A Expressão Verbal: Morfologia, Tipos e Complementos
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A Expressão Verbal
1. O verbo e a frase: definição.
Definição de frase
A frase é a palavra ou grupo de palavras que, como a expansão máxima de um núcleo, possui um significado único, mas pode ser incompleta em uma sentença ou proposição. As palavras ou a palavra, se o núcleo é o seu único membro, são as menores unidades do ponto de vista sintático. O núcleo mantém uma relação de direção com sua expansão e, se aplicável, um acordo de relacionamento acrescentado: se o verbo concorda em número e pessoa com o sujeito. Além da frase verbal, podem-se formar frases cujos núcleos sejam outras palavras lexicais, isto é, que têm um significado lexical: temos a frase substantiva, a adverbial, a adjetival e a preposicional (onde a preposição é o núcleo da frase preposicional).
Definição de expressão verbal
A frase verbal é o foco da oração, pois o seu núcleo, o verbo, é o elemento essencial para pregar um julgamento sobre uma maneira de ser ou acontecer. Portanto, sua função é sempre o predicado verbal (PV), a menos que consideremos os verbos de ligação — ser, estar e parecer — como meros elos entre o sujeito e o predicado de qualidade (predicado nominal - PN). Os constituintes são necessários ou não, dependendo do que a gramática de Tesnière e a sintaxe de dependência chamam de valência; ou seja, se o verbo requer complementação para predicar: por exemplo, um verbo transitivo exige necessariamente um objeto direto. Assim, para Alarcos, o complemento muda o sentido do verbo, completando-o, estendendo-o ou restringindo-o. No caso de complementos não obrigatórios, formam-se adjuntos circunstanciais (marginais ou periféricos); se são necessários, são chamados de argumentos.
Morfologia verbal e tipos de verbos
Considerações preliminares
Além da definição morfológica, o verbo pode ser definido funcionalmente como um elemento central que expressa um processo ou estado, possua um sujeito — Juan canta ópera — ou não — Chove. Além disso, de acordo com Tesnière, é uma palavra constituinte, ou seja, tem uma função estrutural, pode governar e ser o núcleo de uma frase, sendo autônomo.
Morfologia dos verbos regulares
Morfologicamente, o verbo é uma palavra lexical; o lexema tem um significado que expressa, como diz Coseriu, um modo de ser ou acontecer. Neste lexema, também chamado de raiz ou radical, acompanham morfemas constituintes. Dentro destes, o morfema de modo, tempo e aspecto é subdividido em uma forma que dá a vogal temática e o morfema de tempo/aspecto; por outro lado, há o morfema de desinência, que indica pessoa e número. Assim, em amávamos: am- é o lexema, -a- a vogal temática, -va- o morfema de tempo e aspecto, e -mos a pessoa e o número. Em espanhol e português, as terminações seguem padrões específicos.
Nossa língua tem três modos que expressam a atitude do falante: indicativo (fatos objetivos e verdadeiros — Eu estou procurando por alguém que vem para este clube); subjuntivo (declarações subjetivas e incertas — Eu estou procurando alguém que venha a este clube); e imperativo (exortação: Feche a porta, por favor).
Em termos de tempo, distinguimos três tipos: o tempo cronológico (fluxo constante), o tempo gramatical indicado e a perspectiva do emissor no momento da enunciação (ex: presente histórico). O presente pode funcionar como neutro ou futuro (Amanhã estou na estação); o futuro é o tempo virtual; e o passado é o tempo real e retrospectivo. O aspecto diz respeito a como a ação é concebida: concluída (perfeito: Eu vim para Glasgow) ou durativa (imperfeito: Ele chegava a Glasgow). Alguns autores abordam o aspecto do ponto de vista semântico do lexema: verbos imperfeitos (saber), verbos perfectivos (nascer) e verbos repetitivos (bicada).
Formalmente, existem formas fortes (acento na raiz) e fracas (acento após o lexema). Temos três conjugações terminadas em -ar, -er e -ir. As formas simples consistem em uma palavra (amor) e as compostas utilizam um auxiliar (ter/haver) seguido pelo particípio. O morfema de pessoa e número concorda com o sujeito. Segundo Alarcos, este morfema também indica a voz ou diátese: ativa (sujeito agente) ou passiva (sujeito paciente). Há também verbos formalmente ativos, mas semanticamente passivos (receber). Para alguns autores, existe a voz média, comum em verbos pronominais (Ele se arrependeu).
