Filosofia: Hume, Locke e Santo Agostinho
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Hume: O Problema do Conhecimento
Para Hume, os elementos do conhecimento são as impressões e as ideias. Qualquer percepção que não seja uma ideia é uma impressão. Saber se uma ideia é verdadeira depende de identificar a qual impressão ela se aplica. Existem dois tipos de conhecimento:
- Relação entre ideias: A verdade não depende de informações externas (ciências lógicas e matemáticas).
- Conhecimento dos fatos: Baseado na ciência e na observação experimental.
Temos impressões de acontecimentos passados e presentes na memória, mas não podemos verificar o futuro, pois ainda não ocorreram. Segundo Hume, a análise da causalidade pressupõe que um fato (A) produz outro (B). Contudo, a conexão necessária entre A e B não pode ser demonstrada; trata-se apenas de uma sucessão constante. Isso fragiliza as leis da física sob o rigor empírico, resultando no fenomenismo (conhecemos apenas fenômenos e impressões) e no ceticismo.
Sobre o "Eu": se fosse algo fixo e constante, não mudaríamos. A memória nos dá impressões diferentes de nós mesmos, logo, não somos substâncias. O resultado dessa ausência de conhecimento metafísico impacta a ética: a moral é emotivista. O fundamento da opinião moral não é a razão, mas o sentimento universal de desinteresse pelo mal alheio.
Ambiente Histórico e Filosófico: Locke
- Ambiente histórico: Período do empirismo (séculos XVII e XVIII), influenciando o Iluminismo e o positivismo lógico.
- Ambiente filosófico: Locke é fundamental ao negar a existência de ideias inatas. A experiência é a origem e o limite do conhecimento: "não há nada no intelecto que não tenha passado pelos sentidos".
Locke cria o psicologismo, onde o valor do conhecimento depende de mecanismos psicológicos. Ele classifica as ideias em:
- Simples: Derivadas da experiência.
- Complexas: Derivadas das simples (substância, modo e relação).
Para Locke, a substância torna-se um "não sei o quê", transformando as ideias cartesianas (Eu, Deus e Mundo) em metafísica.
Santo Agostinho e o Problema de Deus
Os agostinianos utilizam o método a priori. Santo Agostinho afirma: "Não vás fora de ti mesmo, volta para dentro de ti; a verdade habita no homem interior". Ao olhar para a consciência, descobrimos verdades imutáveis (a ideia de Deus). Essa forma de demonstrar a existência de Deus é chamada de Causa Real.
O Argumento Ontológico
O argumento, cujo representante é Santo Anselmo de Canterbury, propõe: "O tolo diz que Deus não existe". Ao referir-se a Deus, o tolo o concebe como o ser maior que se pode imaginar. Se ele existe no pensamento, deve existir na realidade, caso contrário, não seria o ser maior.
Contexto Histórico e Sociocultural
- Ambiente Histórico: Santo Agostinho (345-430 d.C.) viveu a desintegração do Império Romano, a formação de reinos germânicos e a ascensão do cristianismo como religião oficial (Edito de Milão, 313).
- Quadro Sociocultural: O confronto entre a tradição filosófica grega (Platão e Aristóteles) e a novidade da doutrina cristã marcou a transição filosófica da época.