Filosofia Moderna: Racionalismo, Empirismo e Liberalismo

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Descartes e o Racionalismo

O pensamento de Descartes tem como pano de fundo as grandes transformações no mundo europeu dos séculos XVI e XVII.

Descartes pretende fundamentar a possibilidade do conhecimento científico (da Nova Ciência), encontrando uma verdade inquestionável e refutando o ceticismo.

Adota uma posição racionalista: torna a razão natural o ponto de partida do processo de conhecimento, enfatizando a necessidade do método para "bem conduzir esta razão" em sua aplicação ao real.

Encontra no próprio pensamento a certeza que não pode ser posta em questão pelo cético, já que duvidar é pensar e a dúvida pressupõe o pensamento (argumento do cogito).

O argumento do cogito o coloca diante do solipsismo, um idealismo radical que significa o isolamento da consciência (interioridade) em relação ao mundo exterior.

Descartes recorre à existência de Deus para garantir a correspondência entre o pensamento e o real no processo de conhecimento, retomando alguns pressupostos do realismo escolástico.

O Empirismo na Filosofia Moderna

O empirismo é, juntamente com o racionalismo, um dos paradigmas fundamentais da filosofia moderna em sua primeira fase (séculos XVI-XVII).

O empirismo caracteriza-se pela valorização da experiência sensível como fonte de conhecimento.

A concepção de conhecimento do empirismo tem como ponto de partida o método indutivo e a probabilidade. A ciência baseia-se no método empírico e experimental, isto é, na formulação de hipóteses, na observação, na verificação e no teste de hipóteses com base em experimentos.

O empirismo, levado às suas últimas consequências, pode dar origem, como em Hume, ao ceticismo e ao naturalismo.

Liberalismo, Contrato Social e Iluminismo

O liberalismo pode ser visto como correlato político do subjetivismo epistemológico característico dos séculos XVII e XVIII.

Sua problemática central consiste na necessidade de conciliar os direitos individuais, considerados como naturais, com a necessidade da vida social.

Hobbes, Locke e Rousseau são os pensadores mais importantes que discutiram essa problemática, concordando quanto à concepção de um contrato social como fundamento da sociedade organizada racionalmente, embora divergindo sobre a natureza humana e as características do Estado.

O Iluminismo valoriza o conhecimento como instrumento de libertação e progresso da humanidade, levando o homem à sua autonomia e a sociedade à democracia, ou seja, ao fim da opressão.

A Enciclopédia representa os ideais de conhecimento da época e o papel pedagógico e emancipador do saber.

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