Evolução dos Sistemas de Produção e Gestão
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- A divisão do trabalho deve ser entendida como a separação de diferentes ocupações e tarefas (SMITH, 1776). É o conceito básico a partir do qual se constroem os modelos de organização do trabalho e da produção na Engenharia de Produção.
- A organização do trabalho define o conteúdo, métodos e inter-relações entre cargos para satisfazer requisitos organizacionais, tecnológicos, sociais e individuais.
- O processo envolve dimensões técnicas e sociais, com quatro modelos principais (FLEURY, 1980): (1) artesanal; (2) parcelar; (3) cargos enriquecidos; (4) grupos semi-autônomos.
- Outra forma de compreender a organização do trabalho refere-se à divisão entre unidades, equipes e funções permanentes ou temporárias.
- A organização da produção é o conjunto formado pelo arranjo físico, equipamentos, fluxo de materiais e organização do trabalho (DIEESE, 1994).
- A organização do trabalho, a organização da produção e a gestão do conhecimento constituem um sistema integrado na Engenharia de Produção (MUNIZ, 2007).
- Segundo Antunes (2008), os sistemas de manufatura respondem pela adição concreta de valor ao produto, transformando matéria-prima ou componentes em produto acabado.
- Os sistemas de produção suportam os sistemas de manufatura, incluindo funções mercadológicas, de desenvolvimento, planejamento e controle.
- O modelo econômico liberal estabelece que a divisão do trabalho é causada pelo crescimento do mercado, gerando especialização, aumento da destreza e incremento da produtividade.
- O aumento da produtividade também resulta da economia de tempo na troca de tarefas e da inovação em máquinas e equipamentos.
- No modelo tradicional de administração, o problema central é o engajamento dos trabalhadores, buscado via incentivos salariais, prêmios e reconhecimento.
- A Administração Científica (Taylor) foca em: (1) reunir conhecimentos tradicionais; (2) substituir métodos empíricos por científicos; (3) selecionar e treinar trabalhadores; (4) articular o trabalho cientificamente; (5) dividir responsabilidades entre direção e operários.
- O elemento central de Taylor é a tarefa, completamente planejada pela direção, com padronização de tempos, movimentos e ferramentas, garantindo recompensas financeiras.
- O modelo de Taylor busca a prosperidade mútua entre patrão e empregado, promovendo coesão social e eficiência.
- O modelo de Ford introduziu elementos como: eliminação de supérfluos, uso de gravidade, padronização, especialização, layout em sequência, linha de montagem mecânica e automação.
- O modelo de Ford incorpora fundamentos de Taylor (padronização, controle) e Gilbreth (estudo de movimentos e eliminação de desperdícios).
- Fayol foca na dimensão macro (a firma) e propõe quatro funções gerenciais: planejamento, organização, coordenação e controle, além de 14 princípios de administração.
- A conciliação entre a unidade de comando (Fayol) e a divisão funcional (Taylor) gerou a estrutura de assessoria (staff) utilizada até hoje.
- O Sistema Toyota de Produção (STP) não rompe com o fordismo, mas o refina, eliminando estoques (almoxarifado) e focando em lotes pequenos, modelos mistos e fluxo contínuo.
- A implantação do STP no Brasil enfrenta desafios culturais e estruturais. Questões críticas incluem:
- Pré-requisitos básicos (métodos, roteiros, padronização).
- Redução de tempos de preparação (troca rápida de ferramentas).
- Diferenças na relação de custo mão de obra/máquina.
- Preparação da cadeia de fornecimento (Just-in-Time).
- Qualificação de recursos humanos e multifuncionalidade.
- Capacidades do parque produtivo (confiabilidade, autonomação).
- Requisitos para planejamento e controle (Kanban).
- A dimensão cultural brasileira influencia a eficácia do STP, exigindo análise sobre quais valores locais convergem ou se opõem ao modelo japonês para um design de sistema aderente à realidade nacional (NASCIMENTO, 2012).