Fenomenologia: A Relação entre Sujeito e Objeto
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1. De acordo com a análise fenomenológica do conhecimento, o sujeito e o objeto não se confundem, estabelecendo uma relação de oposição. Apesar de opostos, precisam um do outro para serem considerados sujeito ou objeto, pelo que a sua relação constitui uma correlação. Embora correlacionados, não podem trocar de funções. Estabelecem, por isso, uma relação de irreversibilidade. Dado que sujeito e objeto têm funções específicas, o resultado do conhecimento não é igual para ambos: saindo de si para captar o objeto, o sujeito é modificado por este, ao passo que o objeto não é modificado pelo sujeito. Uma vez que, neste processo, o sujeito apreende a imagem do objeto, então podemos considerar o conhecimento como a relação entre o sujeito e o objeto, que se traduz numa representação do objeto por parte do sujeito.
2. O autor do texto começa por referir que «o agir é complemento do ser», no sentido em que a ação é um modo de enriquecimento do próprio ser incompleto e finito. Também o conhecimento faz parte desse agir, constituindo «uma forma de enriquecimento do ser humano». Encarado como atividade, o conhecimento é essencialmente o fruto de uma interação entre sujeito e objeto. Com efeito, não existe de um lado o sujeito abstrato e, do outro, uma realidade que ele irá conhecer objetivamente. O sujeito interage com a realidade, e é desse processo que o conhecimento emerge. Isto significa que representar o objeto é também, em certa medida, construir o objeto e integrar novos elementos no conjunto de significações e de referências que fazem parte do nosso mundo individual. Cada sujeito tem as suas experiências, vivências, reflexões, que constituem modos de pensar, sentir e agir distintos dos de outro sujeito. Ao adquirir mais conhecimento, o sujeito vai ampliando o seu mundo, o que significa, como é dito no texto, que «vai possuindo, de algum modo, as coisas que conhece e vai-se tornando ontologicamente mais rico, quer dizer, vai sendo mais».
3. A perceção é uma função mediante a qual organizamos as sensações, o que nos permite representar os objetos externos. Essas representações não dependem apenas dos nossos sentidos, mas também da nossa interpretação, a qual, por sua vez, resulta da situação psicológica que estamos a viver, da cultura em que nos inserimos, dos valores que partilhamos, da nossa história pessoal. Assim, o objeto percecionado (como qualquer objeto do conhecimento) é apreendido por um determinado modo de ver o mundo, inserindo-se num todo (constituído pelo mundo individual do sujeito) que lhe confere uma significação teórica ou prática. Deste modo, o sujeito interage com o objeto, e é desse processo que o conhecimento emerge. A representação do objeto expressa, em certa medida, uma construção do objeto.