A Filosofia de Kant e suas Relações com Outros Pensadores

Classificado em Filosofia e Ética

Escrito em em português com um tamanho de 4,04 KB

Relação de Kant com outros autores: Como a maioria dos filósofos, a filosofia de Immanuel Kant apresenta algumas características que podem se relacionar com pensamentos de outros filósofos. Diferente do resto das propostas filosóficas que surgiram ao longo da história — que assumiam que o conhecimento é um processo pelo qual um indivíduo apreende um objeto como ele é —, Kant afirmou que o objeto deve se adaptar às estruturas mentais do sujeito para ser conhecido.

Kant propõe uma teoria que corresponde ao princípio da causalidade de Hume, completando-o. Enquanto Hume explicou que as ideias não podiam se relacionar e levar a outras conexões, Kant afirmou que, a partir de juízos a priori, o sujeito será capaz de relacionar essas ideias através do uso da razão. Segundo Kant, ler Hume o despertou de seu "sono dogmático", tornando-o crítico da metafísica, uma vez que seu conteúdo não pode passar com êxito pelo tribunal da experiência.

  • Conhecimento e Percepção: Se a fonte do conhecimento está na percepção, não há percepção que corresponda às ideias metafísicas. No entanto, Kant não pode aceitar o ceticismo de Hume sobre as leis científicas. Estas não são, na opinião de Kant, a posteriori, mas a priori; portanto, não são apenas prováveis, mas necessariamente verdadeiras.
  • Ética e Razão: O emotivismo e o utilitarismo de Hume são o oposto da opção kantiana. Kant escolhe, na sua busca pela razão universal, uma ética objetiva e universal, independentemente de nossos interesses emocionais e privados. Movemo-nos pelo racional, e a razão só pode levar-nos a defender o próprio direito. Sem um conceito universalmente compartilhado da razão, não teremos uma noção de direito que funcione para todos.

Para Kant, sabemos que temos que primeiro entender o conceito para, então, relacioná-lo à manifestação do númeno (fenômeno), levando ao conhecimento. Platão acreditava que já conhecíamos as ideias, implícitas em nossa alma, mas a alma reencarnada as havia esquecido; assim, aprendemos porque a aprendizagem era uma maneira de a alma lembrar-se das ideias. Aristóteles acreditava que sabemos através da experiência sensorial; a realidade é o que percebemos.

Seguindo essa linha, podemos relacionar o "númeno" de Kant com a "ideia" de Platão, pois ambos simbolizam a essência de uma entidade. Embora se diferenciem no fato de que as ideias de Platão estavam fora do mundo sensível, para Kant, o númeno é o próprio objeto além de sua essência. Com relação à política, Kant acreditava que o homem era mau por natureza e, por isso, era necessário estabelecer um contrato social para a paz.

Esta ideia era compartilhada com Hobbes, mas Kant propôs uma solução diferente: ele defendia uma constituição republicana em que um representante decide o que é melhor para o povo, enquanto para Hobbes a melhor forma de governo era o absolutismo. No entanto, Rousseau se opõe a ambos, dizendo que o homem é bom por natureza e, portanto, a melhor forma de governo é a democracia. Para Kant, os homens só poderiam ser livres se fossem iguais. Rousseau toma o caráter universal da vontade geral, que só pode ser universal por vir da razão.

No que se refere ao contrato social, eles não têm a mesma visão do homem na natureza. Kant foca no egoísmo e na "insociável sociabilidade" dos seres humanos, contra o "nobre selvagem" de Rousseau. É o imperativo categórico que obriga o homem a se tornar um cidadão. Para tanto, o contrato é a forma geral de ação social cooperativa. Para Kant, este pacto é puro, porque é derivado do imperativo categórico e não restringe a liberdade e a soberania que cada pessoa tem sobre si mesma.

Entradas relacionadas: