A Evolução da Urbanização Brasileira: História e Tendências
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Durante séculos, o Brasil foi um país essencialmente agrícola, para retomar a célebre expressão do Conde Afonso Celso. O Recôncavo da Bahia e a Zona da Mata do Nordeste ensaiaram, antes do restante do território, um processo notável de urbanização. De Salvador, pode-se dizer que comandou a primeira rede urbana das Américas, formada, junto com a capital baiana, por Cachoeira, Santo Amaro e Nazaré, centros de culturas comerciais promissoras no estuário dos rios do Recôncavo.
No dizer de Oliveira Vianna (1956, p. 65): "O urbanismo é condição moderníssima da nossa evolução social. Toda a nossa história é a história de um povo agrícola, é a história de uma sociedade de lavradores e pastores. É no campo que se forma a nossa raça e se elaboram as forças íntimas de nossa civilização. O dinamismo da nossa história, no período colonial, vem do campo. Do campo, as bases em que se assenta a estabilidade administrativa da nossa sociedade no período imperial".
O Processo de Urbanização e a Formação das Cidades
No começo, a "cidade" era mais uma emanação do poder monárquico, uma vontade de marcar presença num país distante. Mas é temerário dizer, como o fez B. Hoselitz (1950) para toda a América Latina, que a cidade cresceu aqui "como flor exótica", pois sua evolução dependeu da conjunção de fatores políticos e econômicos, e o próprio desenho urbano, importado da Europa, foi modificado.
Referindo-se aos primórdios da urbanização, Nestor Goulart Reis (1968) destaca três principais etapas de organização do território brasileiro. A primeira fase, entre 1530 e 1570, teve seu ponto de maior intensidade entre 1530 e 1540. O segundo período, entre 1580 e 1640, anos de dominação espanhola, apresentou dois pontos de maior intensidade: entre 1610 e 1620 e entre 1630 e 1640.
De modo geral, é a partir do século XVIII que a urbanização se desenvolve e a casa da cidade torna-se a residência mais importante do fazendeiro ou do senhor de engenho (R. Bastide, 1978). Contudo, foi necessário mais um século para que a urbanização atingisse sua maturidade, no século XIX, e outro para adquirir as características atuais.
A Evolução Recente da População Urbana e Rural
Entre 1940 e 1980, ocorreu uma verdadeira inversão quanto ao lugar de residência da população brasileira. Há meio século (1940), a taxa de urbanização era de 26,35%; em 1980, alcançou 68,86%. Nesses quarenta anos, a população total do Brasil triplicou, ao passo que a população urbana se multiplicou por sete vezes e meia.
O Meio Técnico-Científico-Informacional
A fase atual é o momento no qual se constitui o meio técnico-científico-informacional, que tende a se sobrepor ao meio geográfico. A informação, em todas as suas formas, é o motor fundamental do processo social, e o território é equipado para facilitar sua circulação. É apenas após a Segunda Guerra Mundial que a integração do território se torna viável, servindo como impulsão à expansão industrial.
A Nova Urbanização: Diversificação e Complexidade
A partir dos anos 70, o processo de urbanização alcança novo patamar. Tivemos, primeiro, uma urbanização aglomerada, seguida por uma urbanização concentrada e, posteriormente, pelo estágio da metropolização. As cidades de porte médio passaram a acolher maiores contingentes de classes médias, num fenômeno paralelo de metropolização e desmetropolização.
Tendências da Urbanização no Fim do Século XX
O conhecimento dos sistemas de engenharia presentes em cada área é um dado analítico fundamental. As tendências atuais de reorganização do território apontam para uma urbanização do território, onde a contribuição da ciência, da tecnologia e da informação é cada vez maior. O futuro urbano dependerá não apenas de tendências, mas da vontade política e das políticas públicas que serão geradas para enfrentar os desafios da modernização e da desigualdade social.