A Evolução das Teorias da Arte: De Platão à Atualidade
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Platão via a arte como algo que escondia a verdade e corrompia. Ele criou o modelo de Estado ideal, defendendo que os poetas deviam ser banidos. Para ele, a essência da representação é a imitação: os atores imitavam, nas peças, as ações de quem representavam. Platão acreditava que as aparências apelavam às emoções e que agir pelas emoções era socialmente perigoso. Platão condena as artes uma vez que estas não são reais, levando-nos ao mundo dos sonhos e provocando uma alienação.
A Perspetiva de Aristóteles
Na Poética, Aristóteles concorda que a representação dramática provoca uma reação emocional no público, mas não acredita que o teatro se limite a isso. Para Aristóteles, a tragédia suscita piedade e medo, mas fá-lo tendo em conta a catarse, ou seja, com o objetivo de purgar emoções.
A Teoria da Imitação
Embora estes dois filósofos discordem quanto aos efeitos da poesia dramática, concordam no que toca à sua natureza. Para ambos, a imitação era uma condição necessária de todas as obras de arte. Surge então a teoria da imitação, que defende que X só é uma obra de arte se for uma imitação.
Limitações da Teoria
Alguns exemplos de arte moderna vêm refutar esta teoria, mostrando como algo pode ser arte sem ser imitação. A arte deixou de pretender copiar a aparência das coisas. A arte minimalista recorda-nos que sempre houve arte puramente visual.
Da Imitação à Representação
Posto isto, os simpatizantes da teoria platónico-aristotélica reconstroem esta teoria, aludindo à representação em vez da imitação:
- X representa Y se, e somente se, um emissor pretender que X represente Y e o recetor perceba que se pretende que X substitua Y.
Contudo, há obras de arte que não são uma representação; por exemplo, a Basílica de São Pedro não representa a casa de Deus, ela é a casa de Deus. Apesar desta teoria incluir a literatura, ela deixa de parte a arquitetura e os quadros abstratos.
A Teoria Neorrepresentacionista
Mais recentemente, surge a teoria neorrepresentacionista da arte, que defende que, para que algo seja considerado arte, é necessário que seja sobre alguma coisa ou tema. O objeto tem de ter um conteúdo semântico. Mas esta teoria, tal como as outras, fracassa:
- Um quadro pode ter a propriedade de ser negro, mas dificilmente concluímos que este se ocupa da cor negra.
- Podemos dizer que uma música é triste, mas não a estamos a interpretar, apenas a descrever as suas propriedades.
Apesar de a teoria neorrepresentacionista ser mais abrangente, ainda não é suficientemente inclusiva. Em suma, podemos concluir que nenhuma das perspetivas consegue ser uma teoria de toda a arte.