Fases e Estratégias da Aprendizagem Motora
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Fases de Aprendizagem Motora
Fase cognitiva ou de generalização: Compreensão do objetivo e componentes da tarefa motora; as primeiras execuções caracterizam-se por um grande número de erros e instabilidade; fase de curta duração; imitação e verbalização são fulcrais.
Fase associativa ou de concentração: Aumento da consistência ou estabilidade do desempenho entre os ensaios ou repetições da tarefa; o movimento surge mais estruturado e sincronizado; o indivíduo torna-se capaz de determinar e corrigir os erros que tendem a diminuir; adaptação e aplicação do padrão a novas situações.
Fase autónoma ou de automatização: O praticante adquire estabilidade, consistência e capacidade de adaptação em todas as performances; fase muito prolongada; o controlo por parte do sistema nervoso central deixa de ser fundamental, pois o automatismo na execução já está desenvolvido; o praticante centra a atenção na capacidade de adaptar a resposta em função de determinado estímulo.
Fases de Aprendizagem no Âmbito Técnico
A fase inicial situa-se nas habilidades básicas (5-7 anos). A fase intermédia situa-se nas habilidades genéricas (7-11 anos). A fase madura situa-se nas habilidades específicas e habilidades especializadas (+14 anos).
O Modelo TGfU e Princípios Associados
O TGfU (Teaching Games for Understanding) é uma ferramenta de pensamento, um convite para testar novas ideias, propor novos argumentos e oferecer dimensões alternativas no processo de ensino que ajuda tanto os treinadores quanto os professores a avançar com conhecimentos acerca do aprendizado do jogo no contexto esportivo ou da educação física escolar. Basicamente, o modelo propõe o ensino a partir de problemas tácticos em contexto de jogo e a ênfase na aprendizagem cognitiva antes do desempenho motor.
Modelo Integrado (Castejón & López)
Curriculum em espiral: aumento progressivo da complexidade técnico-táctica.
Definição de Competência Motriz
Sujeitos competentes têm mais facilidade que os menos competentes em formar planos para a resolução de problemas (estímulo-informação-conhecimento-aptidão-competência).
- Derivada e parte de um processo de desenvolvimento;
- É um processo complexo de mudança dinâmica (multifatorial);
- Mudança progressiva no controlo das próprias ações em relação a si próprio, aos outros e/ou aos objetos;
- Inseparável do ambiente: o contexto tem um papel-chave na produção da ação e na capacidade de adaptação.
Tipos de Conhecimento na Aprendizagem
Declarativo: Conhecimento conceptual e teórico sobre as ações. Permite atribuir significados. "Saber o quê".
Procedimental: "Saber como" agir para resolver os problemas motores. Permite atuar.
Implícito/Explícito: Nível de consciência do conhecimento e capacidade de demonstrá-lo. O "saber implícito" permite adequar o desempenho mesmo sem o saber explicar. O "saber explícito" fomenta a sua compreensão.
Caracterização de Principiantes e Experts
PRINCIPIANTES:
- Informação visual é potencial, corresponde a um conjunto de acontecimentos;
- A informação é sobretudo tratada pela visão central;
- A "leitura" dos diferentes eventos é uma cronologia das suas aparições;
- Analisam um número importante de eventos, alguns irrelevantes;
- O tempo utilizado para consultar qualquer evento é demasiado curto ou demasiado amplo e a informação sempre incompleta;
- As respostas motrizes são normalmente inapropriadas.
EXPERT:
- Informação visual é interventiva e com relação aos diferentes eventos;
- Complementam a visão central com a visão periférica;
- A "leitura" é antecipada, dispõe da resposta antes que apareçam os eventos;
- O número de eventos a analisar é restrito ao mais pertinente;
- O tempo utilizado para consultar qualquer evento é ajustado e a informação completa;
- O tempo total de análise é reduzido;
- As respostas motrizes são apropriadas.
Orientação Didática para a Promoção do Expertise
- O professor atua como guia e não como instrutor (estimula a decisão).
- Deve conhecer quais as crenças, conceções e conhecimentos prévios que são significativos para o aprendiz.
- Os métodos utilizados devem assumir a natureza da situação de aprendizagem.
- A prática deve ser situada em ambientes diferentes, isto é, com múltiplas representações.
- Utilização de métodos através dos quais seja o sujeito quem processa a informação.
- Permitir que a prática seja colaborativa mas também que seja independente, estimulando o recurso a uma ou outra solução.
