A Expansão Agrícola e as Roturas na Idade Média
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As taxas de expansão baseiam-se em três pilares fundamentais: (1) o crescimento da população, (2) as roturas (arroteamentos) e (3) as inovações tecnológicas. Estes elementos são a prova de que houve um crescimento econômico através das roturas de terras. Este crescimento populacional será acompanhado por uma expansão da colonização. Com a recuperação de terras, surgirão novos espaços cultiváveis, resultando no desmatamento de florestas, o que mudará significativamente a paisagem europeia.
O fenômeno de rotura é um processo demorado e, dependendo da área, possui diferentes pontos de partida, iniciando-se entre os séculos VIII e IX. O movimento de recuperação será impulsionado tanto pelos senhores quanto pelos camponeses, embora o espaço não possa ser ampliado sem o consentimento do senhor feudal. Os senhores promoverão a rotura e, quando começam a participar ativamente, o processo aumenta consideravelmente.
Existem dois períodos distintos na rotura:
- Primeiro período: É limitado, onde os senhores apenas toleram e permitem o desbravamento.
- Segundo período: Os senhores capitaneiam o movimento, e as roturas passam a ser muito mais rápidas.
Encontramos três maneiras diferentes de arroteamento:
- Extensão dos campos antigos: O sistema de expansão de campos antigos ocorre quando a terra do camponês se estende à custa de florestas e terras não cultivadas. Foi a maneira mais fácil para o agricultor expandir suas terras e obter mais lucros. Este é o tipo mais importante dos três, sendo responsável por ganhar a maior parte das terras para cultivo na Europa. Por ser um processo silencioso, onde se tentava trabalhar sem que o senhor percebesse, quase não há documentação, embora houvesse penalidades para camponeses que não declarassem essas extensões. Durante o inverno, cercava-se um pedaço de bosque para indicar a posse; a vegetação era queimada e a área reservada para o agricultor. Inicialmente, servia como campo de pasto até que as parcelas se multiplicassem, preenchendo o território.
- Criação de novas cidades: Este tipo de rotura é mais conhecido devido a fontes como as cartas de povoamento. Grupos de famílias estabeleciam suas casas em áreas virgens, reproduzindo o modo de vida anterior. Embora alguns camponeses tomassem a iniciativa, a maioria das novas povoações surgiu por obra de grandes senhores. Os motivos eram:
- Motivos Políticos: Fortalecimento da segurança nas fronteiras do território. Um exemplo são as bastides (cidades fortificadas) na região da Aquitânia (França), precedentes da Guerra dos Cem Anos, que garantiam o território para franceses e ingleses.
- Motivos Econômicos: Estas cidades geravam novas receitas para os senhores, ajudando-os a superar dificuldades econômicas no século XII.
- Movimento de inserção (habitat isolado): É o mais recente e raro, pois geralmente se buscava a proteção dos agrupamentos. É caracterizado por agricultores isolados, muitas vezes ligados à igreja. Este modelo gerou uma nova paisagem: uma casa central cercada por uma cerca. A cerca protegia o cultivo de animais selvagens e simbolizava a apropriação individual da terra, que antes era de uso coletivo. Neste modelo, a agricultura é secundária, priorizando-se a criação de gado, o que indica uma estagnação da expansão agrícola.
Estes três tipos de preparo do solo ocorrem ao longo do tempo, dependendo da região. A colonização periférica também ocorre de forma semelhante, mas em territórios politicamente desorganizados após conquistas. Nesses casos, criam-se novas aldeias com camponeses vindos de áreas superpovoadas, e Locatores são contratados para gerir a operação dessas terras periféricas.