Morfologia dos verbos irregulares, polirrizos e defectivos
Os irregulares apresentam anomalias no lexema ou morfema por razões fonéticas ou históricas (ex: sonho/dormir). Verbos polirrizos herdam várias raízes (ex: ser/fui, ir/vou). Os defectivos não possuem conjugação completa por restrições semânticas (ex: acontecer, usado na terceira pessoa). Verbos impessoais indicam fenômenos naturais (nevar, chover).
Tipos de verbos: Transitividade
Os verbos podem ser transitivos ou intransitivos. Segundo Alarcos, a transitividade não é uma propriedade fixa; em eu comia rapidamente, o objeto direto (CD) não é necessário, enquanto em outros casos pode ser pleonástico (choveu chuva). Nem todos os transitivos admitem a voz passiva. Predicados intransitivos não precisam de CD (correr), embora possam aceitar objetos cognatos (correr grandes raças).
Tipos de verbos: Reflexividade e Reciprocidade
São reflexivos quando a ação recai sobre o próprio sujeito (CD: Penteio-me; CI: Penteio o cabelo). São recíprocos quando a ação é trocada entre os sujeitos (Os gatos se lambem um ao outro).
Verbos auxiliares e modais
Verbos auxiliares geram locuções verbais com formas impessoais (infinitivo, gerúndio e particípio). O auxiliar perde parte do significado lexical e adiciona aspecto: infinitivo (perspectiva), gerúndio (ação durativa: está escrevendo) e particípio (aspecto perfectivo: tenho feito). Verbos modais expressam a atitude do falante (desejo, intenção: vou rir).
Tipos de verbos: Formas não pessoais
- Infinitivo: Exprime ação imperfeita ou funciona como substantivo (O comer é bom).
- Gerúndio: Expressa ação durativa e coincidente ou anterior ao verbo principal (Tendo esclarecido a questão, foi-se embora).
- Particípio: Indica aspecto perfectivo, funciona como adjetivo, complemento predicativo (Vem cansado) ou atributo. Pode ser absoluto (Retirados os erros, o poema é bom).
Atributos e semicopulativos
Tratam da relação íntima entre o sujeito e sua qualidade.
Complementação verbal
Atributo
É a qualidade atribuída ao sujeito, concordando em gênero e número. Pode ser adjetivo, substantivo, advérbio (Ele está bem) ou oração. É o núcleo do Predicado Nominal (PN). Verbos de ligação (cópula) como ser e estar servem de nexo. O complemento predicativo do objeto expressa uma qualidade do CD (Trouxe o vestido impecável). Verbos semipredicativos mantêm significado próprio enquanto atribuem qualidade (Os gatos andavam felizes).
Complemento Direto (CD)
Relaciona-se à transitividade. Semanticamente pode ser: Resultado (Escrevi uma carta), Modificado (Cortei a grama), Pleonasmo (Chorou lágrimas), Reflexão ou Estático. Pode ser identificado pela preposição 'a' com pessoas ou pela pronominalização (o, a, os, as) e pela conversão à voz passiva.
Complemento Indireto (CI)
Identificado com o beneficiário ou prejudicado pela ação. Relaciona-se ao dativo: Ético (afetivo), Opinião, ou Possessivo (Roubaram-lhe a carteira). É pronominalizável por lhe, lhes. O uso de laísmo ou loísmo é considerado incorreto pela norma culta.
Complemento Circunstancial (CC)
Acrescenta notas sobre as circunstâncias da ação. São geralmente opcionais e equivalem a advérbios. Tipos: Local (onde), Tempo (quando), Modo (como), Causa (por que), Consequência, Finalidade (para que), Concessão, Condição e Comparação.
Suplemento (Complemento de Regime)
Complemento preposicional exigido pelo verbo (argumento), não substituível por advérbio (ex: preferir algo a outro).
Complemento Agente da Passiva
Indica quem realiza a ação na voz passiva, precedido pelas preposições por ou de (ex: Os ingressos foram vendidos pela equipe).