- Situar a avaliação não no rendimento, mas sim no grau de autonomia que o sujeito é capaz de desenvolver.
Instrução e Demonstração como Operações de Aprendizagem
A produção de movimento depende da capacidade do indivíduo processar a informação disponível no envolvimento e em si próprio. Por operações de aprendizagem entendem-se as ações desenvolvidas pelo indivíduo a nível proprioceptivo e exteroceptivo.
Variáveis e Funções da Instrução
VARIÁVEIS:
- Capacidade de Atenção: deve estimular a atenção do ouvinte no sentido de integrar os aspetos importantes da mensagem, mas também de manter a capacidade de receber essa mesma informação.
- Estratégias de Desempenho Motor: deve fornecer e potenciar a aplicação de estratégias de desempenho.
- As Pistas Verbais: deve estimular a experiência dos ouvintes no sentido de potenciar nestes a utilização de situações em que se possa realizar o transfer de aprendizagem.
FUNÇÕES: Informativa, Atencional e Motivacional.
Estratégias Discursivas para Partilha de Significados
- Estratégias para a exploração e ativação do conhecimento prévio: Recurso a marcos de referência, questionamento.
- Estratégias para que os alunos deem sentido à aprendizagem: Uso de meta-enunciados. Utilização de contributos dos alunos. Pluralidade verbal.
- Estratégias para favorecer o desenvolvimento de representações mentais ricas: Reelaboração, recapitulação, categorização, etiquetagem, abreviação.
ZDP e a Metáfora da Andaimiagem
Esta metáfora incide "na transferência do controlo e responsabilidade de parte do adulto em relação à criança ao longo da atividade conjunta. Ou seja, da mesma forma que na construção de um edifício ou na sua reparação se colocam uma série de suportes e apoios que se vão tirando progressivamente à medida que o edifício ou a obra avança, a metáfora da 'andaimiagem' incide na ideia que, inicialmente, na resolução de uma tarefa conjunta o adulto introduz uma série de apoios que, progressivamente, vai retirando à medida que o aprendiz se torna mais autónomo na resolução individual da tarefa."
Fases e Processos da Aprendizagem por Observação
Fase de aprendizagem do modelo de resposta: Processo de atenção e de retenção.
Fase de reprodução do modelo de resposta: Processo de reprodução motora e de motivação.
Variáveis da Demonstração:
Estatuto do sujeito da demonstração; Nível de desempenho do modelo; Características do observador; Características da habilidade motora; Forma e timing da apresentação; Frequência e momento da demonstração; Utilização de vídeo; Velocidade da demonstração; Informação cinemática e cinética.
Prática Analítica vs. Prática Global
Facultar uma tarefa na sua forma analítica ou global depende da compreensão e manuseabilidade de dois conceitos subjacentes: Complexidade e Organização.
É possível integrar um "procedimento progressivo", isto é: Global-Analítico-Global.
Além das características da habilidade, também as particularidades do sujeito que aprende devem ser observadas na opção por um dos tipos de prática.
A Tarefa como Pivot na Relação Professor-Aluno
Promove os constrangimentos necessários para o desenvolvimento das habilidades almejadas e adequadas à etapa em questão. Deve estimular a diferenciação sistemática das perceções, criando a capacidade de controlar e manejar conscientemente a distância, a posição e o tempo de realização.
Relação entre Habilidade e Tarefa
Tarefa: Caráter instrutivo; finalista (com objetivo); caráter obrigatório (propostas a todos independentemente do nível de habilidades do sujeito); caráter organizado (estrutura).
Habilidade: Relação com competência (aprendida); caráter finalista (habilidades para...); caráter organizado; necessidade de aprendizagem; caráter de eficiência; propriedades de flexibilidade, adaptabilidade e estabilidade.
Dificuldade, Complexidade e Significação Lógica
Dificuldade: É subjetiva; é intrínseca ao sujeito.
Complexidade: É objetiva; é intrínseca à tarefa.
Significação Lógica
Relação produzida entre os elementos estruturais da tarefa (objetivo, condições de organização, condições de realização, normas) e os critérios de solução (lógica interna). Estabelece as possibilidades do aprendiz.
Desenho de Situações de Aprendizagem Significativa
Para uma aprendizagem significativa, é necessário:
- Definir objetivos claros;
- Definir com nitidez o conteúdo que se deve aprender;
- Gerir o tempo de prática e suas características;
- Ajustar o nível de dificuldade da tarefa;
- Planear a sequência das tarefas.