Febre Amarela: Sintomas, Transmissão e Prevenção
Febre Amarela: Entenda a Doença
Infecção viral de gravidade variável, cujo quadro típico tem evolução bifásica (período de infecção e de localização). O início é repentino com febre, calafrios, cefaleia, mialgias, prostração, náuseas e vômitos, durando cerca de 3 dias; após os quais se observa remissão da febre e melhora dos sintomas, dando sensação de bem-estar aos pacientes durante algumas horas ou, no máximo, dois dias.
O período de localização caracteriza-se pela instalação de insuficiência hepática e renal. Surgem icterícia, manifestações hemorrágicas (hematêmese, melena, epistaxe, sangramento vestibular e da cavidade oral, entre outras), oligúria, hematúria, albuminúria e prostração intensa. O pulso se torna lento, apesar da temperatura elevada (sinal de Faget). As formas leves e moderadas se confundem com outras viroses e são de difícil diagnóstico, necessitando-se de um estudo da história epidemiológica para a suspeita diagnóstica.
- Agente etiológico: É um vírus RNA, vírus amarílico, arbovírus do gênero Flavivírus e família Flaviviridae.
- Reservatório: Da febre amarela urbana (FAU), é o homem. Da febre amarela silvestre (FAS), são os macacos, sendo o homem um hospedeiro acidental.
- Modo de transmissão: Na FAU, a transmissão ocorre através da picada do Aedes aegypti. Na FAS, pela picada de mosquitos silvestres dos gêneros Haemagogus e Sabethes.
- Período de incubação: De 3 a 6 dias após a picada do mosquito infectado.
- Período de transmissibilidade: O sangue dos doentes é infectante 24 a 48 horas antes do aparecimento dos sintomas até 3 a 5 dias após. O período de incubação no Aedes aegypti, que se mantém infectado por toda a vida, é de 9 a 12 dias.
- Diagnóstico: Baseado nos achados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais.
- Tratamento: Os quadros clássicos e/ou fulminantes exigem internamento para adoção de tratamento sintomático de suporte, de acordo com as manifestações e evolução da doença.
Características epidemiológicas
A FAU não ocorre nas Américas desde 1954, sendo considerada erradicada dos centros urbanos. Com a reinfestação dos países americanos, inclusive o Brasil, com o Aedes aegypti, existe o risco da doença se reurbanizar. O número de casos da FAS tem sido em torno de 100 a 200 por ano na América do Sul e na Bacia Amazônica. No Brasil, ocorrem casos da FAS nas regiões Norte e Centro-Oeste. Embora o número de casos seja relativamente pequeno, a letalidade da doença é alta, variando entre 22,9% a 100%, dependendo das intervenções, como a vigilância ativa.
Notificação e Controle
Notificação: Doença de notificação compulsória internacional (deve ser comunicada imediatamente às autoridades sanitárias) e que impõe a investigação epidemiológica de todos os casos.
Medidas de controle: A principal medida é a vacinação, que confere proteção próxima a 100%. É administrada em dose única, com reforço a cada 10 anos, a partir dos seis meses de idade, em áreas endêmicas. O combate ao Aedes aegypti, através de ações de saneamento básico e educação em saúde (redução de criadouros como vasos, pneus e vasilhas), constitui medida eficiente na redução do risco de urbanização do vírus.