A Filosofia de Aristóteles: Alma, Conhecimento e Ética
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Potências da Alma
Sendo a alma definida em termos de vida ou de movimento autônomo, entende-se que todos os seres vivos possuem alma. O homem possui uma alma racional, o animal uma alma sensível e a planta uma alma vegetativa. Esta não é a espécie de um gênero, mas realidades diferentes, cada qual caracterizada por funções específicas, onde as funções superiores englobam as inferiores.
Abstração e Conhecimento
De acordo com a visão unitária do homem, Aristóteles defende a continuidade entre o conhecimento sensível e o intelectual. O conhecimento sensível é a fonte e o princípio de todo o conhecimento humano. A universalidade é obtida a partir do particular por uma operação chamada abstração: quando o homem capta um objeto pelos sentidos, forma-se uma imagem na imaginação. O intelecto atua sobre essa imagem, desmaterializando-a para descobrir o universal. Assim, o conhecimento intelectual baseia-se no sensível, que fornece os materiais para a operação complexa da mente.
Objetos de Conhecimento
Aristóteles entendia que o conhecimento pode ser necessário e imutável, ou contingente. O primeiro é um conhecimento teórico (sabedoria) que lida com princípios e causas. O conhecimento prático, por sua vez, pode ser direcionado à produção (arte) ou ao agir (moral e política), buscando a prudência e o bem viver.
Ética e a Felicidade (Eudaimonia)
Em sua Ética a Nicômaco, Aristóteles afirma que toda atividade tende a um fim. O bem supremo e fim último do homem é a felicidade (eudaimonia), buscada por si mesma. A felicidade não reside em prazeres, honras ou riquezas, mas no desempenho da função própria do ser humano. O homem será feliz na medida em que realizar adequadamente a sua função. A felicidade é viver bem sob o título de areté (virtude), entendida como a excelência na execução das tarefas.
A Areté Humana
Primeiro, o homem tem várias funções dependentes de sua idade, sexo ou profissão. Realizar essas tarefas com excelência é necessário, mas a felicidade não reside apenas nelas. Segundo, a complexidade do ser humano: sendo composto de corpo e alma, devemos buscar a excelência em cada parte. Quanto à alma, distinguimos três funções: vegetativa, sensitiva e racional. A alma racional é cognitiva, enquanto a sensível é apetitiva ou volitiva. Portanto, falamos de virtudes intelectuais para o bom desempenho da parte pensante e virtudes morais para o bom funcionamento da parte apetitiva ou volitiva.