da ordem linear.
- Uso do perspectivismo nas obras, misturando diferentes pontos de vista.
- Uso do monólogo interior.
- Importância do diálogo e combinações de estilos direto e indireto.
Autores:
- Luis Martín Santos: Com seu trabalho Tempo de Silêncio, utiliza uma mistura de estilos, perspectivismo, monólogo interior... Em seus trabalhos, há reflexões sobre as dificuldades da vida na Espanha, marcada pela pobreza e desigualdade social.
- Juan Marsé: Com seu trabalho mais recente Tardes com Teresa, faz uma crítica liberal da classe burguesa; no trabalho são representadas duas classes: a alta burguesia e a classe trabalhadora (Teresa). Também se destaca A Calcinha Dourada, com a qual o autor, através de seu personagem, mostra a história da Espanha.
- Miguel Delibes: Com seu romance experimental Cinco Horas com Mario, apresenta um monólogo realizado por Carmen, que fala com seu marido falecido.
- Camilo José Cela, com seu romance experimental San Camilo, 1936, apresenta o primeiro dia da Guerra Civil vivido por seus protagonistas: a violência, o caos...
- Juan Goytisolo: Em sua obra Sinais de Identidade, apresenta a sociedade espanhola e seu passado histórico, visto por seu protagonista, que precisa recuperar sua identidade após a perda de memória em um acidente.
Outros autores são Juan Benet e seu romance experimental Retorno à Região, e Gonzalo Torrente Ballester e seu trabalho Saga/Fuga de JB.
No início dos anos 70, nosso romance passa por uma reforma, com a publicação de Fatos no Processo Sabolta de Mendoza em 1975. Dentro deste período, registra-se um grupo de autores que formam a Geração de 68, cuja renovação voltará a dar importância à argumentação e continuará a usar técnicas narrativas antigas e novas. Neste momento, existem várias tendências projetando o romance: de intriga, de fantasia, de depoimento, psicológico, histórico, etc.