Fernando VII e a Crise do Absolutismo na Espanha

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A Oposição Ultramontana e a Revolta de 1827

Setores ultramontanos do tribunal estavam muito infelizes com o rei, porque ele tinha restaurado a Inquisição, mas não agia mais energicamente contra os liberais. Na Catalunha, em 1827, surgiu a revolta dos realistas (os descontentes), buscando maior poder para o setor ultraconservador e defendendo um regresso aos costumes tradicionais e privilégios. No tribunal, esse setor, que gozava de um poder significativo nos círculos da nobreza e do clero, reunia-se em torno de Carlos Maria Isidro, irmão do rei e seu provável sucessor, uma vez que Fernando VII não teve filhos.

4.4. O Conflito Dinástico

Em 1830, o nascimento de uma filha do rei, Isabel, parecia garantir a continuidade Bourbon. Mas este fato levou a um grave conflito na sucessão ao trono. A Lei Sálica, de origem francesa e introduzida por Filipe V de Espanha, impedia o acesso ao trono das mulheres, mas Fernando VII, influenciado por sua esposa, Maria Cristina, revogou a lei pela Pragmática Sanção, que abriu o caminho para o trono à sua filha e herdeira.

O setor mais ultraconservador dos absolutistas, chamado carlista, recusou-se a aceitar a nova situação. Em 1832, pressionaram fortemente o rei, gravemente doente, para que restabelecesse a Lei Sálica, o que beneficiava o candidato ao trono e irmão do rei, o príncipe Carlos María Isidro. Esses confrontos não eram apenas uma disputa sobre se o monarca legítimo era o tio ou a sobrinha, mas sim a luta para impor um modelo ou outro de sociedade.

Sobre Dom Carlos foram agrupadas mais forças partidárias do Antigo Regime e de oposição a qualquer forma de liberalismo. Em contrapartida, Maria Cristina percebeu que, se quisesse salvar o trono para sua filha, deveria buscar apoio em áreas mais próximas ao liberalismo. Nomeada regente durante a doença do rei, formou um novo governo de caráter reformista, decretou uma anistia que permitiu o retorno de 100 mil exilados liberais e preparou-se para enfrentar-se com os carlistas.

Em 1833, Fernando VII morreu, reafirmando sua vontade de ter sua filha de três anos como herdeira do trono e nomeando a rainha Maria Cristina como governadora até a maioridade de Isabel. No mesmo dia, Dom Carlos foi proclamado rei, iniciando um levantamento absolutista no norte da Espanha e, logo depois, na Catalunha. Assim começou a Primeira Guerra Carlista.

Divisões Liberais e a Intervenção Externa

As tensões também estavam entre os liberais, que foram divididos em duas tendências:

  • Moderados: partidários de reformas limitadas que não fossem prejudiciais para as elites sociais (nobreza, burguesia, proprietários).
  • Exaltados: que levantavam a necessidade de uma reforma radical favorável para as classes média e baixa, e tomaram o poder após derrotar uma revolta da guarda civil real em julho de 1822.

4.3. Década Ominosa (1823-1833)

No entanto, não foram os conflitos ou divisões internas que derrubaram o regime liberal, mas a ação da Santa Aliança. Atendendo aos apelos de Fernando VII, a França foi encomendada (no Congresso de Verona, 1822) a intervir na Espanha. Em abril de 1823, cerca de 100.000 soldados (os Cem Mil Filhos de São Luís), sob o comando do duque de Angoulême, invadiram o território espanhol e restauraram Fernando VII como monarca absoluto.

Agora, alarmados com a confusão contínua em que vivia a Espanha, os poderes restauradores consideraram necessárias algumas reformas moderadas, como proclamar uma amnistia para superar a violência e organizar uma administração eficaz, a fim de assegurar a estabilidade da monarquia. Fernando VII não concordou com estes pedidos e, mais uma vez, como em 1814, iniciou uma repressão feroz aos liberais, muitos dos quais marcharam para o exílio para escapar da morte ou prisão.

A administração e o Exército foram refinados e, ao longo da década, perseguiram os defensores das ideias liberais. A execução de Mariana Pineda, em 1831, pelo crime de bordar uma bandeira liberal, tornou-se emblemática da repressão sob Fernando VII. Também foram executados "O Empecinado" e "Torrijos".

A outra preocupação importante da monarquia foi, novamente, o problema econômico. As dificuldades do Tesouro, agravadas pela perda permanente das colônias americanas, forçaram um controle rigoroso da despesa pública, pois era impossível aumentar a receita sem tocar nos privilégios fiscais da nobreza. Desde 1825, o rei, cheio de problemas econômicos, solicitou a colaboração do setor moderado da burguesia financeira e industrial de Madrid e Barcelona: uma tarifa de proteção foi concedida aos fabricantes e o rei chamou López Ballesteros, próximo aos interesses da indústria catalã, para o Ministério das Finanças. Esta abordagem aumentou a confiança dos monarquistas moderados.

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